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Monumentos aos Combatentes e Campas

(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos combatentes)

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Benavente

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Benavente

 

 

Benavente

 

António Domingos Borges da Raquel

 

Soldado de Infantaria n.º 255/64

 

Companhia de Caçadores 687

«OS MORCEGOS»

«...DA NOITE A FAMA»

 

Moçambique: 19Nov1964 a 10Abr1966 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 2.ª Classe (Título Póstumo)

In Memoriam e Homenagem

Soldado de Infantaria António Domingos Borges da Raquel

(10 de Abril de 1966)

Companhia de Caçadores n.º 687 - Regimento de Infantaria n.º 1

A Memória e o Sacrifício Supremo

Natural de Benavente, filho de António Domingos da Raquel e de Laura Perpétua, o Soldado Atirador António Domingos Borges da Raquel (n.º de identificação militar 255/64 / 02581464) personifica a coragem, o cumprimento escrupuloso do dever e a abnegação suprema da juventude portuguesa que serviu no Ultramar.

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria n.º 1 (Amadora) para integrar a Companhia de Caçadores n.º 687, partiu de Lisboa a 21 de Outubro de 1964 a bordo do Navio de Transporte de Tropas (NTT) Quanza.

Após quase um mês de navegação, desembarcou no porto de Nacala, na Província do Ultramar de Moçambique, a 19 de Novembro de 1964. Vinha pronto para cumprir a sua missão sob as insígnias e o espírito da sua unidade: a figura tutelar do morcego — símbolo da vigilância, do combate nas sombras e do destorço nas operações mais difíceis —, a divisa operacional "Ubi Glória Omne Periculum Dolce" (Onde Haja Glória Todo o Perigo é Doce) e o lema cravado no seu distintivo: "...Da Noite a Fama".

O Percurso Operacional

Integrava uma unidade comandada pelo Capitão de Infantaria João Manuel da Fonseca Inácio, submetida a uma exigente e rigorosa atividade operacional ao longo de extensos setores do território moçambicano.

O Soldado Borges da Raquel participou activamente nas difíceis campanhas e operações da sua Companhia em Acalama, Nachomba, Mocímboa da Praia, Fazenda Dias dos Santos (Nambude), bem como nas marcantes ações "Escaravelho" (junto ao rio Messalo) e no bloqueio das travessias inimigas nas margens dos rios Sinheu, Nango, N'Guri, Muera e Messalo.

O Acto de Heroísmo: 9 de Abril de 1966

Foi no teatro de operações do norte de Moçambique que a bravura do Soldado Borges da Raquel honrou até às últimas consequências o lema da CCac687, alcançando na penumbra do combate a fama eterna.

No dia 9 de Abril de 1966, a cerca de 10 quilómetros da Missão de Mussumba, o Grupo de Combate onde se encontrava integrado caiu numa emboscada armada por um poderoso grupo inimigo composto por cerca de 30 elementos, fortemente municiados com espingardas automáticas, semi-automáticas e granadas de mão, posicionados a escassos 5 metros do trilho.

Nesse momento crítico, em que a sua unidade e, em particular, o seu Comandante de Companhia se encontravam sob o efeito de intensos fogos adversários, o Soldado Borges da Raquel agiu com sobriedade e coragem ímpares:

"...pela coragem, sangue-frio e decisão com que (...) ripostou ao fogo dum poderoso grupo (...) procurando proteger o seu Comandante de Companhia (...). Indiferente ao perigo que ele próprio corria, demonstrou uma perfeita e completa noção do dever e uma serena energia debaixo de fogo, até que foi atingido mortalmente por uma rajada do Inimigo."

(Excerto da citação do Louvor póstumo, publicado na OS n.º 26 de 13Jul66 do QG/RMM e OS n.º 16 de 04Nov66 do CCFAM)

Faleceu no dia seguinte, 10 de Abril de 1966, em consequência dos graves ferimentos sofridos em combate. Contava apenas com o estado civil de solteiro quando entregou a sua jovem vida pela camaradagem e pela pátria.

Reconhecimento e Condecoração Póstuma

Por Portaria de 3 de Março de 1967 (publicada na Ordem do Exército n.º 10 — 3.ª série, de 1967), o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, concedeu-lhe a título póstumo a Cruz de Guerra de 2.ª Classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar.

A citação oficial imortalizou os seus atributos cívicos e militares:

  • Disciplina e Devoção: Pela forma exemplar como serviu os seus superiores e protegeu os seus camaradas;

  • Decisão e Coragem: Pela serenidade e sangue-frio demonstrados sob intenso fogo direto de emboscada.

Homenagem Eterna

O corpo do Soldado António Domingos Borges da Raquel repousa no Cemitério de Benavente, sua terra natal, para onde regressou após ter prestado o sacrifício supremo a milhares de quilómetros de casa.

A sua memória perdura entre os seus familiares, os companheiros da Companhia de Caçadores 687 e todos aqueles que honram a história, o valor e a entrega dos soldados portugueses.

Honra à sua Memória! Paz á sua Alma.

 

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