|
|
HONRA E GLÓRIA |
Foto e elementos
cedidos pelo veterano
João Carlos Abreu dos Santos) |
José Custódio Costinha de Sousa
Furriel Mil.º de Infantaria, n.º
15405070

Companhia de Cavalaria 3361
Batalhão de Cavalaria 3845
Angola: 20Jun1971 a 16Jun1973
Cruz de Guerra de 3.ª classe
Medalha Comemorativa das Campanhas
de Angola com a legenda 1971/72/73

José Custódio Costinha de Sousa,
Furriel Mil.º de Infantaria, n.º
15405070;
Nasceu no dia 20Ago1949 em
Salamonde, freguesia concelhia de
Vieira do Minho.
Em Mai1969 no Liceu Nacional de
Braga concluiu a alínea f do 7º ano
do Curso Complementar dos Liceus.
Em
01Jul1969 conscrito para o Serviço
Militar Obrigatório.
Em 07Abr1970 incorporado no Exército
sob o n/m 15405070, assentou praça
no RI5-Caldas da Rainha.
Em
21Jun1970 concluiu o 2º ciclo do
Curso de Sargentos Milicianos, sendo
qualificado 2º melhor classificado
da 5ª Companhia de Instrução e
convocado para se apresentar
no
CIOE-Lamego.
Em
05Set1970 concluiu com 17,84 valores
o Curso de Operações Especiais.
Em 28Set1970 promovido a 1º Cabo
Miliciano
e transferido para o RC3-
Estremoz.
Em 09Jun1971, tendo sido graduado no
posto de Furriel Miliciano e
mobilizado pelo RC4-Santa Margarida
da Coutada para servir Portugal na
Província Ultramarina de Angola,
embarcou em Lisboa no NTT 'Vera
Cruz' rumo ao Funchal e destinado ao
porto de Luanda, como comandante de
secção do 4º pelotão da
CCav3361/BCav3845.
Em 20Jun1971 desembarcou em Luanda
seguindo para o Campo Militar do
Grafanil (na Estrada de Catete), de
onde no início da 2ª semana de
Ago1971 marchou
com
a sua subunidade, comandada pelo
Capitão miliciano de infantaria
António Domingos Leitão de Carvalho,
para o Cuando-Cubango ficando
aquartelada no Luengue e na Coutada
do Mucusso (até então sem quadrícula
militar).
Em 07Out1971 promovido a Furriel
miliciano (com antiguidade a
01Nov1971).
As missões desempenhadas consistiram
em patrulhas, acompanhamentos e
escoltas a colunas de viaturas
logísticas, incursões em terreno IN
e golpes-de-mão.
Segundo o testemunho do Soldado
atirador da CCav3361 Altino Monteiro
Soares, «o
Furriel Costinha desempenhava todo o
tipo de acções operacionais, sendo o
contacto com o inimigo, directo e
eminente».
Posteriormente, no decurso da Op
Óbice 2/H, comandando dois pelotões
lançou golpe-de-mão sobre
acampamento do MPLA, onde foi
capturado material e destruído o
local.
Relativamente àquela Op Óbice 2/H, o
1º Cabo atirador da CCav3361 José
Francisco Ferreiro disse que «às
11:00 foram atingidos por granadas
de morteiro, armas ligeiras,
metralhadoras e granadas
incendiárias, forçando a fuga dos
guias GE's restando três e metade
dos militares».
