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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos
aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Calheta

Paul do Mar
Gabriel Ferreira Telo
1.º Cabo Atirador n.º
03117871

Natural da freguesia de Paul do Mar,
concelho de Calheta (Madeira), mobilizado pelo Batalhão
Independente de Infantaria 19, para servir no Comando
Territorial Independente da Guiné, integrado na
Companhia de Caçadores 3518. Tombou em combate no dia 25
de Maio de 1973.
Ficou sepultado no coval 3-A, em Guidaje (perímetro externo), na Guiné.
37 anos depois,
regressa à sua terra natal e ficou
sepultado no cemitério da freguesia de Paul do Mar,
desde do dia 22 de Novembro de 2009.
Notícias
Fonte:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=17&id=138755&sdata=2009-11-23
Jornal da Madeira /
1ª Página / 2009-11-23
Funeral do cabo Telo
realizou-se na presença de centenas de pessoas
«Agora ele está na sua terra»
A
Centenas de pessoas juntaram-se ontem na igreja do Paul
do Mar para a última despedida ao primeiro cabo Gabriel
Telo, morto em combate há 36 anos, na Guiné Bissau.
A cerimónia fúnebre encerra um processo de um grupo de
soldados, dos quais faziam parte dois madeirenses - o
cabo Telo e o soldado João Nunes Ferreira. O processo de
exumação dos cadáveres e trasladação para Portugal
demorou cerca de três anos. A União dos Pará-quedistas
foi quem desencadeou este resgate - estavam três
elementos desta força especial entre os 11 cadáveres -
que agora chega ao fim com este funeral, o último dos
corpos que foram retirados de Guidaje, na Guiné Bissau.
«Fechámos, de facto, um ciclo cujo objectivo era trazer
os corpos que tinham sido inumados naquele
cemitério de campanha, na Guiné», explicou o presidente
da União de Pára-quedistas, o general Avelar de Sousa,
que ontem marcou presença na cerimónia. Várias entidades
associaram-se, aliás, a esta última homenagem ao
soldado, falecido a 25 de Maio de 1973 (e não 1963 como
erradamente escrevemos ontem). Miguel Mendonça,
presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, colocou
de manhã uma coroa de flores junto à urna do militar,
quando ainda se encontrava no Monumento ao Combatente
Madeirense no Ultramar. Um pouco mais tarde, já no Paul
do Mar, freguesia de ontem o cabo era natural, estiveram
presentes no funeral Monteiro Diniz, Representante da
República para a Madeira, Brazão de Castro, secretário
regional dos Recursos Humanos, Manuel Baeta, presidente
da Câmara Municipal da Calheta, entre outras
individualidades.
O processo de exumação e trasladação das ossadas do cabo
Telo abriu na família uma ferida que há décadas tentavam
sarar. A mãe, Flora Telo, nunca deixou, porém, que a
memória do filho fosse esquecida. Por isso, durante os
últimos 36 anos repetia insistentemente histórias sobre
Gabriel, realçando as qualidades deste jovem, que foi
sacristão na igreja que, anos antes, chegou a ajudar a
erguer. O mesmo templo que ontem acolheu a cerimónia da
sua despedida.
Ontem, a comoção impedia Flora Telo de dizer o que
representava para si aquele momento.
No dia anterior, porém, confessou ao Jornal da Madeira
ainda sentir «uma saudade grande do meu filho». E com o
olhar em direcção ao céu apelou para que Gabriel Telo
pedisse por todos os que «mais necessitam».
«Era um filho bom, querido, que desde pequenino» ajudou
na igreja, recordava-se.
A vinda dos restos mortais abriu na família feridas do
passado, mas, apesar dos momentos de dor e ansiedade,
ninguém se arrepende da decisão.
Ontem, Gabriela Telo, irmã dois anos mais nova, dizia
sentir uma «satisfação» por agora Gabriel estar «mais
perto» da família.
Maria João, a mais nova das irmãs, disse sentir «uma
mistura de emoções impossíveis de descrever».
Ainda assim, referiu que naquele preciso momento, à
saída do cemitério, sentia «uma alegria, porque ele está
na sua terra. Estes últimos dias foram de saudade, de
revolta, mas agora, que ele já está aqui no nosso
cemitério, na terra dele, agora é um alívio».
