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Palmela

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Palmela

 

 

Pinhal Novo

 

Diamantino Jorge Martinho

 

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 1881/64

 

Companhia de Caçadores 763

«OS LASSAS»

«NOBRES NA PAZ E NA GUERRA»

 

Guiné: 17Fev a 14Out1965 (data do falecimento)

 

Em Memória e Homenagem ao

Soldado Atirador de Infantaria Diamantino Jorge Martinho
N.º 1881/64 - Companhia de Caçadores 763 - Falecido em Cufar, a 14 de Outubro de 1965

1. Identificação

 

Soldado Atirador de Infantaria Diamantino Jorge Martinho, número 1881/64.

 

Pertenceu à Companhia de Caçadores n.º 763, mobilizada pelo Regimento de Infantaria N.º 1 - Amadora.

 

Posto e função: Soldado - Atirador. Estado civil à data: Solteiro.

 

Faleceu em serviço de campanha, no Teatro de Operações da Guiné, em consequência de ferimentos em combate, no dia 14 de Outubro de 1965, na área de Cufar.

 

A sua causa de morte está registada como "Ferimentos em combate" e o local de operações como Cufar.

 

2. Origem e Raízes


Natural do lugar da Lagoinha, freguesia de Pinhal Novo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal.


Filho de Eduardo Joaquim Martinho e de Salomé Guilhermina.


Homem da terra plana e fértil do Pinhal Novo, levou consigo para África os valores de trabalho, de humildade e de cumprimento do dever que caracterizavam a sua gente.


O seu corpo repousa hoje no Cemitério de Pinhal Novo, para onde regressou após o seu sacrifício. A sua terra não o esqueceu.


O seu nome está gravado, com honra e perpetuidade, no Monumento aos Combatentes do Ultramar no Pinhal Novo, concelho de Palmela, onde é lembrado como um dos seus filhos que deu a vida pela Pátria.


3. A Sua Companhia - CCac 763 «OS LASSAS»


A Companhia de Caçadores 763, por onde serviu, tinha por divisa «NOBRES NA PAZ E NA GUERRA» e era conhecida pelo cognome de guerra «OS LASSAS».


Era comandada pelo Capitão de Infantaria Carlos Alberto Wahnon Mourão da Costa de Campos, e tinha como Unidade Mobilizadora o RI 1 - Amadora.


O seu distintivo heráldico, que envergou com orgulho, é pleno de simbolismo:


O escudo é cortado. No chefe, à esquerda, quatro espingardas cruzadas, de vermelho, símbolo da infantaria caçadora. À direita, o escudo clássico do RI 1, com a cruz e os escudetes. Na ponta, de vermelho, a cabeça de um cão pastor alemão, de negro, e a inscrição C.Ca 763. Este cão não é por acaso: a Companhia utilizou em operações e na segurança dos aquartelamentos uma equipa de 8 cães de guerra, elemento distintivo e inovador da sua atividade operacional.


O Guião da Companhia, de fundo verde escuro, ostenta ao centro este brasão, encimado pelo elmo dourado, e na base o listel branco com a divisa «NOBRES NA PAZ E NA GUERRA».


4. A Partida para a Guiné


No dia 11 de Fevereiro de 1965, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, o Soldado Diamantino Jorge Martinho embarcou no Navio de Transporte de Tropas ‘Timor’, integrado num grupo de combate da sua Companhia.


Era o início de uma longa viagem de quase uma semana, com destino ao estuário do rio Geba, em Bissau.


Desembarcou em Bissau no dia 17 de Fevereiro de 1965, pronto para cumprir a missão que o Estado lhe confiara.


5. Atividade Operacional até ao dia do seu Falecimento


A síntese da atividade operacional da CCac 763, até 14 de Outubro de 1965, descreve bem o contexto exigente em que o Soldado Martinho serviu.


Após curta permanência em Bissau, na dependência do Batalhão de Caçadores 600, cooperando na segurança e protecção das instalações e das populações da área e efectuando simultaneamente uma instrução de adaptação operacional na região de Prabis-Antula com a CCac 557, a Companhia deslocou-se por fracções, em 02, 09 e 17 de Março de 1965, para Cufar.


A 19 de Março de 1965, assumiu a responsabilidade do subsector de Cufar, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCac 619 e depois do BCac 1858.


Para além da intensa atividade operacional realizada no seu próprio subsector - patrulhamentos, emboscadas, escoltas, proteção de populações - tomou parte em diversas operações de grande envergadura efectuadas na zona de acção de vários batalhões, nomeadamente nas regiões de Cabolol, na Operação "Saturno", em 10 de Junho de 1965, e em Caboxanque, na Operação "Satan", em 08 de Julho de 1965, entre outras.


Foi nesta rotina dura, feita de calor, de picadas, de vigilância permanente e de combate próximo no mato da Guiné, que o Soldado Atirador Diamantino Jorge Martinho cumpriu o seu dever, lado a lado com os seus camaradas de armas.


6. O Sacrifício


No dia 14 de Outubro de 1965, em Cufar, no cumprimento de uma missão operacional, o Soldado Diamantino Jorge Martinho foi atingido em combate.


Tombou em consequência dos ferimentos sofridos, com a arma na mão e fiel ao juramento prestado.


Tinha cumprido apenas oito meses de comissão na Guiné. Deixou de ser o jovem da Lagoinha para se tornar, para sempre, um dos heróis da sua Companhia e da sua terra.


7. Homenagem Final


Ao Soldado Diamantino Jorge Martinho, não lhe perguntaram se queria ser herói. Pediram-lhe que fosse Soldado, e ele foi-o até ao fim.

 

Que a sua memória, gravada na placa evocativa do monumento dedicado aos Militares do Concelho de Palmela que tombaram ao serviço da Pátria, e nos corações dos que o conheceram, nos lembre que a paz de que hoje gozamos foi também construída com o sacrifício de jovens como ele, oriundos de lugares humildes como a Lagoinha.
 

Nobre na Paz, foi Nobre na Guerra. Cumpriu.


Honra e Glória ao Soldado 1881/64 Diamantino Jorge Martinho.


Que a sua alma descanse em paz no Cemitério de Pinhal Novo, sob a terra que o viu nascer, e que o seu exemplo perdure.

 


 

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