Luís António Sampaio
Tinoco de Faria, Major Pára-Quedista
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
Tropas
Pára-Quedistas
|
HONRA E GLÓRIA |
Elementos cedidos por um
colaborador do portal UTW
|
Capitão
Pára-Quedista
Luís António
Sampaio Tinoco de
Faria
Cruz de
Guerra de 1.ª classe
Promovido a
Major por distinção, a título póstumo, no dia 22
de Dezembro de 1966
Luís António
Sampaio Tinoco de
Faria,
Capitão Pára-Quedista, titular do brevet n.º 13,
nascido no dia 12 de Janeiro de 1927, na
freguesia de São Victor, concelho e distrito de
Braga.

Incorporado
no dia 9 de Agosto de 1950, na Escola Prática de
Infantaria (EPI - Mafra).

Em 1955, termina o Curso de Pára-quedismo na
Escuela Militar de Paracaidista, em Espanha.
Em
Março de 1956, como Alferes, ingressa nas Tropas
Pára-Quedistas.

Frequenta
a Escola do
Exército no período de 1958 a 1962 e
em 19863 é colocado no Regimento de Caçadores
Pára-Quedistas (RCP - Tancos).
Mobilizado
para servir Portugal na Província Ultramarina da
Guiné, embarca no dia 30 de Junho de 1964 com
destino à Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné
«ESFORÇO E VALOR».

