1.° Cabo de Cavalaria, n.º
00385567
FERNANDO CÂNDIDO DE JESUS
CCav1773/BCav1927 — RC3
ANGOLA
4.ª CLASSE
Transcrição do Despacho publicado
na OE n.º 20 — 3.ª série de 1968.
Agraciado com a Cruz de Guerra de
4.ª classe, nos termos do artigo
12.º do Regulamento da Medalha
Militar, promulgado pelo Decreto n.º
35 667, de 28 de Maio de 1946, por
despacho do Comandante-Chefe das
Forças Armadas de Angola, de 18 de
Maio último, o 1.º Cabo n.º
00385567, Fernando Cândido de Jesus,
da Companhia de Cavalaria n.º
1773/Batalhão de Cavalaria n.º 1927
— Regimento de Cavalaria n.º 3.
Transcrição do louvor que
originou a condecoração.
(Publicado na OS n.º 34, de 26 de
Abril de 1968, do Quartel General da
Região Militar de Angola (QG/RMA):
Louvado o 1.º Cabo n.º 00385567,
Fernando Cândido de Jesus, da
Companhia de Cavalaria n.º
1773/Batalhão de Cavalaria n.º 1927
— Regimento de Cavalaria n.º 3,
porque, durante a emboscada em que
caiu a coluna de que fazia parte,
deu provas de excepcional coragem e
notável serenidade debaixo de fogo.
Verificando, mal se instalaram num
abrigo, que grande parte dos seus
camaradas estavam impossibilitados
de reagir por terem sido atingidos
pelo fogo inimigo, ou por as suas
armas não funcionarem,
audaciosamente abriu intenso fogo
impossibilitando assim o grupo de
assalto do inimigo de atingir os
seus fins e abatendo os terroristas
que, armados, procuravam acabar com
um soldado que, gravemente ferido,
pedia ajuda.
Mantendo um sangue-frio
extraordinário e uma atenção
concentrada, foi ainda o 1.º Cabo
Cândido de Jesus quem protegeu com o
seu fogo o seu comandante de Secção,
a quem se lhe encravara a arma e num
gesto de extraordinária abnegação,
progredindo e mantendo-se debaixo de
fogo, alcançou o soldado gravemente
ferido, que já salvara da acção do
inimigo, para lhe aplicar com o seu
lenço um garrote até à chegada dos
enfermeiros.
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Jornal do Exército, ed. 137,
pág. 25, de Maio de 1971
1.º CABO FERNANDO CÂNDIDO DE JESUS
MEDALHA DA CRUZ DE GUERRA DE 4.ª
CLASSE
O 1.º Cabo Fernando Cândido de Jesus
foi condecorado com a medalha da
Cruz de Guerra de 4.ª classe, «pela
excepcional coragem e serenidade que
revelou em Angola, durante uma
emboscada em que caiu a coluna de
que fazia parte, verificando, ao
abrigar-se, que grande parte dos
camaradas estavam impossibilitados
de reagir por terem sido atingidos
ou por as suas armas não
funcionarem, audaciosamente se
descobriu e abriu fogo intenso,
impossibilitando, assim, o grupo de
assalto do inimigo de atingir os
seus fins, e abateu os terroristas
que, armados de catana, procuravam
acabar com um soldado que,
gravemente ferido, pedia ajuda.
Foi ainda o 1.º cabo Cândido de
Jesus quem protegeu pelo fogo o seu
comandante de secção a quem se
encravou a arma. Progredindo e
mantendo-se debaixo de fogo,
alcançou o soldado ferido que já
salvara anteriormente, para lhe
aplicar um garrote com o seu lenço
até à chegada dos enfermeiros».

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Batalhão de Cavalaria N.º 1927
Identificação:
BCav1927
Unidade
Mobilizadora:
Regimento de Cavalaria 3
(RC3 — Estremoz)
Comandante:
Tenente-Coronel de
Cavalaria João Gualberto de Abreu de
Barros e Cunha
Tenente-Coronel de Cavalaria Joaquim
Maria Facco Viana Barreto
2.º
Comandante:
Major de Cavalaria
Francisco Rodolfo Pereira de Santos
Oliveira
Oficial de
Informações e Operações / Adjunto:
Major de Cavalaria César
Augusto Rodrigo Mano
Comandantes de Companhia:
Companhia
de Comando e Serviços (CCS):
Capitão de Cavalaria João
Luís Laia Nogueira Mendes Paulo
Capitão de Cavalaria João Luís da
Costa Estorninho
Companhia
de Cavalaria 1772 (CCav1772):
Capitão Mil.º de
Infantaria Ricardo António
Figueiredo Alçada
Capitão Mil.º Paulo de Oliveira
Assunção

Companhia
de Cavalaria 1773 (CCav1773):
Capitão de Cavalaria José
Miguel Cabedo de Vasconcelos
Companhia
de Cavalaria 1774 (CCav1774):
Capitão de Cavalaria João
Luís da Costa Estorninho
Capitão de Cavalaria Alexandre Beato
Correia
Divisa:
«...NA GUERRA CONDUTA
MAIS BRILHANTE»
Partida:
Embarque no dia 14 de
Novembro de 1967, no NTT «Uíge»;
desembarque em Luanda no dia 28 de
Novembro de 1967.