Com o funeral do cabo Telo «fechámos, de facto, um ciclo
cujo objectivo era trazer os corpos que tinham sido
inumados naquele cemitério de campanha, na Guiné», disse
o presidente da União de Pára-quedistas, o general
Avelar de Sousa, que ontem marcou presença na cerimónia
de despedida do militar madeirense, falecido há 36 anos
na Guiné Bissau.
Ainda faltam buscar 1.400 portugueses
Continuam cerca de 1.400 militares portugueses
enterrados em África. São soldados que sucumbiram em
combate mas que o Estado português não custeia o seu
regresso ao país.
Os militares pressionam as autoridades mas o resultado
tem sido nulo.
Para esse processo, a União Portuguesa de Pára-quedistas
está disponível para contribuir com a experiência
adquirida no processo de exumação, identificação e
trasladação dos cadáveres de Guidaje, na Guiné Bissau.
«A União dos Pára-quedistas está disponível para prestar
auxílio através de tudo aquilo que aprendemos», referiu
presidente desta associação, o general Avelar de Sousa.
O presidente da Comissão Organizadora do Monumento ao
Combatente Madeirense no Ultramar, Morna Nascimento,
também diz que é tempo do Estado cumprir a «sua
obrigação».
É tempo de «chamar à responsabilidade o Governo
português para a obrigação que tem de fazer regressar à
metrópole - seja à Madeira, aos Açores ou ao continente
- as ossadas que ainda lá estão dos combatentes que
foram num dever pátrio e por conta do Estado para o
Ultramar. Não se aceita que eles fiquem lá abandonados e
que as famílias é que tenham de pagar o seu regresso. É
uma obrigação do Estado, é uma obrigação da Nação e uma
obrigação de Portugal trazê-los de regresso ao chão da
sua Pátria», defendeu Morna Nascimento, sublinhando que
morreram em combate ou por doença 8.402 portugueses
África. O coronel não sabe, contudo, quantos destes eram
madeirenses.
Alberto Pita
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Fonte:
http://www.dnoticias.pt/default.aspx?file_id=dn01013201221109
Funeral do cabo Gabriel Telo realizou-se este domingo
Família esperou 35
anos para poder realizar a cerimónia fúnebre
Diário de Notícias
Funchal
Data: 22-11-2009
Chegou
ao fim um ciclo de angústia familiar, o funeral do cabo
Gabriel Telo realizou-se na manhã de domingo no Paul do
Mar, 35 anos depois de ter morrido em combate na guerra
colonial.
O 1.º cabo Gabriel Telo foi uma das vítimas de um ataque
ao quartel de Guidage, na Guiné, em Maio de 1973. Só
agora foi possível repatriar os restos mortais do
madeirense, que chegaram sábado à região.
Arecuperação dos restos mortais de Gabriel Telo só foi
possível graças a uma missão da Liga dos Combatentes,
constituída por elementos da União Portuguesa de
Pára-quedistas (UPP), já que entre os mortos estavam
três elementos da UPP. O resgate foi possível através de
um mapa desenhado na altura pelo coronel Luciano Dinis.
Este domingo realizou-se a cerimónia fúnebre, com honras
militares, que começou no monumento ao Combatente, no
Funchal, seguido de uma missa e funeral no Paul do Mar.
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Fonte:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=17&id=138721&sdata=2009-11-22
Jornal da Madeira / Região / 2009-11-22
Ossadas de Gabriel
Telo são levadas hoje para o Paul do Mar
Emoção na chegada de Telo
«Filho,
a mãe está aqui!». Foi com estas palavras que Flora Telo
recebeu ontem as ossadas do filho, o primeiro cabo
Gabriel Telo, na Capela do Monumento ao Combatente, na
Mata da Nazaré.
Apoiada pelas duas filhas, Maria João e Gabriela, Flora
Telo caminhou vagarosamente em direcção à pequena urna.
Não estava a mais de dois metros de distância, mas o
esforço foi grande para esta mulher, ainda a recuperar
da operação aos joelhos.
