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Portugal na Guerra do Ultramar

 

Alandroal

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados que se seguem:

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Alandroal

 
Santiagomaior
 
Santiago Maior
 
Diamantino João Carapinha
 
Soldado Atirador de Cavalaria, n.º 00741766
 
Companhia de Cavalaria 1649
«SORRINDO ÀS DIFICULDADES»
 
Batalhão de Cavalaria 1905
«OS DRAGÕES»
 
Guiné: 06Fev a 01Out1967 (data do falecimento)
 

Em Memória e Homenagem ao

Soldado Atirador de Cavalaria n.º 00741766 Diamantino João Carapinha

Não esquecemos.

1 - Identificação do Militar

Diamantino João Carapinha, Soldado Atirador de Cavalaria, com o Número de Matrícula 00741766.

Militar mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3 (RC3 – Estremoz) «DRAGÕES DE OLIVENÇA» - com a divisa histórica «...NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE», para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné.

Integrou como Atirador, um Grupo de Combate da Companhia de Cavalaria 1649 (CCav1649) «SORRINDO ÀS DIFICULDADES» do Batalhão de Cavalaria 1905 (BCav1905) «OS DRAGÕES».

Faleceu em serviço da Pátria no dia 01 de Outubro de 1967, no Hospital Militar 241 (HM241 – Bissau), em consequência de ferimentos em combate.

Causa da morte: Ferimentos em combate. Local da acção: Itinerário Ponte Amaro – Pecixe – Cacheu, a 500 metros após a Ponte Amaro.

Tinha 21 anos de idade.

2 - As Suas Origens

Natural do lugar de Cabeço de Carneiro, freguesia de Santiago Maior, concelho de Alandroal, distrito de Évora.

Filho de Inácio Carapinha Romão e de Catarina Maria Felícia. Estado civil: solteiro.

Homem da raia alentejana, de gente humilde e de trabalho, levou para a farda o caráter do seu povo: sereno, resistente e cumpridor. Está hoje inumado no cemitério da freguesia de Santiago Maior, concelho de Alandroal, na sua terra.

À sua família, que o viu partir e não o viu regressar, fica o reconhecimento eterno de Portugal.

3 - A Mobilização e a Partida para a Guiné

Mobilizado pelo RC3, em Estremoz, concluiu a sua preparação militar como Dragão de Olivença, herdeiro de uma tradição centenária de Cavalaria.

No dia 1 de Fevereiro de 1967, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio Transporte de Tropas (NTT) ‘Uíge’, integrado na CCav1649 do BCav1905 «OS DRAGÕES».

Após travessia, rumo ao estuário do Geba, desembarcou em Bissau no dia 6 de Fevereiro de 1967, pronto para render as forças em operações no norte da Província.

Partia com a sua Companhia, com a divisa nos lábios e no coração: «SORRINDO ÀS DIFICULDADES».

4 - A Sua Unidade e os Seus Comandantes

A Companhia de Cavalaria 1649, subunidade do Batalhão de Cavalaria N.º 1905 «OS DRAGÕES».

O Batalhão era comandado pelo Tenente-Coronel de Cavalaria Francisco José Falcão e Silva Ramos, tendo como 2.ºs Comandantes, sucessivamente, o Major de Cavalaria Luís Augusto Rodrigues de Carvalho e o Major de Cavalaria Álvaro Nuno Lemos de Fontoura. Oficial de Informações e Operações / Adjunto: Capitão de Cavalaria Fernando Ferreira da Cunha.

A CCav1649 foi comandada sucessivamente pelos:

Capitão Miliciano de Cavalaria João de Medeiros Constâncio e
Capitão Miliciano de Cavalaria Fernando António Ramos

Sob o comando destes dois oficiais, a Companhia forjou o seu espírito combativo e cumpriu a sua missão até ao limite.

O Batalhão incluía ainda a Companhia de Comando e Serviços (CCS) comandada pelo Capitão de Cavalaria Vítor José de Ataíde Saraiva Marques, a CCav1650 (Cap Cav José Cândido de Bonnefon de Paula Santos e Alf Mil Cav António Tavares Valongo) e a CCav1651 (Cap Cav Nelson Guedes Valente).

5 - A Actividade Operacional até 01 de Outubro de 1967

Conforme o histórico operacional da sua subunidade, a CCav1649 seguiu imediatamente após o desembarque para o Sector O1-A com o seu Batalhão.

Ali substituiu a Companhia de Caçadores 1499 (CCac1499) do Batalhão de Caçadores 1877 (BCac1877) «FIRMES E CONSTANTES» em Teixeira Pinto, onde ficou aquartelada.

Durante esse período, até 11 de Junho de 1967, manteve efectivos destacados em Cacheu, Caió e Pelundo, actuando com grande intensidade nas regiões de Churo, Jol e Có, entre outras, zonas de forte infiltração e actividade do inimigo.

Em princípios de Agosto de 1967, após a criação do Subsector de Cacheu, a CCav1649 assumiu a sua responsabilidade territorial. Essa responsabilidade incluía o destacamento de Bachile, para onde já havia deslocado um pelotão desde meados de Junho de 1966, e novamente o destacamento de Caió, a partir de 20 de Agosto de 1967.

Ficou então integrada no dispositivo e manobra do seu Batalhão, o BCav1905, e depois do Batalhão de Caçadores 1911 (BCaç1911), garantindo a segurança dos itinerários vitais entre Teixeira Pinto, Cacheu e o rio Cacheu, num dos sectores mais exigentes e sacrificados de toda a Guerra.

Foi neste contexto de controlo de itinerários, de escoltas, de golpes de mão e de patrulhamentos constantes, que o Soldado Diamantino Carapinha cumpriu oito meses de comissão, sempre na frente.

6 - O Combate Final e o Sacrifício Supremo

No final de Setembro de 1967, já colocada em Cacheu, a sua Companhia mantinha a missão de garantir a livre circulação no itinerário Ponte Amaro – Pecixe – Cacheu.

No decurso de uma operação de combate nesse itinerário, a 500 metros após a Ponte Amaro, a força onde se integrava foi atingida. Em consequência desse contacto com o inimigo, o Soldado Atirador Diamantino João Carapinha sofreu ferimentos graves em combate.

Evacuado com urgência para o Hospital Militar 241, em Bissau, não resistiu à gravidade dos ferimentos. Veio a falecer no dia 01 de Outubro de 1967, naquele hospital.

Cumpriu-se o supremo sacrifício: deu a vida por Portugal, em combate, ao serviço do seu Grupo de Combate, da sua Companhia «SORRINDO ÀS DIFICULDADES» e dos Dragões do seu Batalhão.

7 - Memória, Homenagem e Legado

Hoje, dia 01 de Outubro, evocamos o Soldado Diamantino João Carapinha não como um número num arquivo, mas como um jovem de 21 anos de Alandroal que não hesitou em cumprir o seu dever.

Aos Dragões de Olivença, aos Dragões do BCav1905, aos seus camaradas da CCav1649 que com ele sorriram às dificuldades, deixamos a certeza de que o seu nome não foi apagado pelo tempo.

Que a sua alma repouse em paz no cemitério de Santiago Maior, onde a sua terra o acolheu.

Que a sua memória perdure como exemplo de coragem, de abnegação e de amor à Pátria.

Aos Mortos da Guerra do Ultramar, o nosso respeito eterno. Ao Soldado Diamantino João Carapinha, a nossa eterna gratidão.

Paz à sua Alma.

 

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