|
GUINÉ - José Martins

José da
Silva Marcelino Martins
ex- Furriel Miliciano
de Transmissões de Infantaria
Companhia de
Caçadores 5
Nova Lamego e
Canjadude (Guiné 1968/1970)
josesmmartins@sapo.pt
|
 |
10Nov2018
Recordações de Guerra: Hino da Companhia de
Caçadores nº 5 da Guiné.
Foi criado em 1969 e
cantado até hoje, porque não esquecemos o nosso hino,
apesar de já terem passado 49 anos.
Houve ninhadas
sucessivas de Gatos Pretos, em Canjadude, até 20 de
Agosto de 1974. |
 |
Tenente-coronel Taveira Azevedo
Santo António
de Lisboa
Fernando Martim de
Bulhões e Taveira Azevedo, nasceu em Lisboa – presume-se
que na zona da Sé – filho de Martim de Bulhões e Maria
Teresa Taveira Azevedo, no dia 15 de Agosto de 1195
(data oficialmente reconhecida).
Em Portugal reinava
D. Sancho I (o Povoador - 2º Monarca Português –
1185/1211), e o país preparava-se para entrar no século
XIII. Estávamos na Baixa Idade Média. Lisboa expandia-se
para fora dos muros, começava a surgir uma nova classe
social formada pelos burgueses, e ainda se sentia o
Espírito das Cruzadas.
Começou a estudar nas
aulas ministradas na Igreja de Santa Maria Maior, hoje
Sé Catedral de Lisboa.
Cerca do ano de 1210
ou 1211, pela mão do prior D. Estêvão, ingressa como
noviço na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz de
Coimbra, que tinham uma das suas casas instalada no
Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa, um dos
centros mais importante de cultura medieval, à época,
onde realizou os estudos de Direito Canónico, Filosofia
e Teologia.
Mais tarde, em 1220,
com a chegada a Portugal dos corpos de cinco mártires
franciscanos, que tinham sido decapitados em Marrocos,
decide transferir-se para a Ordem de São Francisco,
recolhe-se no Eremitério dos Olivais, em Coimbra, e muda
o seu nome para António.
A seguir segue para
Marrocos onde, devido a doença grave, os Superiores da
Ordem decidem repatria-lo. Na viagem de regresso, por
força de uma tempestade, o barco é arrastado para as
costas da Sicília, onde acaba por ficar.
Continuando a sua
vocação evangelizadora, percorre várias localidades,
destacando-se Bolonha, Toulouse, Ferrara, Florença,
Varene, Bréscia, Milão, Verona e Nântua. Entretanto,
durante algum tempo, foi-lhe confiada a guarda do
Convento de Puy-e-Velay, da Província de Limoges e da
Província da Romanha, mas deixou, para se dedicar, em
exclusivo, à pregação. Pregou, em 1228, na Basílica de
São João de Latrão, em Roma, perante o Papa Gregório IX
(de seu nome Ugolino di Anagni, nasceu cerca do ano 1160
em Agnini e faleceu em Roma e 22 de Agosto de 1241 – o
seu Pontificado, o 179º, decorreu entre 1227 e 1241),
volta para Pádua onde, bastante doente, veio a falecer a
13 de Junho de 1231, tendo sido sepultado na Basílica de
Pádua.
O Papa Gregório IX,
antes de decorrido um ano após a sua morte, eleva-o à
honra dos altares, canonizando-o na Catedral de Espoleto
em Itália, no dia 30 de Maio de 1932, ficando conhecido
por Santo António de Pádua, por ter sido esta cidade que
acolheu as suas relíquias. Como nasceu em Lisboa, por
tradição, também é conhecido por Santo António de
Lisboa, sendo venerado não só na capital, mas em todo o
país e em quase todas as regiões do globo.
Em 1946, o Papa Pio
XII (de seu nome Eugénio Maria Giuseppe Giovani Paceli,
nasceu em Roma em 2 de Março de 1876 em Agnini e faleceu
em Roma e 9 de Outubro de 1958 – o seu Pontificado, o
261º, decorreu entre 1939 e 1958), pela Carta Apostólica
“Exulta Lusitanis Fidelis”proclama-o Doutor da
Igreja, considerando-o “exímio teólogo e insigne mestre
em matérias de ascética e mística).
