Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
Para
visualização dos conteúdos clique em
cada um dos
sublinhados que se seguem:
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Moita

Moita
Manuel
dos Santos Domingos

Soldado Atirador de Cavalaria, n.º
147/63
Esquadrão de Cavalaria
485
«OS GRIFOS»
Angola: 20Ago a 19Out1963 (data do
falecimento)
Em Memória e Homenagem ao
Soldado Atirador de Cavalaria n.º
147/63
MANUEL DOS SANTOS DOMINGOS
I. IDENTIFICAÇÃO
Manuel dos Santos Domingos, Soldado Atirador de
Cavalaria com o número 147/63, natural do lugar do
Penteado, na freguesia e concelho
da
Moita, onde nasceu a 10 de Maio de 1942, filho de
Custódio Domingos e de Mariana dos Santos, solteiro, com
21 anos de idade à data do seu falecimento.
Foi
mobilizado pelo Regimento de Cavalaria N.º 7 (RC7),
aquartelado na Ajuda, em Lisboa, unidade histórica
conhecida por «REGIMENTO DO CAIS» e que tem por divisa «QUO
TOTA VOGANT», para integrar, em campanha, o Esquadrão de
Cavalaria N.º 485, também designado por Companhia de
Cavalaria N.º 485, «OS GRIFOS», cuja divisa é «AD
AUGUSTA PER ANGUSTA» - Por caminhos estreitos até aos
altos feitos.
II. A SUA VIDA E O SEU DEVER
Nascido na Moita, a 10 de Maio de 1942, no seio
de uma família humilde e trabalhadora, Manuel dos Santos
Domingos cresceu com os valores da terra ribeirinha do
Tejo: o trabalho, a honra e o sentido do dever.
Cumprido o seu dever cívico, foi
chamado a servir Portugal. Foi mobilizado pelo histórico
Regimento de Cavalaria 7, aquartelado na Ajuda, Lisboa,
herdeiro de séculos de história e tradições de
cavalaria, cujo brasão ostenta o elmo com plumas azuis
sobre escudo azul com o número 7 em ouro.
III. A MOBILIZAÇÃO PARA ANGOLA
No dia 8 de Agosto de 1963, na Gare Marítima da
Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, o jovem Soldado
Domingos embarcou no NTT
‘Niassa’,
integrado no Esquadrão de Cavalaria 485 – “Os Grifos”.
O Guião do seu Esquadrão, que envergou
com orgulho, era de pano vermelho com bordadura em bico
amarelo e vermelho, ostentando ao centro o brasão do RC7
– o elmo e o escudo com o 7 – encimado pela divisa
latina AD AUGUSTA PER ANGUSTA, e nos cantos o número 485
e as sabres cruzados da Arma de Cavalaria.
Após
doze dias de travessia, desembarcou no porto de Luanda
no dia 20 de Agosto de 1963. A sua subunidade, comandada
pelo Capitão de Cavalaria Leopoldo Severo Ferreira
Pinto, foi colocada em Calambata, no norte de Angola,
numa das zonas mais duramente fustigadas pela subversão.
Ali, o Soldado Manuel dos Santos Domingos cumpriu, com
abnegação e coragem, a missão de garantir a segurança
das populações e a soberania de Portugal.
IV. O SACRIFÍCIO SUPREMO
No dia 19 de Outubro de 1963, com apenas dois
meses de comissão e 21 anos de idade, o Soldado Atirador
Manuel dos Santos Domingos tombou em combate.
Faleceu em Calambata, no seu
aquartelamento, em consequência de ferimentos graves
sofridos durante um ataque perpetrado ao quartel por
forças da UPA. Cumpriu até ao último alento o juramento
que fizera à Pátria. Morreu como viveu e serviu: de arma
na mão, fiel aos seus camaradas, fiel ao seu Esquadrão.
A sua causa de morte, lavrada nos registos oficiais, é
simples e imensa: “Ferimentos em combate”.
Encontra-se inumado, longe da sua
Moita natal, mas para sempre na terra que jurou
defender, na Fileira A, do Talhão Militar, no Cemitério
de São Salvador, em Angola, hoje M'banza Kongo,
Província do Zaire.
V. O VAZIO
MONUMENTAL NA VILA DA MOITA
A preservação da memória histórica dos jovens
portugueses que cumpriram o seu dever militar durante a
Guerra do Ultramar (1961–1974) é uma exigência
imperativa de justiça, cidadania e respeito
institucional.
Por todo o país, vilas e cidades
ergueram monumentos, memoriais e lápides onde se
perpetuam os nomes daqueles que não regressaram.
Contudo, na vila da Moita — sede de
concelho — constata-se com profundo pesar a ausência
absoluta de qualquer memorial, padrão ou monumento
público dedicado aos seus combatentes. O Município da
Moita esqueceu-se dos seus mortos.
Esse esquecimento tem um nome
concreto: Manuel dos Santos
Domingos,
Soldado Atirador de Cavalaria do Esquadrão 485 “Os
Grifos”, natural do Penteado / Moita, tombado em combate
em Calambata (Angola) a 19 de Outubro de 1963.
O seu corpo repousa em solo africano,
longe da sua terra natal, sem que a vila da Moita lhe
tenha dedicado até hoje qualquer homenagem pública,
placa memorial ou espaço de evocação coletiva. A sua
memória sobrevive apenas graças a registos de arquivo e
ao esforço de preservação histórica, carecendo de um
ponto de referência comunitário que perpetue o seu
sacrifício perante as gerações vindouras.
VI. HOMENAGEM
FINAL
Prestar esta homenagem pública não constitui uma
exaltação da guerra, mas sim um ato elementar de
justiça, gratidão e reconhecimento humanitário a quem
cumpriu com honra o seu dever militar.
A edificação de um memorial ao Soldado Manuel dos Santos
Domingos e aos naturais da Moita permanece como uma
dívida histórica por cumprir.
Aos que partem tão novos, a Pátria
fica a dever-lhes tudo. Que o nome de Manuel dos Santos
Domingos, Soldado Atirador de Cavalaria n.º 147/63,
natural da Moita, dos “Grifos” do Esquadrão 485, do
Regimento do Cais, não seja esquecido. Que a sua memória
perdure na sua terra, na sua família, nos seus camaradas
de armas e em todos nós.
Honra e Glória aos que deram a vida
por Portugal!
Que a sua Alma descanse em Paz.
“AD AUGUSTA PER ANGUSTA”
A memória não é ornamento. É
dever.
