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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Leiria

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Leiria

 


Barreira

 

 

Raul Carreira Bento

 

Soldado Atirador, n.º 1984/64

 

Companhia de Caçadores 764

«EX UNGUE LEONEM»

 

Guiné: 17Fev1965 a 07Nov1966 (data do falecimento)

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM

Soldado Atirador Raul Carreira Bento

N.º 1984/64 — Companhia de Caçadores 764

1. Identificação

Raul Carreira Bento, Soldado Atirador n.º 1984/64, da Companhia de Caçadores 764.

Faleceu no dia 7 de novembro de 1966, no Hospital Militar 241, em Bissau, em consequência de ferimentos provocados pela explosão de uma mina antipessoal, ocorrida no cruzamento da estrada Aldeia Formosa – Bantiel Silá, na então Guiné Portuguesa.

Está sepultado no cemitério de Cumeira do Paço, na freguesia de Barreira, concelho de Leiria.

O seu nome encontra-se gravado numa das lápides junto ao Monumento aos Heróis do Ultramar, em Leiria, inaugurado no dia 10 de junho de 2008.

2. Origens — Cumeira do Paço, Barreira, Leiria

Natural do lugar de Cumeira do Paço, na freguesia de Barreira, concelho de Leiria, filho de António Pereira Bento e de Olinda Carreira, solteiro.

Era um jovem da sua terra, da sua freguesia e do seu concelho. Levava consigo o nome da família, a memória da sua casa e a simplicidade de quem cresceu numa comunidade rural, onde a palavra dada, o trabalho e o sentido do dever faziam parte da vida quotidiana.

Foi dessa terra que partiu para servir Portugal, e é a essa terra que regressou, para o descanso eterno, no cemitério de Cumeira do Paço.

3. Mobilização e partida para a Guiné

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 (RI 1 – Amadora), «UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE», para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné.

No dia 11 de fevereiro de 1965, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no navio de transporte de tropas «Timor», integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 764, «EX UNGUE LEONEM», rumo ao estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 17 de fevereiro de 1965.

Era o início de uma comissão de serviço longa e exigente, longe de casa, longe dos seus, num território difícil, onde a guerra se fazia de patrulhas, de emboscadas, de minas e de uma vigilância permanente.

4. A Companhia de Caçadores 764

A sua subunidade de infantaria foi comandada, sucessivamente, pelo Capitão de Infantaria António Jorge Teixeira, pelo Capitão de Infantaria José Domingos Ferros de Azevedo e pelo Tenente de Infantaria José Alberto Cardeira Rino.

Após o desembarque, ficou colocada no sector de Bissau como subunidade de intervenção e reserva do Comando-Chefe, tendo sido atribuída em reforço de vários batalhões, com vista à realização de diversas operações nas regiões de Maqué (Mansoa) e Manhau (Mansabá), na área do Batalhão de Artilharia 645, «ÁGUIAS NEGRAS» – «BRAVOS SEMPRE FIÉIS», e na região de Cufar, na área do Batalhão de Caçadores 619, «SENTINELA DO SUL».

Na dependência do Batalhão de Caçadores 600, colaborou ainda na segurança e defesa das instalações e das populações no sector de Bissau e guarneceu, temporariamente, de 22 de abril a 16 de maio de 1966, com um pelotão, as guarnições de Safim e Nhacra, durante a rendição de subunidades.

Em 24 de maio de 1965, dois pelotões seguiram para Buba, a fim de renderem iguais efectivos da Companhia de Artilharia 495, «EM PERIGOS E GUERRAS ESFORÇADOS», nos destacamentos de Cumbijã e Colibuia, no subsector de Aldeia Formosa, cuja responsabilidade assumiu em 1 de junho de 1965, depois de completar a rendição da Companhia de Artilharia 495, ficando então integrada no dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores 600 e depois do Batalhão de Caçadores 1861.

Após a chegada da Companhia de Caçadores 1438, «ANTES MORRER LIVRES QUE EM PAZ SUJEITOS», a Colibuia, em 18 de junho de 1966, o pelotão ali estacionado recolheu à sede, tendo passado uma secção a estar destacada em Chamarra até princípios de novembro de 1966.

Foi, pois, uma vida de quartel, de destacamento, de patrulha e de operação. Uma vida de camaradagem, de sacrifício e de cumprimento, dia após dia, num serviço que poucos fora daquele tempo podem verdadeiramente imaginar.

5. O dia 7 de novembro de 1966

No dia 7 de novembro de 1966, no cruzamento da estrada Aldeia Formosa – Bantiel Silá, a explosão de uma mina antipessoal feriu mortalmente o Soldado Atirador Raul Carreira Bento.

Transportado para o Hospital Militar 241, em Bissau, ali viria a falecer nesse mesmo dia, em consequência dos ferimentos sofridos.

Faltavam poucos dias para o fim da comissão da sua Companhia. Faltava pouco para o regresso. A morte chegou, cruelmente, quando o regresso já estava à vista.

O seu sacrifício não foi um acidente sem sentido: foi o preço de um serviço cumprido até ao fim, num dos lugares mais expostos e perigosos da guerra, onde cada estrada, cada cruzamento e cada trilho podia esconder a morte.

6. O regresso sem ele

Em 18 de novembro de 1966, após o falecimento do Soldado Atirador Raul Carreira Bento, a sua subunidade de infantaria foi rendida no subsector de Aldeia Formosa pela Companhia de Caçadores 1622, «EXCELENTE E VALOROSO», recolhendo a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Em 20 de novembro de 1966, a Companhia de Caçadores 764, já sem o Soldado Atirador Raul Carreira Bento, embarcou no navio de transporte de tropas «Niassa», de regresso à Metrópole, onde desembarcou no dia 26 de novembro de 1966.

Regressaram os seus camaradas. Faltava um deles. Faltava o Raul.

A ausência na formatura do regresso, o lugar vazio no navio, o silêncio na casa de Cumeira do Paço, são a medida mais profunda do que se perdeu naquele dia 7 de novembro.

7. Memória

Recordar Raul Carreira Bento é recordar um soldado português que cumpriu o seu dever até às últimas consequências.

É recordar o filho de António Pereira Bento e de Olinda Carreira. É recordar o jovem de Cumeira do Paço, da Barreira, de Leiria, que partiu solteiro, cheio de vida, e que não regressou.

É recordar os seus irmãos de armas da Companhia de Caçadores 764, que com ele partilharam o cansaço, o perigo, a poeira das picadas, as noites de sentinela e a esperança do regresso.

Que a sua memória permaneça viva na sua terra, na sua família, nos seus camaradas e em todos aqueles que, ainda hoje, se inclinam perante o nome gravado junto ao Monumento aos Heróis do Ultramar, em Leiria.

Clique na imagem que se segue p+ara ampliação:

Paz à sua Alma.

«A sua coragem permanece viva no coração dos seus irmãos de armas.»

 

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