Capitão
de Infantaria
ANTÓNIO LUCIANO FONTES RAMOS
CCac 2422 - BII 17
MOÇAMBIQUE
1.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada
na OE n.º 20 — 2.ª série, de 1970.
Por Portaria de 13 de Outubro de
1970:
Condecorado com a Cruz de Guerra de
1.ª classe, ao abrigo dos artigos
9.º e 10.º° do Regulamento da
Medalha Militar, de 28 de Maio de
1946, por serviços prestados em
acções de combate na Província de
Moçambique, o Capitão de Infantaria,
António Luciano Fontes Ramos, da
Companhia de Caçadores n.º 2422 —
Batalhão Independente de Infantaria
n.º 17.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data,
publicada naquela 0E):
Louvado o Capitão de Infantaria,
António Luciano Fontes Ramos,
porque, mercê das suas
excepcionais qualidades de comando,
experiência de combate, eficiência
técnica e táctica, mentalização
ofensiva, cuidadosa e pormenorizada
instrução, aturado e violento treino
físico, adaptação ao terreno e
qualidades inatas de perfeito
guerrilheiro, conseguiu que a sua
Companhia fosse considerada uma
Subunidade excepcional, que, apesar
de ter sofrido más condições
climatéricas, deficiente alimentação
e água, péssimas instalações,
emboscadas violentas e muitas baixas
por acção de minas, manteve sempre
uma acção contra o inimigo, digna de
realce.
Inteligente, sagaz, organizador, com
elevado espírito de iniciativa e
grande vontade de bem servir, criou
entre os seus homens um prestígio
que os leva a seguirem-no cegamente,
por nele depositarem a maior
confiança.
Vivendo exclusiva e intensamente a
sua profissão, o Capitão Ramos
dedicou sempre à parte operacional o
melhor do seu esforço, sendo da
maior exigência, sem deixar de ser
humano e bondoso para com os seus
homens.
Regista-se a forma extremamente
meticulosa como sempre prepara as
suas acções, treinando os homens até
ao mais pequeno pormenor, para que
tudo corra mecanicamente, sem
necessidade de improvisação.
Mentalizando-os, fez deles
verdadeiros profissionais, que
perseguem o inimigo nos seus
esconderijos mais recônditos, onde
aparecem de surpresa, depois de
longas caminhadas nocturnas a
corta-mato.
Participou em variadíssimas
operações, sempre nas mais difíceis,
comandando o grupo de assalto,
dinamizando os seus homens pela
forma como valentemente os levava
aos diversos objectivos, os
comandava serenamente debaixo de
fogo e perseguia e abatia inimigos
de armas na mão, fazia prisioneiros
e capturava armamento.
Pela sua audácia, coragem destemida,
serena energia e decisão debaixo de
fogo, pela forma como arriscava a
vida e arrastava atrás de si o seu
pessoal, o Capitão Ramos, um dos
mais distintos capitães, honra
sobremaneira a Arma a que pertence e
merece a consideração do Exército
Português.