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Guimarães

Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas

 

Monumentos aos Combatentes e Campas

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Guimarães

 

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Guimarães

 

São Jorge de Selho

 

Jorge de Jesus Oliveira

 

1.º Cabo Atirador de Cavalaria

 

Companhia de Cavalaria 677

 

Guiné: 13Mai a 22Out1964 (data do falecimento)

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

1.º CABO ATIRADOR DE CAVALARIA

JORGE DE JESUS OLIVEIRA
N.º 1844/63 – Companhia de Cavalaria 677

Falecido em Combate em Tite, em 22 de Outubro de 1964

1. Identificação do Militar

Natural da freguesia de São Jorge de Selho, concelho de Guimarães, filho de Domingos de Oliveira e de Custódia Ferreira.

O 1.º Cabo Atirador de Cavalaria, n.º 1844/63, Jorge de Jesus Oliveira, solteiro, pertencia à Companhia de Cavalaria N.º 677. A sua unidade mobilizadora foi o Regimento de Cavalaria N.º 7, de Lisboa.

Faleceu em serviço de Portugal, no dia 22 de Outubro de 1964, no local de operações de Tite, na então Guiné Portuguesa, em consequência de ferimentos recebidos em combate.

Encontra-se sepultado no Cemitério de São Jorge de Selho, sua terra natal.

2. A Unidade Mobilizadora – O Regimento de Cavalaria 7

A Companhia de Cavalaria 677 foi mobilizada pelo Regimento de Cavalaria 7 (RC 7 – Ajuda), em Lisboa.

O RC7, com pergaminhos que remontam à fundação da Cavalaria Portuguesa, ostenta com honra a sua divisa latina «QUO TOTA VOGANT» – para onde todos vogam – e a designação histórica e popular de «REGIMENTO DO CAIS», nome que lhe ficou por ter sido, durante mais de um século, o Regimento de Embarque, aquartelado junto ao Tejo, de onde partiam as forças expedicionárias para o Ultramar. O seu brasão, com o elmo de cavaleiro coroado de plumas azuis e brancas e o número 7 em campo de azul, é símbolo dessa missão secular.

Foi desse Regimento, fiel à sua vocação, que saíram os homens da CCav 677 para servir Portugal na Guiné.

3. A Subunidade – Companhia de Cavalaria N.º 677

A CCav 677 é identificada nos arquivos militares como uma subunidade de intervenção, constituída e preparada para as exigentes condições de combate na Guiné.

O seu primeiro Comandante, que a organizou, instruiu e conduziu para o Teatro de Operações, foi o Capitão de Cavalaria António Luís Monteiro da Graça. Sucedeu-lhe no comando, já no decurso da comissão, o Capitão de Cavalaria Eurico António Sacavém da Fonseca, conforme consta da ficha de identificação da unidade.

O seu crachá, em fundo amarelo-ouro, mantém o brasão do RC7 – o elmo e o escudo com o «7» – ladeado pela divisa «REG. DO CAIS», com a legenda inferior «Guiné 1964-66», selando para sempre a sua ligação ao Regimento e à campanha.

4. A Partida para a Guiné – A Travessia

No dia 08 de Maio de 1964, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, o 1.º Cabo Jorge de Jesus Oliveira embarcou, integrado num grupo de combate da sua Companhia, no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Uíge’.

Após cinco dias de navegação, a Companhia rumou ao estuário do rio Geba e desembarcou em Bissau, no dia 13 de Maio de 1964, ficando às ordens do Comando Territorial da Guiné.

Foi um embarque que marcou o início da sua comissão e o cumprimento do juramento de servir Portugal, longe da sua terra minhota.

5. Actividade Operacional da CCav 677 até 22 de Outubro de 1964

De acordo com a Síntese da Actividade Operacional oficial, a história operacional da Companhia até à data do falecimento do nosso camarada desenvolve-se da seguinte forma:

No dia 14 de Maio de 1964, apenas um dia após o desembarque, a CCav 677 foi colocada em Tite, com a missão de substituir a Companhia de Cavalaria 353 – cuja insígnia vermelha com a águia e os grifos dourados ostenta a legenda «Cabo Verde – Guiné 1962-64» – na função de intervenção e reserva do Batalhão de Caçadores N.º 599 (BCaç 599).

O BCaç 599, cujo brasão partido exibe as Quinas de Portugal e o bastão de comando sobre ondas de verde e prata, era a unidade de escalão superior responsável por aquele sector crítico do sul da Guiné, o sector de Quinara.

Para cumprir a sua missão, a CCav 677 manteve permanentemente um pelotão destacado em Fulacunda, em reforço da guarnição local, ponto nevrálgico de ligação entre Bissau e o sul.

Até ao dia 22 de Outubro de 1964, data do sacrifício do 1.º Cabo Oliveira, a actividade da Companhia foi intensa e de elevado risco. Para além da segurança de Tite, realizou continuadamente patrulhamentos, emboscadas e acções ofensivas nas regiões de Jufá, Bária, Buduco, Gamol, Jabadá e Brandão, entre outras, zonas de densa mata e de forte presença de elementos inimigos. Destacou ainda, por diversas vezes, pelotões para reforço temporário das guarnições isoladas de Jabadá e Enxudé.

Foi neste quadro operacional de desgaste, de emboscadas constantes e de intervenção rápida, característico da Guerra do Ultramar na Guiné, que o 1.º Cabo Jorge de Jesus Oliveira perdeu a vida.

6. O Sacrifício em Tite

O dia 22 de Outubro de 1964 ficou inscrito a negro na história da Companhia. Em Tite, no decurso de uma acção de combate – naquela terra que foi berço e túmulo de tantos soldados portugueses – o 1.º Cabo Atirador Jorge de Jesus Oliveira foi atingido mortalmente.

A causa de morte registada, «ferimentos em combate», resume com secura militar a entrega total de um jovem soldado de 20 e poucos anos, que trocou a paz de São Jorge de Selho pelos arrozais e pelas matas alagadas de Quinara, em nome do serviço e da Pátria.

Ele foi o primeiro morto em combate da CCav 677 naquela comissão, tornando-se para sempre o seu Soldado-Símbolo.

7. Memória e Homenagem

Passados mais de sessenta anos, a memória do 1.º Cabo Jorge de Jesus Oliveira não se apaga.

Honramos nele o Soldado de Cavalaria que, fiel ao lema do seu Regimento, vogou para onde todos vogavam – para onde Portugal chamava. Honramos o camarada que partilhou a dureza da caserna no RC7, a travessia no ‘Uíge’ e as noites de sentinela em Tite e Fulacunda. Honramos o filho de Guimarães que deu a vida por Portugal, longe da sua terra.

Que o seu nome, gravado na sua campa em São Jorge de Selho e nos anais da CCav 677, continue a ser lembrado com respeito por todos os que serviram no BCaç 599, na CCav 353 que renderam, e na CCav 677.

Aos mortos em combate, a Pátria não esquece. A eles, o nosso eterno reconhecimento e a nossa continência.

Que descanse em Paz. Honra e Glória ao 1.º Cabo 1844/63 Jorge de Jesus Oliveira

 

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