Em 03Jun1972 louvado pelo Comandante
do BCav3845 porque,
em todas as
acções e operações em que tem tomado
parte, revelou ser um elemento
dotado de excepcionais qualidades de
coragem e de comando, sangue-frio e
espírito de sacrifício, tornando-se
por isso um excelente exemplo dos
seus subordinados. De realçar a sua
eficiente actuação na Operação Óbice
2/H em que, comandando um grupo de
combate, não só soube transmitir aos
homens sob o seu comando as
instruções mais convenientes para o
cumprimento da missão como, sem a
mais leve hesitação e com elevado
espírito de sacrifício e
sangue-frio, conseguiu durante o
assalto ao objectivo, com o seu
exemplo e serena energia debaixo de
fogo, levar de vencida um grupo IN
bastante numeroso, causando-lhe
baixas e capturando importante
material. Como comandante da secção,
o Furriel Costinha mostrou sempre
ser um óptimo e prestimoso auxiliar
do seu comandante de grupo,
revelando-se disciplinado, dedicado
e entusiasta, com excepcionais
qualidades de trabalho e
desembaraço, predicados estes que
não só lhe granjearam a estima e
admiração dos seus subordinados,
como também a estima e confiança dos
seus superiores.
Na 2ª feira 14Ago1972, nas
imediações de Vila Nova da Armada
aquando da Op Tufão 4 desenvolvida
na Coutada do Mucusso e progredindo
na chana junto à margem esquerda do
Rio Lomba, comandava o seu pelotão
de 27 militares reforçado com 30
GE's e durante uma pausa foram
emboscados por cerca de uma centena
de terroristas do Esquadrão
‘Cuidado' do MPLA, tendo os GE's
fugido enquanto o Sargento
comandante da operação, recorrendo a
munições G3 cortadas na ponta,
liquidou sete atacantes e debaixo de
fogo logrou carregar um praça ferido
até local seguro mas, antes da
situação resolvida com aproximação
de Comandos entretanto de reserva,
as NT sofreram oito mortos:
- Alcides
Pedrosa Carvalheiro nascido
na Ameixoeira aldeia do Souto da
Carpalhosa freguesia concelhia de
Leiria, filho de Glória Pedrosa e de
José da Silva Carvalheiro, casado
com Belmira Ribeiro (progenitores de
Helder e de César), Soldado atirador
n/m 15115570 posteriormente
trasladado e inumado no cemitério
paroquial da freguesia de Almagreira
(Pombal);
- Emílio dos
Santos Alves nascido no Rosal
aldeia de Sequeirô freguesia
concelhia de Santo Tirso, filho de
Izilda dos Santos e de António Maria
Alves, casado com Maria Olívia Lopes
Cardoso, Soldado atirador n/m
16362270 posteriormente trasladado e
inumado no cemitério paroquial da
freguesia de naturalidade;
- Francisco
Coelho da Silva nascido na
Calvaria de Cima freguesia concelhia
de Porto de Mós, filho de Maria da
Costa Marques e de João Coelho da
Silva, casado com Maria Helena
Carvalho Pires da Silva, 1º Cabo
atirador n/m 15098170 posteriormente
trasladado e inumado no cemitério
paroquial da freguesia de
naturalidade;
- Francisco da
Silva Polido nascido em
Alvarinhos aldeia de São João das
Lampas freguesia concelhia de
Sintra, filho de Domingas da
Conceição e de Manuel António
Polido, solteiro, 1º Cabo atirador
n/m 14859270 posteriormente
trasladado e inumado no cemitério
paroquial da freguesia de
naturalidade;
- José Luís
Fernandes nascido em Canlela
aldeia de São João da Serra
freguesia concelhia de Oliveira de
Frades, filho de Áurea Fernandes,
solteiro, Soldado atirador n/m
14985270 posteriormente trasladado e
inumado no cemitério paroquial da
freguesia de naturalidade;
- Luís Manuel
Ramos Fuste nascido a
19Mai1950 no Barreiro, filho de
Emília Ribeiro Fuste e de João da
Silva Fuste, solteiro, Furriel
miliciano atirador n/m 19328671
posteriormente trasladado e inumado
no cemitério paroquial da freguesia
de Vila Chã (Santo António da
Charneca);
- Carmindo da
Silva Pinto nascido na
Pitança aldeia de Nogueira da
Regedoura freguesia concelhia de
Santa Maria da Feira, filho de
Deolinda Pereira da Silva e de
Adelino Augusto Pinto, solteiro,
Soldado atirador n/m 10661569
gravemente ferido helievacuado para
a Enfermaria do Sector no Luso,
posteriormente trasladado e inumado
no cemitério paroquial da freguesia
de naturalidade;
- Joaquim da
Silva João nascido na aldeia
de Melão na freguesia concelhia de
Monchique, filho de Vicência da
Silva Rodrigues e de Joaquim João
Alexandre, solteiro, Soldado
atirador n/m 07151070 gravemente
ferido helievacuado para a
Enfermaria do Sector no Luso onde
faleceu no dia 15Ago1972,
posteriormente trasladado e inumado
no cemitério concelhio de
naturalidade.
