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Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Peniche

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Peniche

 

 

Ajuda

 

Joaquim Francisco Rodrigues da Silva

 

Soldado Atirador de Cavalaria, n.º 00553968

 

Companhia de Cavalaria 2415

«OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT»

 

Moçambique: 13Ago1968 a 30Out1969 (data do falecimento)

 

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM

Ao Soldado Atirador de Cavalaria n.º 00553968 Joaquim Francisco Rodrigues da Silva

Tombado em combate em 30 de Outubro de 1969 - Valadim, Niassa, Moçambique

1. IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR

Soldado Atirador de Cavalaria n.º 00553968, Joaquim Francisco Rodrigues da Silva.

Unidade: Companhia de Cavalaria N.º 2415 - CCav 2415 «OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT».

Unidade Mobilizadora: Regimento de Cavalaria 7 (RC7 - Ajuda) «QUO TOTA VOGANT» - «REGIMENTO DO CAIS».

Comandante da Companhia: Capitão Miliciano António Amaral Amado.

Data e local do falecimento: 30 de Outubro de 1969, na região de Valadim, distrito do Niassa, Província Ultramarina de Moçambique.

Causa da morte: Ferimentos em combate, em consequência do acionamento involuntário de uma mina anti-carro, durante operação de abertura de itinerário.

Camarada de armas tombado no mesmo local e no mesmo dia: o Soldado Avelino Augusto Corado, da mesma Companhia.

2. NATURALIDADE, FAMÍLIA E CONDIÇÃO

Natural da localidade de Fonte Boa, freguesia de Vila da Ajuda, concelho de Peniche.

Filho de Joaquim Francisco da Silva e de Maria Ermelinda Rodrigues.

Estado civil: Solteiro.

Era um filho da terra piscatória de Peniche que, como tantos jovens da sua geração, foi chamado a cumprir o dever militar fora da Metrópole. Deixou em Fonte Boa a família, os amigos e o futuro adiado.

Encontra-se sepultado no Cemitério de Peniche, onde repousa na sua terra natal.

3. MOBILIZAÇÃO, FORMAÇÃO E PARTIDA PARA O ULTRAMAR

Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 7, aquartelado na Ajuda, em Lisboa, unidade histórica de Cavalaria que ostenta a divisa «QUO TOTA VOGANT» e é conhecida como «Regimento do Cais» pela sua ligação secular ao embarque de tropas.

Integrou um grupo de combate da Companhia de Cavalaria 2415, constituída por militares que receberam o epíteto «OS AUDACIOSOS», com a divisa latina «FORTUNA AUDACES JUVAT» - A Fortuna Ajuda os Audaciosos.

No dia 23 de Julho de 1968, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio Transporte de Tropas NTT ‘Vera Cruz’, com destino à Província Ultramarina de Moçambique.

Após longa travessia, desembarcou no porto marítimo de Nacala, no dia 13 de Agosto de 1968, para iniciar a sua comissão de serviço no Norte de Moçambique.

4. SÍNTESE DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2415 ATÉ 30 DE OUTUBRO DE 1969

A actividade operacional da sua Companhia, a «OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT» - Companhia de Cavalaria N.º 2415 / CCav 2415, conforme registo histórico da sua comissão, desenvolveu-se em três fases distintas até à data do seu falecimento.

4.1 - Primeira Fase: Lione e Catur - Subsector ACT

Desembarcada em Nacala a 13 de Agosto de 1968, foi colocada em Lione, onde rendeu a Companhia de Artilharia 2327 / CArt 2327.

Destacou um pelotão para Chala. Ficou sob o comando operacional do «VALENTES E AUDAZES» - Batalhão de Caçadores 1936 / BCac 1936, sediado no Catur, no subsector ACT.

A sua actividade operacional consistia em patrulhamentos e nomadizações nas regiões de Lione, Chala, Matipa, Malema, Chinenge, Banga, serra Metónia e monte Litucano, com prioridade na zona fronteiriça com o Malawi.

Nesta fase efectuou, nomeadamente, as operações «Trote Larito», «Luar de Prata», «Às a Galope», «Volteando», «Segura» e «Busca». Participou ainda na operação «Conjunta», para imediações do itinerário Chinenge - Vila Cabral.

4.2 - Segunda Fase: Luatize - Subsector AVL

Rendida em Junho de 1969 pela «COM VALOR» - Companhia de Artilharia 2387 / CArt 2387, foi transferida para Vila Cabral. Na situação de intervenção do Sector A, deslocou-se para Luatize, onde permaneceu de 21 de Junho a 11 de Setembro de 1969.

Sob o comando do «QUEM OUSA VENCE» - Batalhão de Artilharia 2847 / BArt 2847, sediado em Valadim, no subsector AVL, efectuou várias operações, designadamente: «Beta Um» e «Pantera 42 e 48» na região a Este de Valadim, «Pantera 40 e 41» nas margens do rio Luatize e «Rota 2» entre os rios Luatize e Lucuisse.

4.3 - Terceira Fase: Valadim - A Missão Final

De 11 de Outubro a 28 de Dezembro de 1969, a Companhia instalou-se em Valadim.

Permaneceu sob o comando do «QUEM OUSA VENCE» - BArt 2847 e, a partir de Novembro de 1969, do Batalhão de Artilharia 2898 / BArt 2898, que rendeu o primeiro em Valadim. Esta foi a fase mais exigente e perigosa da sua comissão.

Foi-lhe atribuída como missão principal a abertura do itinerário Valadim - Luatize, onde detectou e desactivou muitos engenhos explosivos.

5. O COMBATE FINAL - 30 DE OUTUBRO DE 1969 - VALADIM

No cumprimento dessa missão de abertura do itinerário Valadim - Luatize, no dia 30 de outubro de 1969, na região de Valadim, distrito do Niassa, uma viatura da Companhia acionou uma mina anticarro.

A explosão provocou a destruição da viatura e do material que transportava, causando mortos e feridos na Companhia.

Nesse trágico acontecimento tombou em combate, ao serviço de Portugal, o Soldado Atirador de Cavalaria n.º 00553968, Joaquim Francisco Rodrigues da Silva, que cumpriu até ao fim o juramento de defender a Pátria.

No mesmo local e no cumprimento do mesmo dever, lado a lado, tombou também em combate o seu camarada inseparável da CCav 2415 «OS AUDACIOSOS»: o Soldado Atirador de Cavalaria n.º 01179468, Avelino Augusto Corado.

6. MEMÓRIA, SEPULTURA E HOMENAGEM PERENE

O Soldado Joaquim Francisco Rodrigues da Silva está sepultado no Cemitério de Peniche.

A sua memória foi perpetuada pela sua terra. Em 23 de Março de 2014, a cidade de Peniche erigiu um Monumento de Homenagem aos Combatentes que caíram na Guerra do Ultramar, onde o seu nome consta gravado para a eternidade.

Honra e Glória aos «OS AUDACIOSOS» tombados por Portugal.

 

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