Enviado pelo seu filho
Amadou Jonice Baldé
Sadjo Baldé
Alferes de 2.ª Linha

Biografia / CV Militar:
Sadjo Baldé (CMil 21)
Data de
nascimento: 14 de Junho
de 1946
Naturalidade: Posto
Administrativo de Buba,
Circunscrição de Fulacunda
Filiação:
Meta Baldé e de Cumba Baldé
Posto:
Alferes de 2.ª Linha (N.º
Mecanográfico: 030366)
Unidade
Mobilizadora: Comando
Territorial Independente da
Guiné (CTIG)
Unidade de
Actuação: 21.ª Companhia
de Milícias (CMil 21)
Teatro de
Operações: Guiné
Portuguesa (1967 – 1974)
Resumo do Percurso e Atividade
Operacional
1966 –
1967: O Recrutamento em Buba
O percurso militar de Sadjo
Baldé inicia-se no período de
1966 a 1967, com o seu
recrutamento na localidade de
Buba (Sector Sul). Esta fase de
instrução e incorporação decorre
sob o comando do então
Comandante do Sector, o Coronel
de Infantaria Alfredo Henriques
Baeta. Após a sua formação e já
com o posto de 2.º Sargento,
Baldé é considerado apto para
integrar as forças de quadrícula
locais que combatiam a
insurgência.
1967 –
1969: O Núcleo Fundador em
Cameconde (Sector Sul - S2) e a
Intensificação dos Combates
Em
Janeiro de 1967, o 2.º Sargento
de 2.ª Linha Sadjo Baldé integra
o contingente inicial da
recém-criada 21.ª Companhia de
Milícias (CMil 21), sendo
colocado no aquartelamento de
Cameconde, no crucial e
fustigado Sector Sul (S2). Nesta
fase pioneira de fixação e
defesa das tabancas locais
contra as infiltrações do PAIGC,
serve sob o comando do
prestigiado e condecorado
Alferes de 2.ª Linha Mamadu
Madiu Tchamo (Amadeu).
A
nível administrativo e de apoio
logístico de combate, o
destacamento da CMil 21 em
Cameconde actua articulado e sob
a tutela
das
seguintes subunidades
metropolitanas de quadrícula:
• De
Agosto de 1967 a Dezembro de
1968:
Subordinado à Companhia de
Artilharia 1692 (CArt 1692),
integrada sucessivamente nos
dispositivos de manobra do BArt
1896 e do BCaç 2834.

Atividade
Operacional (1968):
O ano de 1968 é marcado por uma
forte agressividade operacional
na região de Cantanhez. Durante
a designada Operação Camiconde
(1968), a unidade sofre dois
feridos na zona de Cantadi:
Arona Rachido Djaló e Ussumane
Djaló. Pouco tempo depois, num
deslocamento entre Camiconde e
Cacine, a força cai numa
violenta emboscada que resulta
na morte em combate do militar
Bacari Sané e em sete (7)
feridos graves. A pressão do
inimigo intensifica-se no mesmo
itinerário, registando-se uma
nova emboscada entre Gadamael e
Cacine (precisamente no
cruzamento de Cacoca), que
provoca mais uma baixa mortal: o
militar Alfa Umar Djaló. Ocorrem
ainda violentos confrontos e uma
operação subsequente na zona de
Cambeque.


•
A partir de 28 de Dezembro de
1968: Passa para a alçada da
Companhia de Caçadores 2445
(CCaç 2445), que rende a
anterior no subsetor de
Cacine/Cameconde sob a
orientação do BCaç 2834 e,
posteriormente, do BArt 2865.


O meu amigo Romeu
da Companhia 2445 - O Açoriano
Atividade Operacional (1969):
A atividade de fogo e as ações
de patrulhamento continuam no
ano seguinte através da Operação
Camiconde e Cambeque (1969),
onde a unidade volta a ser
fustigada, sofrendo a perda do
militar Alsaine Djaló, morto em
combate.
1970 –
1972: A Consolidação no Terreno
e a Rotação de Unidades
Mantendo uma presença
perfeitamente estável e contínua
na defesa das populações e
reordenamentos de Cameconde
(conforme atestam os registos do
CTIG que confirmam a permanência
da unidade pelo menos até
Dezembro de 1971), Sadjo Baldé
continua a desempenhar

funções
de comando tático no terreno.
• Em Maio de 1970: Com a rotação
de contingentes, a CMil 21 passa
a ser administrada pela
Companhia de Caçadores 2726
(CCaç 2726). Os operacionais da
companhia de milícias dividem-se
em Pelotões de
Milícias
(Pel Mil) que operam em estreita
simbiose física e operacional
com os pelotões da CCaç 2726
entre as bases de Cameconde e
Cacine, sob a asa do BArt 2865
e, mais tarde, do BCaç 2930.
1972 –
1974: Progressão na Carreira e o
Sector Leste (L5)
Demonstrando notável aptidão
militar e capacidade de
liderança ao longo dos anos mais
duros do conflito, Sadjo Baldé é
promovido ao posto de oficial,
ascendendo a Alferes de 2.ª
Linha.

Na fase final do Teatro de
Operações, a CMil 21 (forças
parciais ou integradas) é
deslocada do sul profundo para o
Sector Leste (L5), na foz do Rio
Corubal, fixando-se na densa e
complexa região de
Saltinho
/ Galomaro.
• Em Agosto de 1974: No período
de transição política
subsequente ao 25 de Abril, o
Alferes Sadjo Baldé encontra-se
no quartel do Saltinho, estando
a sua força militar diretamente
dependente e administrada pela
3.ª Companhia do Batalhão de
Caçadores 4518/73, comandada
pelo Capitão Miliciano de
Infantaria Luís Malheiro
Holtreman Roquete.
A 13 de agosto de 1974, com a
situação militar estabilizada e
em vésperas da desativação
formal dos aquartelamentos e da
respetiva entrega do território
ao PAIGC, é-lhe concedida uma
Licença Especial pelo Gabinete
do Comandante Militar para gozar
na localidade de Madina.
Clique na imagem que se segue
para ampliação

A Fuga e o
Exílio: O Refúgio no Senegal
(1975)
Com o reconhecimento oficial da
independência da Guiné-Bissau
por parte de Portugal e perante
a iminente e dramática ameaça de
perseguição, aprisionamento e
fuzilamento em massa que viria a
visar milhares de militares
guineenses que haviam servido
fielmente as Forças Armadas
Portuguesas, o Alferes de 2.ª
Linha Sadjo Baldé tomou a
decisão crucial de salvaguardar
a sua vida e a dos seus.
A sua fuga concretizou-se a 2 de
Janeiro de 1975, data em que
iniciou uma perigosa viagem
clandestina rumo à fronteira
norte. Durante o percurso para o
exílio, o novo regime instituído
pelo PAIGC tentou todos os meios
possíveis para o detectar e
capturar, mobilizando forças e
chegando ao extremo de enviar
mercenários no seu encalço para
abortar a fuga.
Apesar do perigo extremo e do
ambiente de perseguição
asfixiante, Sadjo Baldé
conseguiu romper o cerco e
cruzar a fronteira com sucesso,
sendo acolhido oficialmente pelo
Governo do Senegal.
Estabeleceu-se permanentemente
neste país vizinho na qualidade
de refugiado político,
conseguindo ali reunir a sua
família e criar os seus filhos,
sobrevivendo assim ao trágico
destino de fuzilamento que
vitimou grande parte dos seus
antigos camaradas-de-armas que
permaneceram em território
guineense.

As fotos e os
distintivos foram processados
por inteligência artificial.