A
sua festa religiosa comemora-se no dia 13 de Junho, com
liturgia própria.
Mas, na
realidade, depois de muito brevemente ter lembrado o
Frade e o Santo, vamos lembrar o militar.
Passou a
fazer parte do Exército Português, em 1665, a partir do
momento que é incorporado, por iniciativa de D. Afonso
VI (o Vitorioso - 23º Monarca Português – 1656/1683) que
o mandou “assentar praça” no 2º Regimento de Infantaria
de Lagos, sendo integrado nas forças que, comandadas
pelo marquês de Marialva, davam combate ao exército
espanhol comandado pelo marquês de Caracena. A
iniciativa deu resultado, tendo as tropas portuguesas
vencido os seus opositores.
O facto
curioso é de que, quase quatrocentos e trinta e cinco
anos após a sua morte, é incorporado como soldado
combatente e não como capelão ou “assistente
espiritual”, dada a religiosidade do Santo e a veneração
dos fieis.
No
reinado de D. Pedro II (o Pacífico - 24º Monarca
Português – 1683/1706) é promovido a Capitão e no
reinado de D. Maria I (a Piedosa - 27º Monarca Português
– 1777/1816), promovido a Tenente-coronel e condecorado
com a Medalha Cruz da Guerra Peninsular (*), a
título de recompensa pela vitória alcançada pelas tropas
luso-britânicas, na Batalha do Buçaco, travada em 27 de
Setembro de 1810, contra as tropas francesas de
Napoleão, sob o comando de André Massena. O soldo
vencido como militar, servia para ajudar os soldados
doentes.
Paralelamente no Brasil, ainda colónia portuguesa, José
de Souto Maior, Governador da Capitania de Pernambuco,
faz o Santo assentar praça nas milícias
luso-brasileiras, durante as lutas contra o Quilombo dos
Palmares (**).
Por carta
régia de 21 de Março de 1711, D. João V (o Magnânimo -
25º Monarca Português – 1706/1750), promove-o a Capitão
pelos relevantes serviços prestados sob o comando de
Francisco de Castro Morais, Governador da Capitania do
Rio de Janeiro, contra a invasão dos piratas de
Jean-François Duclerc.
O
Príncipe-regente D. João, já na Bahia, confere-lhe a
patente de Tenente-coronel, com o soldo correspondente
ao posto 80$000, até que em 1911, durante a presidência
do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (8º Presidente
do Brasil – 1910/1914), este deu indicação ao General
Emídio Dantas Barreto (ministro da Guerra entre
Novembro/1910 e Setembro/1911), para suspender o
pagamento do soldo ao Santo.
O
Tenente-coronel Santo António entra, com toda a certeza,
em outras guerras, batalhas e combates transportado, não
só no coração mas na mente de muitos combatentes que,
devotadamente, transportavam pequenas imagens no seu
espólio pessoal, em pagelas com orações votivas ou em
medalhas, presas no interior da sua farda, e benzidas
pelo pároco da freguesia.
José Marcelino
Martins
15 de Fevereiro de
2010
(*) Medalha Cruz
da Guerra Peninsular
-
A Cruz da Guerra
Peninsular foi uma condecoração, criada em 28 de
Junho de 1816, pelo rei D. João VI, para distinguir
os participantes nas campanhas da Guerra Peninsular
entre 1809 e 1814. As campanhas eram contadas por
anos, bastando ter participado numa batalha ou
combate, para contar como um ano,
-
Para
oficiais:
-
Ouro –
para os oficiais que participaram em quatro
ou mais campanhas,
-
Prata –
para oficiais que participaram até três
campanhas.
-
Para
sargentos e praças:
-
Em
18 de Maio de
1825, foi criada a Cruz da Guerra
peninsular para os empregados civis. Em prata
para até 2 campanhas, ou Ouro, para 3 ou mais.
(**) Quilombo -
Esconderijo no mato onde se refugiavam os escravos.
|