"A Minha Guerra", in revista
"Domingo" do jornal Correio da Manhã,
de 14Jul2013

Clique no sublinhado
que se segue para visualização da opinião do veterano
João Carlos Abreu dos Santos
«Os muros das
lamentações»
Exmº Sr. Director do jornal diário
"Correio da Manhã",

Passando ao largo de um pormenor sobre «morteiro 91»
-
inexistente nas n/FA's -, é o grosso calibre das
trampolineiras morteiradas a esmo, projectadas pelo
boçal «ex-combatente» Manuel Moreira Costa e difundidas
'urbi et orbi' pelo vosso «grande repórter» Leonardo
Ralha, através desse meio de informação, que de facto
importa realçar e interessa desmentir.
Entre a m/leitura daquele "depoimento"
(?!) no próprio dia 14 e a m/distribuição por correio
electrónico no dia 16 (em bcc para mais de 300
destinatários, incluindo diversas associações de
veteranos), havia procedido à rotineira indagação quanto
à sustentabilidade factual de «histórias da guerra»:
- o PelMort914 foi instruído no RI7, em "morteiro 81": o
n/Exército apenas utilizou calibres 60 (ligeiro), 81
(médio) e 120 (pesado, em posições fixas vg
"aquartelamentos"); apesar disso, em dois momentos do
texto e na legenda de uma das fotos, ficou explicitado o
«morteiro 91» (usado por japoneses na 2GM).
- em Leiria, existiam o RI7 (na Cruz da Areia) e o RAL4
(nas imediações do perímetro urbano).
- jamais houve «quartel de artilharia de Monte Real»,
ali apenas a BA5 e onde nunca o Exército teve qualquer
instalação.
- aquela subunidade de infantaria, integrada em
contingente de reforço à guarnição normal da RMA,
embarcou no NTT "Vera Cruz" em 16Out63 (não em 11
referido no texto), rumo a Luanda onde desembarcou no
dia 25.
- enquanto o PelMort911 (que fez tb aquela mesma viagem
marítima), teve destino Nambuangongo (para render o
PelMort24 adstrito ao BCac460), o citado PelMort914 foi
guarnecer o 'cacimbado' BCac381 e com este em 10Nov63 se
deslocou para a cidade do Luso (capital distrital do
Moxico), da qual antes de findo aquele ano veio a ser
transferido para o sector fronteiriço em Vila Teixeira
de Sousa, rendeu o PelMort28 e ficou em reforço à
'velhinha' CCac390 (também ali recém-colocada).
- os referidos «três mil e muitos quilómetros» entre
Luanda e Teixeira de Sousa, reduzem-se a menos de metade
(± 1350)...
- em Nov64, o PelMort914 veio a ser rendido pelo
PelMort901 naquela povoação fronteiriça e regressou ao Grafanil, seguidamente colocado em Nambuangongo onde
rendeu o supra citado PelMort911, tendo ficado adstrito
ao BCac725 (e sucessor BCac1855).
- finalmente, o "914" iniciou a torna-viagem em 05Fev66
(não em 9 referido no texto), integrado num contingente
que concluíra a sua missão em Angola.
O fulano inventou, tudo e mais alguma coisa: da "fome"
que passou no RI7 aos desenfianços para "Monte Real"
(bastante longe e só se fosse para "comer" algo que não
com a boca... ), até um calibre de morteiro que jamais
existiu no Exército Português, passando por diversos
"momentos" do tal "depoimento" - os quais fiz questão de
realçar (no jpg) -, desde "7 mortos" no final de 1963 em
Nambuangongo (que não ocorreram), até um praça e um
alferes (sem cabeça!) cujos corpos "jamais foram
localizados" (o que não sucedeu). Mas, de entre todo
aquele disparate, o mais grave a fabricada difamação
contra José Maria Soares da Silva, chefe de brigada da
PIDE no posto de Teixeira de Sousa, e respectiva esposa,
que em 1964 e «quase todas as semanas» "matavam mais que
o shelltox" (!) perante a conivente passividade de
militares do PelMort914 e seus contemporâneos CCac390,
1ªBtr/GACNL, PelCsR895 (Out64>), e oficiais do PCAv/InfOp-BCac381,
com a colaboração (?!) de soldados das FA's de
Portugal... que «tapavam os buracos»!!!
Além do mais, no aludido ano de 1964 e naquela região
oriental de Angola, nem a 'agit-prop' da FNLA nem a do
MPLA ainda sequer haviam sublevado quaisquer autóctones,
tal como por ali não circulavam "comissários políticos"
daqueles agrupamentos terroristas, apenas existindo,
isso sim, núcleos dos milhares de refugiados catangueses
que foram sendo (bem) acolhidos pelas autoridades, civis
e militares, portuguesas.
Aquele indivíduo - Manuel Moreira Costa - é, como
infelizmente outros acolhidos pelos 'media' que temos,
uma vergonha para a comunidade dos Veteranos da Guerra
do Ultramar, um acabado aldrabão, daqueles muito
apaparicados pelo "jornalismo" e por "estoriadores", do
'putsch' que pariu este estado-a-que-fomos-subjugados...
E por agora me fico que, para mágoa do Portugal que nos
sobrou, já chega.
Cordialmente,
João Carlos Abreu dos Santos