
Soldado Atirador n.º 1926/64
Companhia de Caçadores
556
«SEM PAVOR»
Guiné: 10Nov1963 a 04Nov1964 (data do
falecimento)
MEMÓRIA E HOMENAGEM
Ao Soldado Atirador n.º 1926/64
FRANCISCO FERNANDES
XAVIER
Tombou em combate em Enxalé, Guiné, a
04 de Novembro de 1964
1. IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR
O militar que aqui se honra é
Francisco Fernandes Xavier, Soldado Atirador n.º
1926/64, da Companhia de Caçadores 556 «SEM PAVOR»,
mobilizada pelo Regimento de Infantaria 16 (RI16 –
Évora) «CONDUTA BRAVA E EM TUDO DISTINTA» para servir
Portugal na Província Ultramarina da Guiné.
Tombou em combate no dia 04 de
Novembro de 1964, em Enxalé, em consequência de
ferimentos sofridos em combate, na zona de acção do
Batalhão de Caçadores 512. Está sepultado no cemitério
da freguesia de Lama de Arcos, concelho de Chaves.
2. ORIGEM E FAMÍLIA
Natural do lugar de Lages, freguesia
de Lama de Arcos, concelho de Chaves, filho de Francisco
Xavier e de Ana Fernandes, solteiro.
Homem de Trás-os-Montes, de raiz
humilde e trabalhadora, chamado a cumprir o dever
militar quando Portugal vivia o esforço de defesa das
suas províncias ultramarinas.
3. A MOBILIZAÇÃO PARA A GUINÉ
Mobilizado
pelo RI16 de Évora, integrou como atirador a Companhia
de Caçadores 556.
No dia 04 de Novembro de 1963,
exactamente
um ano antes do seu sacrifício, na Gare Marítima da
Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio
de Transporte de Tropas ‘Manuel Alfredo’. Integrado num
grupo de combate da CCaç 556, fez a travessia rumo ao
estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 10
de Novembro de 1963.

4. A COMPANHIA DE CAÇADORES 556 «SEM
PAVOR»
A sua subunidade de infantaria, fiel à
divisa «SEM PAVOR», foi comandada sucessivamente por
Capitão de Infantaria José Abílio Lomba Martins, Capitão
de Infantaria Carlos Alberto Gonçalves e Tenente de
Infantaria Fernando Gonçalves Foitinho.
Durante a passagem de comando, assumiu
interinamente o comando da Companhia o
Alferes Miliciano de Infantaria Armando Marques Ramos,
comandante de pelotão, condecorado com 2 Cruzes de
Guerra de 2.ª classe e 3 Louvores Individuais.
Conforme louvor publicado na Ordem de Serviço n.º 42, de
21 de Março de 1965, do Comando Territorial Independente
da Guiné, exerceu as funções de Comandante interino da
referida Companhia, devido ao seu espírito ofensivo,
audacioso e dinâmico, nomeadamente na operação de Mato
Cobra, em 21 de Abril de 1965.
5. SÍNTESE DA ACTIVIDADE OPERACIONAL
Após
o desembarque, a CCaç 556 ficou inicialmente colocada em
Bissau, integrada transitoriamente no dispositivo do
Batalhão
de
Caçadores 600, com vista à segurança e protecção das
instalações e das populações da área, até à chegada da
Companhia de Caçadores 557. Em 08 de Dezembro de 1963,
substituindo um pelotão da
Companhia
de Caçadores 413 «BRIOSOS VENCEREMOS», assumiu a
responsabilidade do subsector de Enxalé, então criado na
zona de acção do Batalhão de Caçadores 512 «HONRA E
GLÓRIA».
A companhia operou com dispositivo
disperso: um pelotão destacado em Porto Gole; outro
pelotão esteve destacado em Farim, de 05 de Dezembro de
1963 a Janeiro de 1964, em reforço da guarnição local.
Actuou ainda em operações realizadas
no sector, nomeadamente na região de Cuor, em 07 de
Janeiro de 1964, e terá participado entre outras
operações, nomeadamente, desde 07 de Janeiro de 1964 até
ao seu falecimento em 04 de Novembro de 1964.
Após a morte do Soldado Francisco
Fernandes Xavier, e a partir de 20 de Dezembro de 1964,
a companhia passou a guarnecer com um pelotão um
destacamento em Missirá. Continuou a actuar em operações
realizadas no sector, nomeadamente em Ponta Luís Dias,
em
22 e 23 de Janeiro de 1965 e Mato Cobra, em 21 de Abril
de 1965, entre outras, em que foi capturada elevada
quantidade de armas.
Em
09 de Outubro de 1965, já então na dependência do
Batalhão de Caçadores 697, foi rendida, por troca, pela
Companhia de Caçadores 1439 «BRAVOS AVANTE» e foi
deslocada temporariamente para o
subsector
de Bambadinca. Em 27 de Outubro de 1965, após ser
substituída pela Companhia de Cavalaria 1482, recolheu a
Bissau a fim de efectuar o embarque de regresso. O
embarque verificou-se em 28 de Outubro de 1965, a bordo
do NTT ‘Niassa’, rumo à Metrópole, onde desembarcou no
dia 03 de Novembro de 1965.

6. O DIA DO SACRIFÍCIO - 04 DE NOVEMBRO
DE 1964
No dia 04 de Novembro de 1964, em
Enxalé, no cumprimento da missão que lhe foi confiada,
no serviço de Portugal e na defesa dos seus camaradas, o
Soldado Atirador Francisco Fernandes Xavier tombou em
combate em consequência de ferimentos sofridos em acção.
Cumpriu até ao limite o juramento militar.
7. MEMÓRIA, SEPULTURA E HOMENAGEM
Está sepultado no cemitério da
freguesia de Lama de Arcos, concelho de Chaves. A sua
morte não foi em vão. O seu nome consta nos registos dos
que tombaram pela Pátria na Província da Guiné.
Em sua Homenagem e perpétua Memória, o
nome do Soldado Francisco Fernandes Xavier está gravado
no monumento localizado no interior do quartel do
Regimento de Infantaria N.º 19 (RI19) em Chaves. O
grande pórtico visível na imagem — designado como
Monumento aos Mortos da Guerra do Ultramar — homenageia
especificamente todos os militares naturais do concelho
de Chaves que tombaram no conflito colonial. Os nomes
dos combatentes flavienses encontram-se gravados em
ordem alfabética nas colunas de pedra cinzenta que
sustentam a estrutura principal. Como o soldado era
natural de Lages, na freguesia de Lama de Arcos,
concelho de Chaves, a sua identidade integra esta
listagem oficial do concelho gravada na pedra, para que
o seu sacrifício nunca seja esquecido.

À sua família, aos seus camaradas da
CCaç 556 «SEM PAVOR», e à sua terra de Lages, presta-se
aqui pública homenagem.
Honra e Glória ao Soldado Atirador
Francisco Fernandes Xavier.