Regresso:
Embarque no dia 16 de
Dezembro de 1969, no NTT «Niassa»;
desembarque em Lisboa no dia 28 de
Dezembro de 1969.
Síntese da
Actividade Operacional
O Batalhão de Cavalaria
1927 (BCav1927) foi destinado ao
subsector de General
Freire/Nambuangongo, no Sector
Meridional da Área Militar 1 (AM1,
onde rendeu o Batalhão de Caçadores
1898 (BCac1898), em 7 de Dezembro de
1967.
O Comando, Companhia de Comando e
Serviços (CCS) e Companhia de
Cavalaria 1774 (CCav1774) ficaram
instalados em General Freire, a
Companhia de Cavalaria 1773
(CCav1773) estacionou em Beira Baixa
e a
Companhia de Cavalaria 1772
(CCav1772) no Quixico;
Como reforços, o Batalhão de
Cavalaria 1927 (BCav1927)dispôs da
Companhia de Caçadores 1476
(CCac1476) e depois da Companhia de
Caçadores 1733 (CCac1733) em Micula,
da Companhia de Cavalaria 1695
(CCav1695) e
Companhia de Cavalaria 2441
(CCav2441), esta a partir de
Novembro de 1968, em Quipedro e da
Companhia de Caçadores 1204 do
Regimento de Infantaria 21
(CCac1204/RI21, da Guarnição
Normal)
em Lifune Tari, Fazenda Sande e
Fazenda Três Marias; como apoios de
fogos, tinha o
Pelotão de Morteiros 2033
(PelMort2033) e depois o Pelotão de
Morteiros 1236 (PelMort1236), em
Nambuangongo e as
Baterias de Artilharia 514 e 567
(BtrArt514 e BtrArt567), à ordem do
Comando Sector (ComSec),
distribuídas por 6 posições; ainda o
recém-formado
Grupo Especial 200 (GE200) reforçou
o Batalhão de Cavalaria 1927
(BCav1927).
A Zona de Acção — objecto do máximo
empenhamento da guerrilha — era
muito difícil, dado que o inimigo
era organizado, bem armado e
municiado; flagelava estacionamentos
das Nossas Tropas, implantava
engenhos ACar (anti-carro) Apes (anti-pessoal)
e, por vezes, com grande poder de
fogo, emboscava colunas, como em 5
de Janeiro de 1968 e 17 de Junho de
1968; visava especialmente fazendas
em laboração e reagia às nossas
penetrações com extraordinário
vigor, como, quando, em 2, 3 e 4 de
Janeiro de 1969, emboscou
simultaneamente, vários Grupos de
Combate e veio nessa operação a
executar 22 flagelações sobre as
Nossas Tropas.
Entretanto, uma pertinaz actividade
operacional levou à destruição de
várias instalações inimigas, à
captura de armamento e munições e à
produção de sensíveis baixas, como
nas operações:
"1.ª e 2.ª Dragoada",
"Anda Cá ",
"Teresa com S",
"Bernarda",
"Vai Andando",
"Branco",
"Zacarias",
"Esperança",
"Inopinada",
"Jamor",
"Cliper" e ainda
"Mil e Vinte", esta executada fora
da Zona de Acção, no âmbito do
Comando Sector (ComSec).
Em 3 de Fevereiro de 1969, o
Batalhão de Cavalaria 1927
(BCav1927) foi rendido na Zona de
Acção pelo Batalhão de Caçadores
2859 (BCac2859) e marchou para o
subsector de Catete, onde rendeu o
Batalhão de Caçadores 1901
(BCac1901), tendo assumido a
responsabilidade da Zona de Acção em
13 de Fevereiro de 1969.
O dispositivo foi o seguinte:
Comando e Companhia de Comando e
Serviços (CCS) em Catete, a
Companhia de Cavalaria 1772
(CCav1772) em Barraca, a
Companhia de Cavalaria 1773
(CCav1773) em Quifangondo e a
Companhia de Cavalaria 1774
(CCav1774) em Calomboloca e tinha
como reforço a
Companhia de Caçadores 103 do
Regimento de Infantaria 20
(CCac103/RI20 – da Guarnição Normal)
em Cabo Ledo, havendo destacamentos
das subunidades em Maria Teresa e
Bom Jesus.
Nesta Zona de Acção, de especial
melindre, o Batalhão de Cavalaria
1927 (BCav1927) desenvolveu
permanente actividade de
patrulhamento e pesquisa de notícias
sobre o inimigo, que se mostrava
pouco agressivo e mais empenhado em
obter, ou manter, a colaboração da
população.
Entretanto, as Nossas Tropas
registaram alguns êxitos
operacionais, destacando-se os
obtidos nas operações
"Onça 1 e 2" e
"Diapasão".
Em 25 de Novembro de 1969, o
Batalhão de Cavalaria 1927
(BCav1927) foi rendido na Zona de
Acção pelo Batalhão de Cavalaria
2854 (BCav2854).
