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Tributo da equipa editorial do portal UTW, às tripulações de navios mercantes portugueses

 

«... destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações.
Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar…
»
Lisboa (Forte do Bom Sucesso), 10 de Junho de 2016
Ten-Cor Pilav Brandão Ferreira

 

A Marinha Mercante Portuguesa ao serviço das Forças Armadas de Portugal

1957 > 1975

 

 

«Medalha Comemorativa do Esforço dos Tripulantes dos Navios Mercantes Nacionais, na Defesa dos Territórios Ultramarinos»

 

Ministério da Marinha - Direcção-Geral da Marinha

Decreto n.º 44646, de 25 de Outubro de 1962

Diário do Governo n.º 246/1962, Série I

 

Vídeos RTP:

 

Idas e Regressos de NTT´s, entre a Metrópole e o Ultramar

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado ou na imagem que se seguem:

 

21Jun1957: «Chegada de Expedicionários Militares da Índia»

 

 

02' 46"


Lisboa, chegada de expedicionários militares da Índia.


Chegada do navio de passageiros Niassa com militares expedicionários regressados da Índia Portuguesa.

 

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Fonte:

Diário de Lisboa, n.º 12406,

de 21Jun1957, pág. 1 e 8

 

Um contingente militar regressou a Lisboa no «Niassa» depois de cerca de dois anos de serviço na Índia

 

O paquete «Niassa», da Companhia Nacional de Navegação, depois de uma longa viagem, chegou hoje a Lisboa e atracou á Estação Marítima de Alcântara, com um grande contingente de tropas, do Batalhão de Caçadores da Índia, mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa; as Baterias de Artilharia D. João de Castro, do Regimento de Artilharia Ligeira 1; da Bateria de Artilharia de Santarém, do Regimento de Artilharia 6; da 1.ª e da 2.ª Baterias de Artilharia do Regimento de Artilharia n.º 30; da Bateria de Artilharia de Coimbra, do Regimento de Artilharia Ligeira 2; e de um Esquadrão de Reconhecimento.


Nas terras de onde são naturais, ou onde se encontravam estes elementos, e outros isolados que também chegaram hoje, estão preparadas diversas cerimónias e festas para o momento em que eles ali regressarem.


Estas forças prestaram serviço, no nosso Estado da Índia.


De manhã, desde muito cedo, aquela «gare» marítima começou a ter um movimento enorme de pessoas que esperavam o navio em que vinham oficiais, sargentos e praças, há tanto tempo afastados do convívio da família e dos amigos.


Viam-se ali pessoas de Lisboa e dos arredores, e outras vindas de muito longe, para aguardar o regresso dos seus familiares.


O navio atracou cedo, mas só muito mais tarde foi possível começar o desembarque, que provocou grande emoção em quantos a ele assistiram. Abraços de mães e de pais, que já não viam há anos os filhos queridos; Irmãos que se beijavam; noivas que aguardavam ansiosamente os que tinham partido e lhes haviam deixado a promessa de casamento; esposas que há muito esperavam o momento do regresso; filhos pequenos, que já mal conheciam os pais, tão novinhos eram quando eles partiram.


Alguns dos sargentos e dos soldados vinham irreconhecíveis. Nos primeiros momentos, nem as famílias sabiam de quem se tratava: ostentavam barbas enormes, deixadas crescer propositadamente, para um grande ar de veterania...


Já passava muito das 8 horas, quando as tropas, sob o comando do tenente-coronel Júlio Ângelo de Sousa Monteiro, começaram a desembarcar do navio, que trouxe como comandante de bandeira o capitão-de-fragata Andrade e Silva. O hino nacional, executado pela banda de Caçadores 5, foi ouvido com o maior respeito.

 

 


Algum tempo depois as tropas formaram na parte exterior da Estação Marítima. O brigadeiro Barbieri Cardoso, segunda comandante do Governo Militar de Lisboa, passou-lhes revista, após o que muitos embarcaram em camionetas e comboios, com destino ás suas unidades.


A bordo do «Niassa», chegaram também o comandante e o imediato do aviso «João de Lisboa», srs. capitães-de-fragata Francisco Spínola e Artur Gomes, que estavam a prestar serviço na Índia Portuguesa e foram agora rendidos.

 
No mesmo barco vieram ainda os corpos do capitão-médico dr. Marcelino António Carlos de Oliveira Peres, do alferes de artilharia Nuno João da Silva Morais Pinto e do alferes miliciano de Infantaria José Carlos Gaspar Marques.


O corpo do primeiro seguiu para a sua terra natal - Fuzeta, no Algarve, onde se realizará o funeral; o do segundo foi hoje sepultado no cemitério dos Prazeres, tendo seguido os restos mortais do último para o cemitério de Mafra.

 

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