Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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cada um dos
sublinhados
Listagem dos mortos naturais do concelho
do
Machico

Santo António da Serra
Tolentino Gouveia

Soldado Atirador de Infantaria, n.º
8332/65
Companhia de Caçadores
1439
«BRAVOS AVANTE»
Guiné: 06Ago a 30Ago1965 (data do
falecimento)
Em Memória de
Tolentino Gouveia:
O Sacrifício de um
Jovem de Santo António da Serra
Há heróis cuja audácia e desprendimento ficaram gravados
nas páginas mais profundas da nossa História
Ultramarina. Tolentino Gouveia é um desses nomes que
importa recordar, honrar e perpetuar para que o tempo
não apague o valor do seu sacrifício.
Nascido no lugar do Ribeiro do Machico, na pitoresca
freguesia de Santo António da Serra, concelho de
Machico, Tolentino era filho de Manuel Gouveia e de
Antónia Melim. Um jovem madeirense, solteiro, que partiu
rumo ao cumprimento do dever militar com a coragem
típica das gentes da sua ilha.
A Partida da Ilha: Rumo ao Cenário
da Guiné
Mobilizado
pelo Batalhão Independente de Infantaria 19 (BII19 -
Funchal), unidade que ostentava com orgulho o divisa «NOBRE
E FORTE LUTANDO ATÉ À MORTE», o Soldado Atirador de
Infantaria n.º 8332/65 foi destinado a servir na
Província Ultramarina da Guiné.
A
2 de Agosto de 1965, as águas do porto marítimo do
Funchal viram partir o Navio de Transporte de Tropas
Niassa. A bordo seguia Tolentino Gouveia, integrado num
dos pelotões da Companhia de Caçadores 1439 (CCac1439),
cujos homens respondiam ao grito de guerra «BRAVOS
AVANTE». Após quatro dias de navegação,
a
6 de Agosto de 1965, a companhia desembarcou no estuário
do Geba, em Bissau.
Sob o comando do Capitão Miliciano de
Infantaria
Amândio Manuel Pires, a subunidade marchou de imediato
para o Xime. Ali realizou o treino operacional com a
Companhia de Cavalaria 678 e assumiu a responsabilidade
daquele subsector,
substituindo
a Companhia de Caçadores 508 e integrando o dispositivo
do Batalhão de Caçadores 697 na qualidade de força de
intervenção e reserva.
O Baptismo de Fogo e a Suprema
Dedicação
O Soldado Tolentino Gouveia demonstrou desde os
primeiros instantes um enorme brio e espírito de missão.
Em solo guineense, participou em acções militares de
grande risco, destacando-se na Operação "Bravura" (de 14
a 24 de Agosto de 1965, na região de Galo Corubal) e na
subsequente Operação "Avante" (iniciada a 29 de Agosto,
na região do rio Burontoni).
Foi precisamente no decurso da Operação "Avante" que a
fatalidade bateu à porta. Numa acção inesperada e
violenta, a sua subunidade foi alvo de uma forte
emboscada montada pelas forças do PAIGC. No
calor
do combate, Tolentino foi gravemente ferido pelas armas
inimigas.
Apesar de prontamente socorrido e evacuado, o jovem
soldado não resistiu à gravidade das lesões, vindo a
falecer no dia 30 de Agosto de 1965, no Hospital Militar
241 (HM241), em Bissau.
Naquele fatídico dia, tombaram com ele
mais três elementos que faziam parte da operação
«Avante»:
Caçador nativo Adão Canala, da CCS/BCac697 [Cruz de
Guerra de 1.ª classe a título póstumo],
Soldado Atirador José Manuel Mendonça,
da CCac1439,
Soldado José Augusto da Silva Pereira CCav678, e
A Memória
Imperecível
O Soldado Tolentino Gouveia repousa hoje em solo
africano, encontrando-se inumado na campa n.º 1926 do
cemitério de Bissau, na Guiné.
Homenagem:
Afastado abruptamente dos campos
verdes da sua infância em Santo António da Serra,
Tolentino Gouveia deitou-se cedo na terra dos bravos. A
Pátria e a sua terra natal curvam-se perante a memória
deste jovem soldado, cujo acto de bravura e entrega
total à sua subunidade ecoará para sempre como um
exemplo de nobreza e dignidade militar.
Paz à sua Alma. A sua terra nunca o esquecerá.
