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Angola

Fernando Augusto Colaço Leal Robles, Capitão de Infantaria 'Comando'
 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 
Elementos cedidos por um colaborador do portal UTW
 
 
 
Fernando-Augusto-Cola-o-Leal-Robles-350Fernando Augusto Colaço Leal Robles
 
Capitão de Infantaria 'Comando'
 
Angola: 12Fev1961 a 12Mar1963:
      Como Alferes Mil.º de Infantaria
Companhia de Caçadores Especiais 67
(6.ª Companhia de Caçadores Especiais)
 
Guiné: 06Mai1968 a 05Ago1969:Valor-Militar-Merito-Militar-350
      Adjunto do comandante da
15.ª Companhia de Comandos
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»
 
Angola: 1971 a 1975:
Comandante da
25.ª Companhia de Comandos
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»
 
Comandante da
Companhia de Comando e Serviços
Centro de Instrução de Comandos
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»
Região Militar de Angola
 
 
Medalha de Prata de Valor Militar com palma
 
Louvor Individual
 
Medalha de Mérito Militar de 3.ª classe
 
 
Fonte:
Jornal do Exército, ed. 45, Set1963
 
O ALFERES ROBLES, HERÓI DE ANGOLA, DISSE:

Quem se habituou à luta em terras africanas, quem ali viveu e vive horas de combate, que são serviços da Pátria, não pode nem sabe usar outra linguagem, perante o Chefe do Governo, que não seja a linguagem crua da verdade, recta e firme como a ponta das lanças. Sou um combatente, um de entre tantos, uma voz de soldado que afirma a V. Ex.ª, com a certeza de que interpreta o pensamento de todos, que ali, na frente mais dura desta batalha, ali onde se luta e morre, e se escrevem com sangue páginas de história, ali no meio dos soldados, não há outro pensamento, nem outro intento, que não seja o de dedicação exclusiva ao serviço de Portugal.

É com perfeita limpidez de consciência que todos combatem e sofrem, é com a certeza do dever cumprido que todos chegam ao fim da jornada. Na vanguarda não há descrença, sr. Presidente! Nas primeiras linhas não há desânimo nem ideias pecaminosas de abandono ou desistência, sr. Presidente!

Ali vivem-se horas de fé e de coragem, e nas almas dos soldados, que somos todos nós, reside a certeza da vitória final e, a par dela, a certeza do dever cumprido - primeiro sentimento de quem veste uma farda e jurou defender a Pátria!

Recebemos a seiva do passado e pensamos que, antes de nós, e para que nós pudéssemos estar ali, orgulhosamente, outros portugueses e outros soldados, de gerações que passaram, regaram aquelas plagas com sangue e com lágrimas e com suor - heróis de antanho que nos legaram o exemplo admirável de como se criam e exaltam e redimem as nações! São os heroicos navegadores de naus e caravelas, os implantadores de padrões, os que esventraram a terra, depois de singrarem o mar, os que fizeram florescer e frutificar as terras e as gentes, os corpos e as almas do Portugal atlântico e universalista! São, ainda, os Mouzinhos, os Palvas, os Ornelas e os Pereira d'Eça, os que escreveram, em África, com as suas baionetas de soldados, em defesa da Pátria contra as cobiças das potências - tal como hoje, tal como hoje! - algumas das páginas mais belas do Portugal do século passado.

Pela minha voz fala a voz dos combatentes, sr. Presidente do Conselho! Que maior honra pede um militar do que defender a Pátria e por ela jogar a vida? Que maior glória, do que, desse modo, participar da própria existência espiritual da Nação? É este o nosso sentimento, o nosso estado de espírito, o sentimento e o estado de espírito da tropa combatente. Havemos de vencer, e Portugal há-de prosseguir a sua trajectória histórica de país repartido pelo Mundo em pedaços de carne e alma.

Sr. Presidente do Conselho: os que se batem na primeira linha nada mais pedem do que a firmeza da retaguarda! Não gratidão ou reconhecimento, que não é devido a quem está cumprindo o seu dever, mas lealdade, mas coragem, mas confiança, mas inteireza, onde não caiba o comodismo nem a torpeza da desistência. Nada mais pedimos senão que a retaguarda cumpra também o seu dever, como nós estamos cumprindo o nosso. Esta guerra, sabem-no todos, nunca se perderá na Africa, mas poderia perder-se em Lisboa! Pois o que nós pedimos é tão somente que a nossa gente dê mostras de igual espírito de fé e de confiança.

Quanto ao Governo, sabemos nós que, fiel intérprete do sentimento do povo, não deixará abrandar a vigilância por um só momento e não deixará entrar o temor em seu seio. A presença de V. Ex.ª, sr. dr. Oliveira Salazar, à frente do Governo da Nação, é para nós o penhor e o aval da própria história. E quanto ao povo português, que mais poderemos pedir-lhe se, além de nos dar os filhos para serviço da Pátria, ainda vem aqui, em presença de multidão incontável, nesta manifestação nacional, dizer a todos e ao Governo que podem contar com ele, e que os seus filhos deixam de pertencer-lhe, quando a Pátria lho exige? Que mais quer V. Ex.ª, sr. Presidente do Conselho, para saber que pode contar com o povo português?

E que mais seria preciso para saber que conta com os soldados e com as Forças Armadas?
 
Fernando-Augusto-Cola-o-Leal-Robles-920
 
 
 

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