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Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Vale de Cambra

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho do Vale de Cambra

 

 

Vila Chã

 

António Augusto Soares Almeida

 

Furriel Mil.º Atirador de Infantaria, n.º 07313070

 

Companhia de Caçadores 3474

 

Batalhão de Caçadores 3868

«OMNES IN UNUM»

 

Moçambique: 04Dez1971 a 13Out1972 (data do falecimento)

EM MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

FURRIEL MILICIANO ATIRADOR N.º 07313070
ANTÓNIO AUGUSTO SOARES ALMEIDA
"Tono d' Amelita"
Falecido em Serviço de Portugal - 13 de Outubro de 1972

I – IDENTIFICAÇÃO E ORIGEM

António Augusto Soares Almeida, Furriel Miliciano Atirador de Infantaria, n.º 07313070.

Filho de António da Silva Almeida e de Maria Amélia de Almeida. Estado civil solteiro. Natural da freguesia de Vila Chã, concelho de Vale de Cambra, onde era conhecido carinhosamente por todos como o "Tono d' Amelita".

Um nome de afeto, de família e de terra, que o acompanhou do adro da sua freguesia natal até às picadas de Cabo Delgado. O seu local de sepultura é o Cemitério de Vila Chã, onde permanece na memória e no respeito da sua gente.

Faleceu no dia 13 de Outubro de 1972, no itinerário Mocímboa da Praia – Ponte do Rio Sinheu – Diaca, distrito de Cabo Delgado, Província Ultramarina de Moçambique. Causa da morte: Ferimentos em combate (a) - Observações (a) Mina anti-carro incendiária - Queimaduras.

II – A MOBILIZAÇÃO – O CHAMAMENTO DE TOMAR

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 15 (RI 15 – Tomar), herdeiro do lema «NON NOBIS» - «FIRMES E CONSTANTES».

Para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique, integrou o Batalhão de Caçadores 3868, com a divisa «OMNES IN UNUM» - Todos em Um Só. Batalhão que no seu distintivo apresenta a Cruz de Cristo a vermelho sobre campo branco e azul, com as designações das suas subunidades: CCS, CCaç 3472, CCaç 3473 e CCaç 3474.

O Batalhão era comandado pelo Tenente-Coronel de Infantaria António Monteiro de Oliveira Leite, tendo como 2.ºs Comandantes o Major de Infantaria João da Paz Laranjo Mourato e o Major de Infantaria Luís dos Santos Rafael.

O seu Batalhão teve ainda sob seu comando operacional as subunidades CArt 3505, CCav 3320, CCav 3559 e 1.ª CCaç/BCaç 15, CCaç 2727, CArt 3570, CArt 7254/72 e CCaç 4542/72.

António Almeida integrou a Companhia de Caçadores 3474, comandada pelo Capitão Miliciano Rafael Ângelo Pereira dos Santos Oliveira.

III – A TRAVESSIA E A CHEGADA A CABO DELGADO

No dia 04 de Dezembro de 1971, embarcou na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Império’, integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 3474.

Após longa travessia, rumo a Mocímboa da Praia, no distrito de Cabo Delgado, desembarcou no dia 02 de Janeiro de 1972. O regresso do Batalhão ocorreria apenas em Março e Abril de 1974, por via aérea.

A Companhia trazia no seu crachá a Cruz de Cristo a vermelho sobre fundo negro, orlada a ouro, com a legenda MOÇAMBIQUE 22-12-71 a 22-12-73.

No seu guião, ostentava sobre fundo amarelo-ouro, ladeado a vermelho e preto, o mapa verde de Moçambique com a Cruz de Cristo ao centro, entre uma coroa de louros e uma espada empunhada. Nos quatro cantos, o guião é ladeado com o escudo de armas da Província Ultramarina de Moçambique.

Em Mocímboa da Praia, a CCaç 3474 rendeu a CCaç 2702 do Batalhão de Caçadores 2913, unidade com o lema «FACTA NON VERBA» e a divisa «NON NOBIS», cujo distintivo ostenta a Cruz de Cristo e as armas de Tomar.

IV – A ACTIVIDADE OPERACIONAL DA CCAC 3474 ATÉ 13 DE OUTUBRO DE 1972

Desde o seu desembarque em Janeiro de 1972 e até à data do falecimento do Furriel António Almeida, a actividade operacional da CCaç 3474 foi intensa, exigente e de risco permanente, própria da guerra subversiva no norte de Moçambique.

Logo após a sua instalação em Mocímboa da Praia, a Companhia destacou uma secção reforçada para a defesa e controlo da Ponte sobre o Rio Sinheu, ponto nevrálgico e vital para a circulação no itinerário para Diaca. Este destacamento, dada a importância táctica do local, viria a ser aumentado para um pelotão.

De Janeiro de 1972 a Outubro de 1972, a sua missão principal consistiu fundamentalmente em escoltas a colunas automóveis e em patrulhamentos na zona de acção de Mocímboa da Praia. Era um trabalho diário, anónimo e perigoso: abrir picadas minadas, garantir o abastecimento, negar o uso do terreno ao inimigo e proteger as populações.

Neste quadro de grande actividade, e precisamente no período que antecedeu o seu falecimento, a Companhia, a partir de 01 de Outubro de 1972, passou a reforçar com dois pelotões a Companhia de Artilharia 3505 em Diaca. A CArt 3505, do Batalhão de Artilharia 3877, ostenta no seu distintivo o mapa de Moçambique fendido e a divisa «ONTEM HOJE AMANHÃ – VITÓRIA NA JUSTIÇA» e «VITÓRIA NA JUSTIÇA».

Foi neste contexto que a CCaç 3474 tomou parte nas operações de grande envergadura designadas "Balada", "Afluente" e "Olimpo", operações de cerco, batida e limpeza onde o perigo das minas anti-carro incendiárias era a maior ameaça.

Foi a cumprir esta missão de ligação e escolta, no itinerário que a sua Companhia tão bem conhecia, entre Mocímboa da Praia e Diaca, que a guerra lhe ceifou a vida.

V – O DIA 13 DE OUTUBRO DE 1972 – O SACRIFÍCIO

No itinerário Mocímboa da Praia – Ponte do Rio Sinheu – Diaca, a viatura onde seguia o Furriel António Augusto Soares Almeida acionou uma mina anti-carro incendiária.

A deflagração provocou-lhe queimaduras de extrema gravidade que lhe foram fatais. Morreu em combate, no cumprimento do dever, ao serviço da sua Companhia, do seu Batalhão e de Portugal.

Era o cumprimento extremo do juramento prestado em Tomar. Firme e constante até ao último momento.

VI – MEMÓRIA E HOMENAGEM FINAL

Hoje, passados mais de cinquenta anos, o nome de António Augusto Soares Almeida permanece inscrito não apenas na fria ficha militar arquivada, mas na memória viva de Vila Chã e dos seus camaradas de armas.

Lembramos o jovem de Vale de Cambra que partiu da Gare da Rocha com vinte e poucos anos, integrado num Batalhão que se queria «Omnes in Unum», todos num só, e que assim viveu: em camaradagem, em solidariedade e em dever.

Lembramos o Furriel Atirador, graduado, exemplo para os seus soldados. Para a sua família, para os seus camaradas da CCaç 3474 / BCaç 3868, para a sua terra que o chamava "Tono d' Amelita", e para Portugal, fica o nosso preito de honra, de saudade e de eterna gratidão.

Que a sua alma descanse em paz no cemitério da sua terra, sob o mesmo céu de Vila Chã que o viu nascer. Que a sua coragem não seja esquecida.

Honra e Glória à sua Memória.

 

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