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21Jun1957: «Chegada de
Expedicionários Militares da Índia»

02' 46"
Lisboa, chegada de expedicionários
militares da Índia.
Chegada do navio de passageiros
Niassa com militares expedicionários
regressados da Índia Portuguesa.
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Fonte:
Diário de Lisboa, n.º 12406,
de 21Jun1957,
pág. 1 e 8
Um contingente militar regressou
a Lisboa no «Niassa» depois de cerca
de dois anos de serviço na Índia
O
paquete «Niassa», da Companhia
Nacional de Navegação, depois de uma
longa viagem, chegou hoje a Lisboa e
atracou á Estação Marítima de
Alcântara, com um grande contingente
de tropas, do Batalhão de Caçadores
da Índia, mobilizado pelo Batalhão
de Caçadores 5, em Lisboa; as
Baterias de Artilharia D. João de
Castro, do Regimento de Artilharia
Ligeira 1; da Bateria de Artilharia
de Santarém, do Regimento de
Artilharia 6; da 1.ª e da 2.ª
Baterias de Artilharia do Regimento
de Artilharia n.º 30; da Bateria de
Artilharia de Coimbra, do Regimento
de Artilharia Ligeira 2; e de um
Esquadrão de Reconhecimento.
Nas terras de onde são naturais, ou
onde se encontravam estes elementos,
e outros isolados que também
chegaram hoje, estão preparadas
diversas cerimónias e festas para o
momento em que eles ali regressarem.
Estas
forças prestaram serviço, no nosso
Estado da Índia.
De manhã, desde muito cedo, aquela
«gare» marítima começou a ter um
movimento enorme de pessoas que
esperavam o navio em que vinham
oficiais, sargentos e praças, há
tanto tempo afastados do convívio da
família e dos amigos.
Viam-se ali pessoas de Lisboa e dos
arredores, e outras vindas de muito
longe, para aguardar o regresso dos
seus familiares.
O navio atracou cedo, mas só muito
mais tarde foi possível começar o
desembarque, que provocou grande
emoção em quantos a ele assistiram.
Abraços de mães e de pais, que já
não viam há anos os filhos queridos;
Irmãos que se beijavam; noivas que
aguardavam ansiosamente os que
tinham partido e lhes haviam deixado
a promessa de casamento; esposas que
há muito esperavam o momento do
regresso; filhos pequenos, que já
mal conheciam os pais, tão novinhos
eram quando eles partiram.
Alguns dos sargentos e dos soldados
vinham irreconhecíveis. Nos
primeiros momentos, nem as famílias
sabiam de quem se tratava:
ostentavam barbas enormes, deixadas
crescer propositadamente, para um
grande ar de veterania...
Já passava muito das 8 horas, quando
as tropas, sob o comando do
tenente-coronel Júlio Ângelo de
Sousa Monteiro, começaram a
desembarcar do navio, que trouxe
como comandante de bandeira o
capitão-de-fragata Andrade e Silva.
O hino nacional, executado pela
banda de Caçadores 5, foi ouvido com
o maior respeito.
Algum tempo depois as tropas
formaram na parte exterior da
Estação Marítima. O brigadeiro
Barbieri Cardoso, segunda comandante
do Governo Militar de Lisboa,
passou-lhes revista, após o que
muitos embarcaram em camionetas e
comboios, com destino ás suas
unidades.
A bordo do «Niassa», chegaram também
o comandante e o imediato do aviso
«João de Lisboa», srs.
capitães-de-fragata Francisco
Spínola e Artur Gomes, que estavam a
prestar serviço na Índia Portuguesa
e foram agora rendidos.
No mesmo barco vieram ainda os
corpos do capitão-médico dr.
Marcelino António Carlos de Oliveira
Peres, do alferes de artilharia Nuno
João da Silva Morais Pinto e do
alferes miliciano de Infantaria José
Carlos Gaspar Marques.
O corpo do primeiro seguiu para a
sua terra natal - Fuzeta, no
Algarve, onde se realizará o
funeral; o do segundo foi hoje
sepultado no cemitério dos Prazeres,
tendo seguido os restos mortais do
último para o cemitério de Mafra.