Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Câmara de Lobos

Câmara de Lobos
Gilberto Félix Figueira Lopes

Furriel Miliciano Atirador, n.º
13932565
Companhia de Caçadores
804
Moçambique: 12Jun1965 a 27Ago1966 (data do falecimento)
Em Memória do
Furriel Miliciano Atirador Gilberto
Félix Figueira Lopes
N.º 13932565 - Companhia de Caçadores 804
Tombou em combate
em 27 de Agosto de 1966
Durante patrulhamento Macomia - Posto de Darumba -
Cantina do Darumba
Moçambique
Há homens cujo nome fica gravado numa
ficha. Há outros cujo nome fica gravado na terra que
pisaram e na memória dos que com eles serviram. Gilberto
Félix Figueira Lopes pertence aos segundos.
Natural
da Ribeira Real, freguesia de Câmara de Lobos, concelho
de Câmara de Lobos - Madeira, filho de Augusto Joaquim
Lopes e de Maria Savina Figueira Lopes,
solteiro,
madeirense de origem humilde e firme, cumpria o seu
dever militar como Furriel Miliciano Atirador da
Companhia de Caçadores N.º 804, Unidade mobilizada pelo
Regimento de Infantaria N.º 16 de Évora, sob o comando
do Capitão de Infantaria António Lopes Cardoso Candeias.
A Partida
No
dia 21 de Maio de 1965, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Infante Dom
Henrique’ rumo ao Ultramar. Desembarcou
no
porto de Lourenço Marques a 12 de Junho de 1965.
O destino inicial foi Ponta Mahone,
onde a CCaç 804 rendeu a CCaç 402. Sob comando
operacional do Batalhão de Caçadores de Lourenço
Marques, a missão era de treino operacional e de
segurança aos paióis de Benfica, com um pelotão ali
destacado. Era o aclimatar de uma Companhia à guerra.
A Guerra no Norte
Mas
o norte chamava. Em 21 de Julho de 1965, a Companhia foi
transferida para Macomia e integrada no dispositivo do
Batalhão
de Caçadores de Porto Amélia - o coração da guerra no
Cabo Delgado.
Ali, a CCaç 804 conheceu a verdadeira
face da actividade operacional. Destacou um pelotão para
Mataca - onde rendeu a 26 de Julho a CCaç 614 - e, a
partir de Janeiro de 1966, guarneceu Muaguide com outro
pelotão. A partir de Outubro de 1965, assumiu também o
destacamento de Quiterajo, com efectivos de reforço da
CArt 560, CCav 755 e CCaç 1569.

Foi uma vida de intenso desgaste, que
o Furriel Gilberto Lopes viveu na primeira linha:
Patrulhamentos e nomadizações sem fim
na serra do Mapé, nas regiões de Muage, Salimo,
Quissanga, Imbada, Panguia, Muaguide, Quiterajo, Mataca,
no monte Bilibiza e na margem sul do rio Messalo.
Escoltas a colunas para o Chai, Mucojo, Quiterajo e
Ponte do Moja, debaixo de um sol impiedoso e de uma
ameaça constante. Protecção aos trabalhos de engenharia
na abertura da picada para Mataca.
A 19 de Outubro de 1965, a norte de
Darumba, a Companhia sofreu uma violenta emboscada que
causou muitas baixas à Companhia e a civis da coluna.
Foi o baptismo de fogo mais duro, que marcou todos os
homens da 804.
Participou ainda nas grandes operações
da altura: Operação “Escaravelho” - numa vasta área
desde o rio Messalo até Macomia; “Papagaio” - a norte do
Messalo entre a estrada 243 e Muidumbe; “Pica Pau” - a
norte do Chai; “Gato Bravo” - entre Coveque, Chuaia e
Maloma, a sul do Messalo; e “Rajada Alta” - na serra do
Mapé.
Era esta a rotina, dia após dia, de um
Furriel Atirador. Comando de homens, responsabilidade,
cansaço, camaradagem.
O Dia 27 de Agosto de
1966
Faltava
pouco mais de um mês para a Companhia ser rendida pela
CCaç 1584 e transferida para António Enes, a 7 de
Outubro de 1966. Mas a guerra não dá tréguas.
No dia 27 de Agosto de 1966, durante
um patrulhamento no troço Macomia - Posto de Darumba -
Cantina do Darumba, a mesma zona que já tinha visto o
sangue da Companhia em Outubro do ano anterior, o
Furriel Gilberto Félix Figueira Lopes pisou uma mina
anti-pessoal, reforçada com granadas de morteiro.
Morreu de ferimentos em combate.
Cumpriu até ao último passo o juramento que fizera em
Évora e em Lisboa.
Foi sepultado no Cemitério de Porto
Amélia, Sepultura N.º 1758, em Moçambique, longe da sua
Ribeira Real, mas para sempre na terra que ajudou a
patrulhar.
Memória
O Furriel Lopes não morreu numa acção
isolada. Morreu no culminar de 14 meses de actividade
operacional ininterrupta, intensa e perigosa, numa das
Companhias mais batidas do norte de Moçambique. Morreu a
fazer o que fazia todos os dias: a abrir caminho para os
seus homens.
À família de Câmara de Lobos, aos
camaradas da CCaç 804, aos que ainda se lembram da
travessia no Infante Dom Henrique, fica o dever de não
esquecer.
Que a sua memória, madeirense, humilde
e corajosa, descanse em paz. Que o seu nome - Gilberto
Félix Figueira Lopes, 13932565 - seja lembrado não como
um número, mas como um dos nossos.
Honra e Glória aos que tombaram por
Portugal.
