Em breve
nada restará desta bela capela, senão se
conservar Já!!! (03Fev2010)
Vista geral da fachada principal. A Ermida do Senhor do Bonfim, ou Ermida do Senhor Jesus do Bonfim, antigamente conhecida também por Ermida da Cruz de Longe, situa-se no local mais alto da vila da Chamusca, o Monte do Bonfim, de onde é possível contemplar uma vista deslumbrante sobre a lezíria. Na encosta sobranceira ao templo existiu um cemitério, um dos primeiros a funcionar fora da igreja depois das reformas de Costa Cabral. O cruzeiro de pedra que actualmente está colocado em frente do templo estava, antigamente, junto ao portão do cemitério.
A ermida foi mandada construir em 1746 pela
Confraria do Senhor Jesus do Bonfim,
congregação fundada nesse mesmo ano e que
permaneceria aqui instalada até à sua
extinção, em 1850. As obras durariam até
1749, tendo sido dirigidas por um mestre
pedreiro de Lisboa.
Durante o século XVIII, continuaram as obras
na ermida e no espaço envolvente, tendo sido
então construídas a casas do ermitão e dos
romeiros e o curral para a recolha do gado.
De facto, a ermida foi, logo desde a sua
fundação, um importante local de romagem de
toda a região. As principais romarias
davam-se na quinta-feira de Ascensão,
promovida pelos chamusquenses, e no dia de
S. Miguel, esta já organizada pelos
habitantes da Golegã, sobretudo pelas
mulheres, que eram aqui conhecidas como
ceboleiras.
Ainda no mesmo século, efectuaram-se também
obras no interior da ermida, tendo sido
ladrilhado o pavimento, construído o coro e
dourado o retábulo da capela-mor, esta
última intervenção levada a cabo por
Valentino Baptista, de Santarém. Nos finais
do século XVIII, são aplicados os silhares
de azulejos da nave e da sacristia.
Em 1834, a lei de extinção de bens de mão
morta torna a vida da confraria muito
difícil, o que leva à sua extinção em 1850.
O pátio murado situado na parte inferior do
monte, frente à ermida, é então transformado
em cemitério, um dos primeiros do país a
funcionar fora da igreja. O cemitério
permaneceria aqui até à inauguração do
Cemitério Municipal, em 1877.
Vista geral da capela-mor. Em 1965, a ermida
foi alvo de obras de conservação e de
recuperação, promovidas por um grupo de
chamusquenses liderado pela poetisa Maria de
Carvalho. Durante os anos que durou a Guerra
Colonial, a ermida foi objecto de incessante
peregrinação por parte de várias famílias de
soldados, facto ainda hoje notório pelo
elevado número de ex-votos presentes no seu
interior, em especial na sacristia.
Arquitectura e Arte Sacra
A ermida é pequena e de construção simples,
marcadamente popular. É um templo de uma só
nave, revestida até meia parede por um
silhar de azulejos dos finais do século
XVIII, representando temas como a
Crucificação e o Santíssimo Sacramento. Do
lado do evangelho, há um púlpito em talha
dourada, marmoreado de azul com relevos a
ouro.
A capela-mor é coberta por abóbada de berço
rebaixada. O retábulo do altar-mor é em
talha dourada e verde, apresentando na
tribuna a figura do Senhor Jesus do Bonfim,
representado na cruz, pintado em azulejo
colocado sobre pedra tosca. Esta decoração
denota a fase em que foi executada, em pleno
período de transição do barroco para o
rococó. A sacristia, anexa à capela-mor do
lado do evangelho, é revestida por azulejos
de padrão igual aos da nave, mas sem
medalhão.
Ao longo do caminho que sobe até ao cimo do
outeiro, encontram-se as treze cruzes da via
sacra, com placas de azulejo retratando
cenas da Paixão. De resto, a ermida é um
antigo local de peregrinação para toda a
região, desde há pelo menos 250 anos. No seu
interior ainda se encontram numerosos
ex-votos, alguns deles já seculares, como
alguns quadros votivos do século XVIII.
Monumentos aos Combatentes
e Campas