Faleceu, no dia 28 de Abril de 1966, pelas
12H10, vítima de ferimentos em combte, no
decorrer da operação «GRIFO», ocorrida em Mejo,
corredor de Guileje.
Tinha 39 anos de
idade.
Louvado e condecorado, a título póstumo, pelo
Secretário de Estado da Aeronáutica, com a
Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª classe, por
Portaria de 18 de Outubro de 1966.
Promovido a Major por distinção, a título
póstuma, em 22 de Dezembro de 1966
Está inumado no cemitério da freguesia e
concelho de Póvoa do Lanhoso, distrito de Braga.
Paz à sua Alma
---------------------------------------------------------------
Cruz de
Guerra de 1.ª classe
MAJOR
PÁRA-QUEDISTA
LUÍS ANTÓNIO SAMPAIO TINOCO DE FARIA
Pelas 00H30 do dia 28 de Abril de 1966, saiu do
aquartelamento do Mejo um pelotão de
pára-quedistas comandado pelo alferes Ferreira
da Silva e integrando o capitão Tinoco de Faria,
com a sua presença, o capitão pretendia incutir
confiança àquele grupo de homens que, embora
sabendo ser o inimigo mais numeroso e bem
armado, seguiam o seu comandante sem hesitação.
Pelas 05H00, o pelotão estava emboscado num
terreno levemente inclinado, oferecendo bons
abrigos, embora pouco arborizado.
Às 10H00 ouviram-se rajadas de armas
automáticas, a cerca de cinco quilómetros de
distância. Depois, à medida que se aproximava da
posição ocupada pelos pára-quedistas, o inimigo
abria espaçadamente fogo de reconhecimento.
As nossas tropas aguardavam em silêncio a
passagem dos homens do PAIGC. Finalmente, uma
guarda avançada de dez guerrilheiros entravam na
«zona de morte»; os restantes, cerca de 60,
seguiam-nos um pouco atrás.
De súbito, os guerrilheiros da vanguarda
tentaram recuar, um cão que seguia à frente
deles pressentira a emboscada e tinha dado o
alarme. De imediato, as nossas tropas abriram
fogo, abatendo 7 elementos inimigos. A reacção
foi incrivelmente rápida e com grande potencial
de fogo em tiro rasante, tendo um dos três
sobreviventes da «zona de morte», atingido o
capitão Tinoco de Faria. Este tentou mudar de
posição, mas foi novamente baleado com
gravidade. Alguns segundos depois foram abatidos
os três guerrilheiros que, caídos na «zona de
morte», tentavam bater em bater em retirada. Os
sobreviventes do grupo inimigo tinham entretanto
desencadeado violento ataque com metralhadoras
pesadas, morteiros e armas ligeiras, que durou
45 minutos. Reagindo energicamente, o pelotão
obrigou o inimigo a retirar para posições mais
seguras, e aproveitou a pausa para transportar o
ferido para um local onde fosse possível a sua
evacuação. Apesar de prontamente socorrido, o
estado do capitão Tinoco de Faria inspirava
sérios cuidados. O inimigo mudou então de
táctica, passando a seguir as nossas tropas e
flagelando-as à distância. O pelotão ia
respondendo ao fogo, continuando a sua marcha em
direcção ao rio Tenhege; transposto este, o
perigo diminuiria e seria possível a evacuação
do ferido, cujo estado de saúde se agravava a
olhos vistos.
Pelas 12H00, tendo terminado a transposição do
rio Tenhege, o pelotão sofreu novo ataque dum
grupo de 20 elementos emboscados no interior
duma mata próxima. O tiroteio foi, uma vez mais,
violento, e 2 guerrilheiros foram imediatamente
abatidos, por seu lado, o apontador da
metralhadora MG-42 atingiu mortalmente mais 2
elementos inimigos, e o operador do
lança-roquetes abateu ainda outros 2 homens do
PAIGC que se abrigavam atrás dum morro de «baga-baga».
Como consequência, o inimigo retirou,
definitivamente, com pesadas baixas.
Entretanto, o estado de saúde agravou-se de
maneira irrecuperável. Pelas 12H10, e apesar dos
desesperados esforço do enfermeiro do pelotão, a
forte hemorragia interna causada pelas balas
inimigas provoca a sua morte.
Gabinete
do Secretário de Estado da Aeronáutica
Por Portaria
de 18 de Outubro de 1966
Louvado, a título póstumo, o capitão
pára-quedista Luís António Sampaio Tinoco de
Faria, do Comando da Zona Aérea de Cabo Verde e
Guiné, pelas extraordinárias qualidades de chefe
militar de que deu provas durante o período em
que comandou a Companhia de Caçadores
Pára-Quedistas da Base Aérea n.º 12.
Chamado ao desempenho destas funções, revelou-se
possuidor de virtudes raras de dedicação ao
serviço, competência, entusiasmo e espírito de
sacrifício, orientando e acompanhando
pessoalmente a actividade operacional, trouxe a
esta o impulso de vontade forte de um chefe à
altura das situações mais difíceis. O capitão
Tinoco de Faria, não se poupando a esforços,
soube incutir no seu pessoal o espírito de
decisão e determinação invulgares com que foram
marcadas as acções que comandou. A sua morte, no
campo da honra, ocupando a posição mais
arriscada e reivindicando para si próprio os
lugares de maior perigo, bem merece admiração e
respeito por inexcedível valentia e coragem. É
de assinalar a forma inexcedível como conduziu a
operação «Grifo», que planeou e iniciou e que
custou ao inimigo, muito superior em efectivos e
armamento, pesadas baixas.
Por Portaria de 18 de Outubro de 1966:
Condecorado, a título póstumo, com a Medalha da
Cruz de Guerra de 1.ª classe o capitão
pára-quedista Luís António Sampaio Tinoco de
Faria, do Comando da Zona Aérea de cabo Verde e
Guiné, por ter sido considerado nas condições
expressas no artigo 9.º e §§ 1.º e 4.º do artigo
10.º do Regulamento da Medalha Militar, aprovado
pelo Decreto n.º 35667, de 28 de Maio de 1946.

In
facebook:
Recorte do Jornal
Boina Verde de 1966, Capitão Tinoco de Faria
morto em combate na Guiné, durante a operação
"Grifo" em 28 de Abril de 1966, condecorado a
título póstumo com a medalha de Cruz de Guerra
de 1.ª classe, e promovido a Major também a
título póstumo.
Pedro Castanheira
«Aqueles
que por obras valerosas ...
CAPITÃO
PÁRA-QUEDISTA TINOCO DE FARIA
-
Brevetado em 1955, a sua BOINA VERDE tem a idade
das Tropas Pára-Quedistas Portuguesas.
- Espírito
humano, franco e irreverente. O seu optimismo
académico foi auxiliar precioso que lhe trouxe a
simpatia dos homens que comandou: a sua
competência profissional assegurou-lhe o
respeito devido ao chefe.
- Viveu
como Homem e como um poeta.
- Morreu,
na frente de terroristas, como combatente que
não recua: Como Pára-Quedista que soube merecer
a honra de comandar BOINAS VERDES.»
... se vão
da lei da morte libertando»

