Joaquim Travessa Martins Faustino completaria no domingo, 23 de Agosto, 59 anos
Joaquim da Travessa Martins Faustino, natural de Amiais de Baixo, concelho de Santarém, foi este domingo, dia 23, homenageado pela freguesia, pela câmara e pela população com a atribuição do seu nome a uma rua da vila. Joaquim Faustino foi mobilizado para a Guerra do Ultramar na Guiné-Bissau e viria a falecer, vítima de um disparo de morteiro, em 4 de Junho de 1973. Teria feito no domingo 59 anos (nasceu a 23 de Agosto de 1950).
A Junta de Freguesia de Amiais de Baixo organizou a homenagem, que contou com a colaboração da família de Joaquim Faustino e de dois elementos que estiveram na Guiné: o coronel Coutinho Lima, ex-comandante, e o alferes do seu pelotão, João Seabra. Dezenas de populares juntaram-se à homenagem, após a realização de uma missa solene e da romagem à sua campa no cemitério local, onde foi depositada uma coroa de flores. A rua com o nome de Joaquim da Travessa Martins Faustino fica entre a avenida 25 de Abril (variante a Amiais) e a rua António Maria Galhordas, perto da sede da junta.

O irmão de Joaquim Faustino António Faustino, recebeu a homenagem “com muito orgulho e com o gosto de saber que a sua memória não foi esquecida pelos conterrâneos e irá perdurar no futuro”, referiu a O MIRANTE. Considerou que embora tardia a homenagem é bem-vinda e salientou o carácter do seu irmão. “Era uma pessoa divertida, alegre e amigo do seu amigo. Despediu-se de amigos e familiares antes de embarcar para África. Regressou à terra natal como cadáver”, recordou com emoção.
Da família de Joaquim da Travessa Faustino restam na freguesia o irmão e a cunhada e, fora dessas fronteiras, tios e sobrinhos. A mãe faleceu há muito, o pai há apenas cerca de dois meses.
Para o presidente da junta, Joaquim Lucas, mais importante que uma rua que ajuda a escoar o trânsito da freguesia está o nome de um jovem de Amiais que morreu na guerra e dar-lhe o devido reconhecimento. “Na década de 60 e 70 fomos para o Ultramar e morreram dois amienses. Um em Angola, outro na Guiné. Esta homenagem serve também para os jovens de hoje saberem que nas décadas de 60 e 70 morreram amienses na guerra colonial”, lembrou o autarca. Recorda que Joaquim da Travessa era dois anos mais velho e que conviveram na juventude. “Eu fui para Angola e voltei, ele foi para a Guiné e não teve a mesma sorte”, concluiu.
O presidente da Câmara de Santarém, citando o poema de Adriano Correio da Oliveira “Menina dos olhos tristes”, lembrou que muitos foram os homens e jovens que ficaram pelo Ultramar mas que o importante é que perdure a sua memória. “Na alegria da paz, da tolerância e na alegria da liberdade”, realçou. A manhã de homenagem terminou com um almoço na Casa do Povo.
De Amiais de Baixo houve outro jovem que perdeu a vida na guerra colonial e que poderá vir também a ter o reconhecimento e homenagem públicos. Alfredo Varanda foi mobilizado para Angola mas viria a falecer vítima de acidente de viação. “Ficará para o próximo executivo decidir, mas já discutimos o assunto em assembleia de freguesia e pode haver uma rua disponível para atribuirmos o seu nome”, acrescenta Joaquim Lucas.
Na década de 60 e 70 fomos para o Ultramar e morreram dois amienses. Um em Angola (nota), outro na Guiné. Esta homenagem serve também para os jovens de hoje saberem que nas décadas de 60 e 70 morreram amienses na guerra colonial
Boa pessoa e um barra na escola
São os seus amigos de infância que o recordam. Joaquim da Travessa Faustino era uma pessoa cuja bondade excedia qualquer limite, qualidade que acumulava com a de ser um grande aluno na escola. António Morgado lembra como Joaquim da Travessa era estimado por todos, muito boa pessoa e que acabou por tirar o curso industrial em Lisboa. “Eu era dois anos mais velho que ele e escapei à guerra”, recorda o amigo de infância.
João Enoch sublinha a amizade do homenageado mas também a sua qualidade como estudante. “Era o melhor cérebro que apanhei na escola. Reuníamo-nos dúzias de vezes às 08h30 na escola onde me dava explicações de ciências, mas também passava noites em minha casa a ver televisão até à uma e duas da manhã”, recorda o amigo.
Joaquim da Travessa pertencia a uma das famílias mais humildes mas também das mais sérias de Amiais de Baixo. “Tenho pena que a malta do nosso ano não se una toda e vá à sua campa para fazer a homenagem que ele merecia”, sugere João Enoch.
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(nota):
Alfredo Vieira Varanda
Alfredo Vieira Varanda, 1.º Cabo Mecânico Electricista, natural da freguesia de Amiais de Baixo, concelho de Santarém, filho de Manuel dos Santos Varandas e de Maria Jesus Vieira, solteiro;
Mobilizado pela Companhia Divisionária de Manutenção de Material (CDMM - Entroncamento) para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, integrado no Agrupamento do Serviço de Material de Angola (ASMA);
Faleceu no dia 25 de Fevereiro de 1964, no Hospital Militar de Luanda, em consequência de um acidente de viação, ocorrido na Rua Baltazar de Aragão, em Luanda;
Está inumado no cemitério da freguesia de Amiais de Baixo, concelho de Santarém.
Monumentos aos Combatentes
e Campas




