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Condecorações

Manuel Brito da Silva, Alferes Mil.º de Infantaria, da CCac622

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

 

Manuel Brito da Silva

 

Alferes Mil.º de Infantaria

 

Comandante de pelotão / grupo de combate da


Companhia de Caçadores 622
«ARMAS NA MÃO E OLHOS NA PÁTRIA»


Guiné: 03Mar a 25Out1965 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 2.ª classe

(Título póstumo)

 

Biografia e Homenagem Póstuma


Alferes Mil.º de Infantaria Manuel Brito da Silva


"Possuidor no mais elevado grau das virtudes de valentia, sangue-frio, desprezo pelo perigo e serena energia debaixo de fogo..."


1. Perfil Biográfico e Mobilização


Manuel Brito da Silva nasceu na freguesia de Sazes da Beira, no concelho de Seia. Filho de António Figueiredo da Silva e de Maria José de Brito, era solteiro quando a sua Pátria o chamou ao serviço militar.


Foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria 16 (RI16 - Évora), unidade cujo lema — «CONDUTA BRAVA E EM TUDO DISTINTA» — viria a honrar de forma absoluta no teatro de operações da Província Ultramarina da Guiné.


Com o número de identificação militar 42438860, embarcou no dia 25 de Fevereiro de 1964 na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, a bordo do Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Alfredo da Silva’.

 

Exercendo as funções de comandante de pelotão e grupo de combate da Companhia de Caçadores 622 (CCac622), que ostentava a divisa «ARMAS NA MÃO E OLHOS NA PÁTRIA», navegou rumo ao estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou a 3 de Março de 1964.


2. Percurso Militar e Campanha na Guiné


A sua subunidade de infantaria, comandada pelo Capitão de Infantaria José Bento Guimarães Figueiral, iniciou a sua atividade operacional a 08 de Março de 1964.


• Subsector de Binar (Março a Dezembro de 1964): A CCac622 substituiu dois pelotões da Companhia de Cavalaria 567 (CCav567), assumindo a responsabilidade deste subsector recém-criado, primeiro sob a égide do Batalhão de Caçadores 507 (BCac507) e, mais tarde, do Batalhão de Cavalaria 790 (BCav790). A missão principal consistia em conter e impedir o alastramento da guerrilha em direção à região estratégica de Bula-Teixeira Pinto.


• Subsector de S. Domingos (Dezembro de 1964 a Outubro de 1965): Em Dezembro de 1964, iniciou-se o processo de rendição por troca com a Companhia de Caçadores 618 (CCac618). O Alferes Brito da Silva e a sua unidade começaram por assumir os destacamentos de Varela e Susana, até assumirem a responsabilidade total do subsector de S. Domingos a 30 de Janeiro de 1965. Ali, o esforço principal do oficial focou-se nas complexas e perigosas missões de patrulhamento e interdição da zona de fronteira.


3. O Último Combate


No dia 25 de Outubro de 1965, na Tabanca de Cassum, o Alferes Manuel Brito da Silva tombou em combate, não resistindo aos ferimentos graves sofridos em ação contra as forças inimigas. Num dos episódios mais dolorosos da sua trágica perda, o seu corpo não pôde ser recuperado do campo de batalha.


4. Louvor e Condecoração Póstuma


O heroísmo e a verticalidade do Alferes Manuel Brito da Silva foram oficialmente reconhecidos pelo Estado português a 26 de Julho de 1966, data em que foi publicado o seu louvor e a atribuição da Cruz de Guerra de 2.ª Classe, a título póstumo (Ordem do Exército n.º 16 – 2.ª série).


Transcrição do Louvor Oficial:


"Louvado, a título póstumo, o Alferes Miliciano de Infantaria, Manuel Brito da Silva, da Companhia de Caçadores n.º 622, integrada no dispositivo de manobra do Batalhão de Cavalaria n.º 790 — Regimento de Infantaria n.º 16, por ter evidenciado índole eminentemente generosa e decidida, pois foi sempre voluntário para as mais arriscadas missões.


A sua abnegada e constante preocupação de incentivar pelo exemplo as tropas sob o seu comando, levou-o a colocar-se arrojadamente à frente de um grupo de combate recém-chegado à Província, numa região em que a presença de um inimigo traiçoeiro e aguerrido era quase certa.


O seu generoso e heroico comportamento custou-lhe a vida, que ofereceu em holocausto pelas mais nobres virtudes da raça. Todos quantos o conheceram, quer militares, quer civis, sabem bem que a morte heroica do alferes Brito da Silva é mais um marco indelével na história da luta que nos foi imposta.


As suas qualidades e excelente comportamento como valoroso combatente já haviam sido postas em relevo em louvor anterior, confirmando a continuidade de uma notável actuação militar.


Possuidor no mais elevado grau das virtudes de valentia, sangue-frio, desprezo pelo perigo e serena energia debaixo de fogo, constituiu, com a dádiva da própria vida, valoroso acréscimo ao tesouro moral que o sacrifício generoso de existências jovens e prometedoras vem acumulando.
"


Honra e Glória à sua Memória


O Alferes Manuel Brito da Silva permanece vivo na memória dos seus camaradas de armas e na história militar de Portugal. O seu sacrifício supremo na Guiné, liderando na linha da frente e inspirando os seus homens através do exemplo pessoal, fixou o seu nome como um símbolo intemporal de coragem, desprendimento e amor à Pátria.

 

Paz à sua Alma
 

 

 

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