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10Jun1963

Celebrações do 10 de Junho - Dia de Portugal

 

 

Dia de Portugal

 

 

10 de Junho - As cerimónias

 

 

 

10 de Junho de 1963 (Bissau)

 

 

in Jornal do Exército n.º 45, de Setembro de 1963

 

Guiné

Cerimónias Militares Comemorativas do dia de Portugal

 

As cerimónias tiveram início pelas 8 horas, com o içar da Bandeira, na Praça do Império, sendo a guarda de honra prestada por uma Companhia de Caçadores com banda de música.


Presentes Sua Ex.ª o Governador da Província Comandante Vasco Rodrigues, Comandante-Chefe das Forças Armadas, Coronel-Tirocinado do CEM Fernando Louro de Sousa, Comandantes da ZA de Cabo Verde e Guiné e Defesa Marítima, oficialidade dos três ramos das Forças Armadas, dos chefes de numerosas tribos desta Província e muito povo.

 

 03


Pelas 9,30 horas realizou-se uma concentração de forças militares e da força aérea, na Praça do Império, frente ao Palácio do Governo, com bandeira e banda de música, sob o comando do sr. Tenente-Coronel Alves Moreira, tendo como 2.º Comandante o sr. Major Borges Diniz.


Estas forças prestaram honras a Sua Ex.ª o Governador da Província e ao sr. Comandante-Chefe, no momento da chegada destas entidades ao local.


Perante as forças em parada, foi feita a chamada dos militares e civis naturais da Guiné agraciados com a Cruz de Guerra de 3.ª classe, e que mais se distinguiram em acções de soberania nesta Província:
 

Soldados
n.º 25/62, Ventura Barreto;
n.º 86/62, Samper Pereira;
n.º 103/62, António Nancana [António Nancassa], e
n.° 15/62, Samba Jau; e os
 

Civis
Coli Sambu [Goli Sambú],
Hikmat Kassem [Hikmat Xassem] e
Malam Sanha [Malan Sanhá].

 

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Antes da imposição das insígnias, fizeram uso da palavra o sr. Capitão Rosa Carvalhal, que se referiu à solenidade do dia, fazendo um breve resumo dos factos mais notáveis da nossa História Pátria, salientando a acção dos Portugueses no mundo, a sua acção civilizadora, seu espírito de coexistência, bom entendimento entre os naturais das diversas províncias portuguesas, o carinho das suas relações e sua irmandade na defesa do território nacional; seguidamente falou o sr. Comandante-Chefe, que depois de aludir ao significado do acto que se iria realizar, a certa altura disse:


«Militares e civis irmanados pelo arreigado sentimento de amor pátrio defenderam com armas na mão esta terra portuguesa da Guiné, dando assim um vivo testemunho de acendrado patriotismo, coragem, decisão e serenidade debaixo de fogo, prontos a morrer pela Pátria, para que esta viva eternamente».
 

E mais adiante:


«Eles comprovaram que a Pátria reúne os indivíduos que têm uma alma comum - a alma da Nação - e um mesmo ideal - o ideal nacional - que a sua defesa não é privilégio das Forças Armadas, e que quando a paz está ameaçada e se luta pela integridade do território nacional, mais do que nunca se torna necessário a harmonia e conjugação do esforço de todos - civis e militares», acrescentando ainda:


«Magnifico exemplo nos deram estes portugueses, naturais da Guiné, corações leais onde a traição não tem lugar, que preferem morrer como portugueses livres a ficarem sujeitos a dirigentes e povos alheios que, a partir de falsas ideologias os querem «libertar» para se apossarem dos seus haveres, dos seus lares, das suas terras, passando-os à condição de simples escravos».


Terminou por afirmar:


«A Guiné Portuguesa - sagrada pelo esforço e sacrifício, ensopada pelo sangue generoso e vivo de um sem-número de heróis anónimos que tombaram em sua defesa - orgulha-se de vós como seus filhos dilectos».


Procedeu-se depois à imposição das insígnias por Sua Ex.ª o Governador da Província e pelo sr. Comandante-Chefe, acto que se revestiu de comovente solenidade.


Finda esta cerimónia as forças em parada desfilaram garbosamente em continência perante estas duas entidades, motivando uma particular manifestação de carinho e apreço por parte da numerosa população que indistintamente se comprimia ao longo dos passeios do percurso.


Pelas 18,30 horas, com a presença das mesmas altas individualidades e muito povo, procedeu-se ao arriar da Bandeira Nacional, com idêntica solenidade.

 

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