Pousou as mãos sobre a urna como quem afaga um bebé e,
com os olhos molhados, beijou-a. «Filho, a mãe está
aqui», disse uma e outra vez, por entre os soluços do
choro.
Dentro e fora da sala do Monumento ao Combatente o
silêncio era total. Por entre dezenas de pessoas
presentes na homenagem, apenas as palavras de Flora se
ouviam. «A mãe está aqui.» A emoção era forte.
O reencontro acontecia. Trinta e seis anos depois.
Não era só Flora Telo que tinha os olhos vermelhos e
cheios de lágrimas. As filhas também não conseguiam
conter os sentimentos.
«Sinto uma grande emoção por ficar próxima dos restos
mortais do meu irmão. Sei que ele já estará no céu, mas
aqui o que desejávamos era fazer-lhe um funeral digno. E
é o que estamos preparando», disse Gabriela Telo, irmã
do antigo soldado, dois anos mais nova, e o elemento da
família com quem as entidades militares contactaram ao
longo do processo de transladação.
Gabriela confessou ontem que durante os três anos em que
aguardou pela chegada do irmão teve momentos
de desespero e chegou até a perguntar aos militares
responsáveis se «estavam a brincar com os sentimentos
das pessoas». Explicavam-lhe que o processo era complexo
e moroso e apelavam à paciência da família. A ansiedade
foi sendo controlada. «Até que hoje chegou o dia. É uma
grande satisfação», diz, por entre lágrimas.
Maria João, irmã mais nova, sentia ontem um misto de
emoções. Estava alegre pela chegada das ossadas, mas
triste por esse momento trazer de novo toda a dor.
Gabriel Telo sucumbiu em 25 de Maio de 1963, na
sequência da explosão de um engenho detonado pelo
inimigo, em Guidaje, na Província da Guiné, durante a
Guerra do Ultramar.
O primeiro cabo Telo pertenceu a um grupo de onze
soldados que morreram na guerra e que foram enterrados
na mesma zona, apesar de terem sucumbido em momentos
diferentes. Entre eles estavam três pára-quedistas. E, a
bem da verdade, foi por causa dos três elementos desta
força especial que as ossadas do cabo Telo, natural do
Paul do Mar, chegaram agora à Madeira.
Os pára-quedistas têm o lema de que “Ninguém fica para
trás” e, durante mais de trinta anos, não desistiram até
que trouxessem os três «únicos» que não tinham
regressado a Portugal. Agora, finalmente, chegaram.
Numa acção de solidariedade, a União dos Pára-quedistas
estendeu o mão e trouxe os outros militares que estavam
juntos aos pára-quedistas. Mas só os que as respectivas
famílias quiseram. Algumas optaram por não voltar a
abrir a dor da perda de um ente querido. Uma delas foi a
família de Câmara de Lobos, do soldado João Nunes
Ferreira.
A chegada dos restos mortais de Gabriel Telo representa
o encerramento de um capítulo com mais de três décadas e
que nos últimos três anos obrigou a um enorme esforço
logístico, com o início do processo no terreno. O
sucesso desta operação decorre da ajuda de várias
instituições, com particular mérito para a União dos
Pára-quedistas, que foi quem desencadeou todo este
processo.
A ligação à Madeira foi feita, sobretudo, com a
organização do Monumento ao Combatente, liderada pelo
coronel Morna Nascimento.
Ontem, na homenagem feita ao cabo Telo, Morna Nascimento
dizia que agora é chegado o tempo de alertar o país para
a obrigação de o Governo da República custear as
transladações dos portugueses que morreram na guerra e
por lá ficaram.
Alberto Pita
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Fonte:
http://www.dnoticias.pt/Default.aspx?file_id=dn04010203211109
O funeral 35
anos depois
Segundo as
listagens, morreram quase 200
madeirenses no ultramar
Diário de
Notícias Funchal Data: 21-11-2009
O
primeiro cabo Gabriel Ferreira Telo,
cujo funeral se realiza amanhã, 35 anos
após a morte em combate,
era o segundo de cinco irmãos, dos quais
três rapazes e duas raparigas. Tanto
ele, como o mais velho, jogavam no Clube
Futebol União. Ambos foram chamados para
a guerra.