As suas Almas repousam em Paz.
Em 17Nov1972 iniciou no
Cuando-Cubango a deslocação, com o
seu
batalhão em escalões, rumo ao
sector fronteiriço do noroeste de
Angola e ficou aquartelado na
Fazenda Costa.
Em
01Jun1973 regressou com o seu
batalhão ao Campo Militar do
Grafanil (na Estrada de Catete), a
fim de aguardar transporte de
torna-viagem.
Em 16Jun1973 embarcou na BA9-Luanda
em vôo TAM-Boeing707 rumo ao
AB1-Figo Maduro.
Em 18Jul1973 passou à situação de
disponibilidade, agraciado com a
Medalha Comemorativa das Campanhas
de Angola com a legenda 1971/72/73.
Em 02Jan1974 o General
Comandante-Chefe das Forças Armadas
em Angola «louvou
o Furriel Miliciano de Infantaria,
José Custódio Costinha de Sousa, da
Companhia de Cavalaria 3361/Batalhão
de Cavalaria 3845-RC4, porque, na
operação "Tufão 4", tendo o Grupo de
Combate que comandava sido
fortemente atacado por numeroso
grupo inimigo, dispondo de forte
potencial de fogo, demonstrou muita
coragem e excepcionais qualidades de
chefia. Durante a fase mais crítica
do ataque inimigo, em que as nossas
forças tIveram várias baixas,
manteve-se sereno, debaixo de fogo,
encorajando os seus homens com
palavras de estímulo e conseguindo
com a sua atitude
pôr o inimigo em
fuga, causar-lhe baixas e
provocar-lhe perdas em material.
De salientar ainda o notável
espírito de sacrifício e abnegação
revelados durante a mesma operação,
ao socorrer, debaixo de fogo, alguns
dos feridos, que transportou para
local abrigado e onde lhes foi
depois prestada assistência. Pela
sua extraordinária conduta,
reveladora de coragem, decisão e
sangue-frio, é o Furriel Costinha
digno de ser apontado como exemplo
de militar que muito honrou o
Exército e a Pátria que
abnegadamente serviu.»
Em virtude dos factos descritos no
louvor do Comandante-Chefe das
Forças Armadas em Angola, agraciado
com a Cruz de Guerra de 3ª classe
por distintos feitos em combate.
Em 11Jul2006 a Procuradoria-Geral da
República, desde 09Out2000 presidida
pelo sampaísta José Adriano Machado
Souto de Moura (cujo sequer serviu
nas Forças Armadas), após extenso
“parecer” de teor
político-ideológico – ‘apud’ «a
actuação do requerente não
ultrapassa o que seria legítimo
esperar ademais pertencente a tropas
especiais nas circunstâncias [...]
durante a longa guerra colonial» –,
informa, por correio para a
residência do ex-Furriel José
Custódio Costinha de Sousa, sobre a
«não
concessão ao seu pedido de pensão
por serviços excepcionais e
relevantes prestados ao País».
> (no mesmo sentido, aquele
Procurador-Geral da República também
negou provimento ao ex-1º Cabo
atirador José Francisco Ferreiro da
CCav3361 que, pelos mesmos factos
supra descritos, foi louvado em
11Jan1974 pelo Comandante-Chefe das
Forças Armadas em Angola e agraciado
com a Cruz de Guerra de 3ª classe).
