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Condecorações

João Fernandes Machado da Silva, Furriel Mil.º Atirador de Infantaria, da CCac816

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

 

João Fernandes Machado da Silva

 

Furriel Mil.º Atirador de Infantaria, n.º 668/64

 

Companhia de Caçadores 816

«JUSTIÇA E LUTA»

«SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»

 

Guiné: 26Mai a 02Ago1965 (data de falecimento)

 

Cruz de Guerra de 4.ª classe

(Título póstumo)

 

Memória e Homenagem: Furriel Miliciano João Fernandes Machado da Silva

Companhia de Caçadores 816 (CCac816) — Batalhão de Caçadores 10 (BC10) Guerra do Ultramar — Guiné (1965)

I. Dados Biográficos e Identificação

Identificação e Filiação:

João Fernandes Machado da Silva, Furriel Miliciano Atirador de Infantaria, titular do número de matrícula militar 668/64. Nascido na freguesia de Joane, concelho de Vila Nova de Famalicão, era filho de Alberto Machado da Silva e de Maria Ribeiro Fernandes, mantendo o estado civil de solteiro.

Mobilização:

Foi mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 10 (BC10 – Chaves), unidade que ostenta o lema histórico «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS», sendo destinado a cumprir a sua missão soberana na Província Ultramarina da Guiné.

II. Percurso Operacional e Mobilização

A Viagem e o Desembarque:

No dia 21 de Maio de 1965, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Niassa’, integrado num dos pelotões de combate da Companhia de Caçadores 816 (CCac816) «JUSTIÇA E LUTA». Chegou ao estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 26 de Maio de 1965.

Dispositivo de Manobra:

A sua subunidade de infantaria, comandada pelo Capitão de Infantaria Luís Fernando Gonçalves Riquito, seguiu em 8 de Junho de 1965 para Bissorã com o objéctivo de eféctuar o respectivo treino operacional em coordenação com a Companhia de Artilharia 643 (CArt643). Posteriormente, passou a actuar como força de intervenção e reserva do sector, reforçando a manobra do Batalhão de Artilharia 645 (BArt645) «ÁGUIAS NEGRAS». Entre 25 de Julho e 01 de Agosto de 1965, deslocou-se temporariamente para Olossato em reforço da guarnição e da actividade local.

III. O Derradeiro Combate e Sacrifício Supremo

A Emboscada em Jobóia:

No dia 02 de Agosto de 1965, no regresso de uma complexa missão de desimpedimento e patrulha na estrada que ligava Olossato a Farim, a sua companhia foi surpreendida por uma violenta emboscada inimiga na zona da bolanha de Jobóia. Debaixo de fogo cruzado e intenso, o Furriel João Silva demonstrou um brio militar exemplar, agindo com extraordinário sangue-frio, decisão rápida e energia serena.

Falecimento e Sepultura:

Em consequência directa dos ferimentos sofridos em combate nesta acção, o militar acabou por falecer. O seu corpo foi transladado para Portugal, encontrando-se hoje inumado no cemitério da freguesia da sua naturalidade, em Joane.

IV. Louvor e Condecoração Póstuma (Cruz de Guerra de 4.ª Classe)

Pela bravura invulgar e comportamento heroico demonstrados debaixo de fogo, foi condecorado a título póstumo com a medalha da Cruz de Guerra de 4.ª Classe (Ordem do Exército n.º 36 – 3.ª série, de 1966), precedida pelo sublime louvor concedido pelo Quartel-General do Comando Territorial Independente da Guiné (Ordem de Serviço n.º 88, de 26 de Outubro de 1965):

"Louvo, a título póstumo, o Furriel Mil.º João Fernandes Machado da Silva, da Companhia de Caçadores n.º 816, adido à Batalhão de Artilharia n.º 645, com o n.º 2405/65/A, porque durante todo o tempo em que prestou serviço naquela Companhia de Caçadores, se houve como um verdadeiro homem de carácter, de militar e de bom português.

Soldado cônscio dos seus deveres e das suas responsabilidades, o Furriel Mil.º João Silva nunca regateou esforços para que todas as missões que teve de executar fossem cumpridas e bem, mesmo que para tal arriscasse a própria vida.

Homem de alta idoneidade, justo e com elevado sentimento patriótico, o Furriel Mil.º João Silva em tudo soube ser coerente, granjeando em cada subordinado uma amizade sem limites e em cada superior uma admiração, não só pelo seu trato delicado, mas também pela coragem demonstrada no campo de batalha.

Doando-se à Pátria durante a emboscada que a Companhia sofreu em Jobóia, no cumprimento de missão difícil, além de muito sangue-frio demonstrou coragem, decisão e serena energia debaixo de fogo."

 

 

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