Maria Gabriela Telo é exactamente dois
anos mais nova. Daí a escolha do nome. É
ela quem nos abre a porta, no Paul do
Mar, para reviver as memórias do irmão.
E é também ela que nos conta que Gabriel
Ferreira Telo esteve quase a não ir à
guerra. "Como jogava no Clube Futebol
União, o clube pagou a um rapaz para ir
no lugar do mais velho e também tinha já
um escolhido para ir no lugar dele",
recorda Gabriela Telo. Contudo, essa
pessoa também foi chamada a prestar
serviço e Gabriel teve de avançar.
Partiu para a Guiné em Junho de 1971 na
Companhia de Caçadores n.º 3518, do
Batalhão de Infantaria n. 19, do
Funchal. Tinha na altura 21 anos.
No ano seguinte, Gabriel Telo voltou à
Madeira de férias. Ficou um mês. A irmã
lembra-se ainda das primeira palavras,
ao entrar em casa: "Aqui sinto-me muito
bem". Essa foi a última vez que o viu.
O primeiro cabo voltou para a Guiné, mas
levou com ele roupa para os "pretinhos".
"Ele era uma pessoa muito humana". Era
também "muito amigo de casa" e "vaidoso,
gostava de andar aprumado", lembra
Gabriela Telo.
Na Guiné, o primeiro cabo completou
praticamente a comissão de serviço.
Estava já na cidade quando a sua
companhia teve de voltar ao mato devido
ao cerco à guarnição de Guidage, em Maio
de 1973. A guarnição encontrava-se sem
mantimentos e sem munições, pelo que a
Companhia de Caçadores n.º 3518 foi
nomeada para fazer parte da escolta de
uma coluna a Guidage. Conseguiu romper o
cerco, mas durante a sua estada sofreu
vários bombardeamentos. Num deles,
Gabriel Telo foi ferido num braço e,
segundo a irmã, acabou por falecer, por
falta de assistência médica, a 25 de
Maio.
Os que sobreviveram ao ataque acabaram
por enterrar os mortos nesse mesmo
local.
A notícia chegou à família através de
telegrama, enviado para a Fajã de
Ovelha. Gabriela Telo lembra-se que
estava sozinha em casa quando um rapaz
veio chamá-la para atender o telefone na
mercearia. Ali, foi-lhe dito que teria
de levantar um telegrama na Fajã. Sem
meios de deslocação ainda insistiu para
que lhe revelassem o conteúdo, mas
recusaram-lhe o pedido. Nessa altura,
começou a suspeitar de que algo teria
acontecido ao irmão. "O próprio carteiro
não quis trazer (o telegrama), por isso
era preciso alguém que o fosse buscar".
Entretanto, passou um carro que ia para
a Fajã de Ovelha, mas poucos metros
depois encontrou o irmão mais novo e foi
ele quem foi buscar o documento.
A preocupação de Gabriela Telo era com a
mãe. "Não queria que ninguém lhe
dissesse nada, como se eu pudesse
esconder aquilo." Com medo que as forças
lhe faltassem, pediu às amigas para que
fossem a casa para ajudá-la a amparar a
mãe na hora de revelar a notícia.
Alguns tempos mais tarde, chegou a mala
com os pertences do irmão. "Eu mexia nas
coisinhas dele e parece que estava
tocando nele", recorda Gabriela Telo. "A
minha mãe depois não queria sair. Aquilo
foi muito duro".
A recuperação dos restos mortais de
Gabriel Telo só foi possível graças a
uma missão da Liga dos Combatentes,
constituída por elementos da União
Portuguesa de Pára-quedistas, já que
entre os mortos estavam três elementos
da UPP. O resgate foi possível através
de um mapa desenhado na altura pelo
coronel Luciano Dinis.
Amanhã, a família vai finalmente poder
realizar a cerimónia fúnebre, o que,
para Gabriela Telo, representa um certo
alívio. "A tristeza maior foi a notícia
da morte. Agora, é como se estivéssemos
a fazer-lhe uma homenagem. Era aquilo
que ele deveria ter há anos, o funeral,
e que agora vai ter".
