IN MEMORIAM
1.º Cabo Atirador de Cavalaria
CARLOS ALVES DA ROCHA
(1943 – 1965)
Homenagem à
Memória de um Soldado do Ultramar
Natural do lugar da Boavista,
na freguesia de Melres, concelho de Gondomar,
onde nasceu em 1943, Carlos Alves da Rocha era
filho de Camilo Correia da Rocha e de Jerónima
Pereira Alves. Jovem de apenas 22 anos,
solteiro, viu o seu destino entrelaçar-se com a

História
de Portugal quando foi mobilizado para cumprir o
serviço militar nas Forças Armadas.
Incorporado no Exército com o
número de matrícula 677/63, prestou serviço como
1.º Cabo Atirador de Cavalaria. A sua subunidade
— a Companhia de Cavalaria 754 (CCav754) «SETE
ESPADAS» —, mobilizada pelo histórico Regimento
de Cavalaria 7
(RC7
– Ajuda), sob a divisa
«QUO
TOTA VOCANT» («Regimento do Cais»), foi
retirada do Batalhão de Cavalaria 757 e
designada para servir na Província Ultramarina
de Moçambique.
A Viagem e o
Teatro de Operações
Na manhã de 5 de Janeiro de
1965, na Gare Marítima da Rocha do Conde de
Óbidos, em Lisboa, o 1.º Cabo Carlos Alves da
Rocha embarcou no Navio de Transporte de Tropas
NTT ‘Pátria’, rumo ao continente
africano. Após semanas de travessia, desembarcou
no Porto de Lourenço Marques no dia 23 de
Janeiro de 1965.
A CCav754, inicialmente sob o
comando do
Capitão de Cavalaria José Pedro Simões Caçorino
Dias, foi colocada em Vila Cabral
(distrito
do Niassa),
era uma subunidade de reforço ao dispositivo
operacional do
Batalhão de Caçadores 598 («Honra e Glória»).
Após uma fase inicial dedicada ao treino
operacional, patrulhamentos e contacto com as
populações locais, a exigência do conflito
intensificou-se a partir de Abril de 1965,
levando a companhia a posicionar-se em locais de
elevado perigo como Sonja, Mapunda, Maniamba e
Ambuzi.
A Provação do
Combate e o Sacrifício Supremo
A 18 de Junho de 1965, durante
uma perigosa operação nocturna perto do Ambuzi,
a força sofreu uma violenta emboscada na qual o
comandante de companhia ficou gravemente ferido,
resultando na perda parcial da visão e na sua
evacuação de emergência. O comando foi então
assumido pelo Capitão de Infantaria Raul Pereira
da Cruz Silva.
Poucas semanas depois, no
cumprimento do dever e no rigor do Teatro de
Operações do Niassa, a tragédia abateu-se sobre
o jovem militar gondomarense. No dia 27 de Julho
de 1965, na picada entre o Lunho e Nova Coimbra,
o 1.º Cabo Carlos Alves da Rocha tombou em
combate, vítima da deflagração de uma mina
antipessoal.
Tinha apenas 22 anos de idade.
Descanso
Eterno
O seu corpo repousa em solo
africano, estando inumado na campa n.º 45-B,
fileira n.º 2, do talhão B, do Cemitério de Vila
Cabral (actual Lichinga), em Moçambique.
A sua entrega, a sua coragem e
o seu sacrifício supremo ao serviço do país
permanecem vivos na memória da sua terra natal,
dos seus camaradas de armas da Companhia de
Cavalaria 754 e de todos aqueles que cumprem
o dever de não esquecer os que tudo deram pela
Pátria.
«Aqueles que por obras
valerosas / Se vão da lei da morte libertando»
PAZ À SUA ALMA.