Cerimónia fúnebre
Os restos mortais do primeiro cabo
Gabriel Ferreira Telo chegam hoje à
Madeira.
A urna será transportada para o
Monumento ao Combatente Madeirense no
Ultramar, na Nazaré, onde ficará em
câmara ardente ao longo da noite, no
interior da capela.
Amanhã, pelas 9h30, está marcada a saída
do cortejo fúnebre da Nazaré com destino
ao Paul do Mar. Naquela freguesia, será
realizada uma missa, pelas 11 horas, e,
uma hora depois, terá lugar o funeral,
apeado, com destino ao cemitério local,
com direito a honras militares.
Gabriel Telo será sepultado no mesmo
local onde o pai foi a enterrar, a
pedido da família.
Sílvia Ornelas
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Fonte:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=14&id=138619&sdata=2009-11-21
Jornal da Madeira / Região / 2009-11-21
Restos mortais do combatente madeirense
ficarão de hoje para amanhã na Nazaré
Vigília pelo 1.º
cabo Telo
Os
restos mortais do 1.º Cabo Gabriel
Ferreira Telo, que faleceu na Guiné em
Maio de 1973, chegam hoje à Região. A
urna, com as ossadas, será levada para o
Monumento ao Combatente Madeirense no
Ultramar, onde ficará em câmara ardente
na capela daquele espaço, situado no
complexo habitacional da Nazaré.
Amanhã, às 9h30, iniciar-se-á o cortejo
fúnebre da Nazaré com destino à Igreja
matriz do Paul do Mar, onde será
celebrada uma missa às 11h00. O funeral,
apeado, será pelas 12h00, com destino ao
cemitério local, com honras militares.
Numa nota enviada, à nossa redacção,
pela comissão organizadora do Monumento
ao Combatente Madeirense no Ultramar, é
referido que este combatente, que
faleceu na Guiné, recorda que Gabriel
Telo «embarcou para a Guiné em Junho de
1971. Pertencia à Companhia de Caçadores
n.º 3518 do Batalhão de Infantaria n.º
19, do Funchal», na altura com 21 anos.
A poucos dias do final da comissão de
serviço, recorda o documento, «ocorre o
cerco à guarnição de Guidage, em Maio de
1973. A guarnição estava já sem
mantimentos nem munições».
Tal como refere a mesma fonte, a
companhia n.º 3518, constituída por
madeirenses, foi nomeada para fazer
parte da escolta de uma coluna a Guidage.
E conseguiu romper o cerco. Durante a
sua estadia em Guidage, a companhia
sofreu vários bombardeamentos. Num
deles, uma granada provocou a morte de
Gabriel Telo.
Tal como se pode ler na nota
informativa, «apenas em 2008 foi
possível proceder à exumação dos restos
mortais de dez militares que ali tiveram
de ser inumados devido ao cerco. Um
deles era Gabriel Telo. Este trabalho
foi feito por uma missão da Liga dos
Combatentes, cuja equipa de missão era
constituída por elementos da União
Portuguesa de Pára-quedistas, muito
interessada nesta acção, porque entre as
ossadas a recolher estavam as de três
pára-quedistas também mortos na operação
de socorro a Guidage».
Feita a exumação, as ossadas ficariam,
para sempre, no cemitério de Bissau. Diz
o documento que «o Estado português não
as devolve às respectivas famílias, no
caso destas desejarem tê-las junto de
si, excepto se elas pagarem todas as
despesas que isso implica, o que é
incomportável para a esmagadora
maioria».
Refere ainda a nota informativa que «o
Estado português, que lhe tirou os
filhos para combaterem em África, onde
morreram ao serviço, não suporta os
custos da sua trasladação para Portugal,
bem como os seus funerais, caso os
pretendam ter junto de si».
Mas, refere também o documento, os
pára-quedistas mostraram-se sempre
firmes no seu desejo de trazer as
ossadas para Portugal. E foi devido a
essa persistência que os restos mortais
de Gabriel Telo regressam ao Paul do Mar
«e dar uma consolação a sua mãe, irmãs e
outros familiares que o aguardaram 35
anos».
A Comissão Organizadora do Movimento ao
Combatente Madeirense no Ultramar não
deixa de salientar, além da União
Portuguesa de Pára-quedistas, a
colaboração imprescindível de várias
entidades para que esta missão se
concretizasse, nomeadamente, a TAP – Air
Portugal, a Associação de Empresas
Lutuosas, bem como o Chefe do Estado
Maior.
Por fim, a Comissão Organizadora do
Movimento ao Combatente Madeirense no
Ultramar aproveita esta oportunidade
para convidar «todos os combatentes,
familiares e demais população a
comungarem nesta homenagem,
incorporando-se nas cerimónias de
evocação dos militares que ainda se
encontram sepultados em África».
Marsílio Aguiar
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in:
Jornal da Madeira
03 de Novembro de
2009
O 1.º Cabo madeirense
que estava sepultado na Guiné
Corpo de Telo na Região no dia 21
O corpo de um dos
dois madeirenses que estavam sepultados na província de
Guidaje, na Província da
Guiné, precisamente o do 1.º Cabo Telo, deverá chegar à
Região no dia 21, ficando em vigília no Monumento do
Combatente Madeirense. As cerimónias fúnebres estão
previstas para o dia 22 no cemitério do Paul do Mar, de
onde era natural.
Os corpos dos
militares que se encontravam enterrados na Guiné e que
foram exumados e transladados por uma equipa de
pára-quedistas para Portugal, já estão identificados.
Entre eles estão também dois madeirense, um dos quais, o
1.º Cabo Telo, cujos restos mortais deverão chegar à
Região no dia 21 deste mês.
De acordo com Ramiro Morna, os restos mortais do 1.º
Cabo Telo, natural da freguesia do Paul do Mar — e sobre
o qual o JORNAL da MADEIRA fez uma reportagem, no ano
passado, dando conta da sua origem e dos familiares que
ficaram —, deverão ficar em vigília no Monumento ao
Combatente Madeirense, situado na Nazaré.
Ramiro Morna, que falava à margem de uma cerimónia de
homenagem aos combatentes madeirenses realizada, ontem à
tarde, junto ao monumento eregido em memória dos mesmos,
disse que os restos mortais deverão ser levados, no dia
22, para o Paul do Mar, onde decorrerão as cerimónias
fúnebres.
Sobre a cerimónia de ontem, Ramiro Morna recordou que
este é um acto que vem sendo realizado desde 2003,
altura em que foi inaugurado o Monumento ao Combatente
Madeirense, sendo esta uma forma de, em seu entender,
recordar os mortos, quer aqueles que perderam a vida em
combate, quer os que partiram por motivo de doença.
Para este membro da Comissão do Monumento ao Combatente
Madeirense, trata-se de uma forma de «recordar os nossos
mortos e também de chamar a atenção do país, porque o
país quis esquecer os seus combatentes — os maus
portugueses quiseram esquecer os combatentes —. E este é
um aviso aos maus portugueses que quiseram esquecer os
combatentes: a história não os esquece».
Marsílio Aguiar
Fonte:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=17&id=137152&sdata=2009-11-03
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in
NetMadeira:
Notícia 03/11/2009,
03:00
[...] no dia 22 de Novembro será
realizada uma cerimónia ao
"soldado esquecido". Nesse dia,
será celebrado o funeral de um
madeirense que morreu na Guiné,
cujas ossadas serão enviadas
para a Madeira.
Trata-se de um combatente do
Paul do Mar que foi enterrado na
Guiné e cujos restos mortais
chegam à Região ao fim de 37
anos. O resgate foi feito pelos
pára-quedista, numa missão que
teve por finalidade resgatar
também alguns dos pára-quedistas
que foram sepultados na mesma
vala.
Os restos mortais do soldado
madeirense chegam no dia 21 de
Novembro à noite e ficam em
vigília junto ao monumento aos
combatentes do Ultramar. No dia
seguinte, seguem para o Paul do
Mar para que seja realizado o
funeral. [...]
Fonte:
http://www.netmadeira.com/noticias/madeira/2009/11/3/ex-combatentes-lembram-os-mortos-e-os-esquecidos-do-ultramar
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