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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos aos Combatentes
e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
Para
visualização dos conteúdos clique em
cada um dos
sublinhados
Listagem dos mortos naturais do concelho
da
Grândola

Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão
Imagem cedida por
Artur Vendas
Pereira
ex-1º Cabo
Radiotelegrafista nº 120940/72,
BArt3861/CCS
Laurentino Luís
Ventura

1.º Cabo Atirador de Infantaria, n.º
14063870
Companhia de Caçadores
3310
Batalhão de Caçadores 3834
«SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»
Moçambique: 20Fev a
10Out1971 (data do falecimento
MEMÓRIA E HOMENAGEM
Evocação do 1.º Cabo Atirador
Laurentino Luís Ventura
Companhia de Caçadores 3310 | Batalhão de Caçadores 3834
1. A Pátria Natal e a Partida para o
Ultramar
Natural do laborioso sítio de Minas do
Lousal, na freguesia de Azinheira dos Barros e São
Mamede do Sádão, concelho de Grândola, o jovem
Laurentino Luís Ventura viu a sua juventude marcada pelo
dever
militar.
Filho de Gregório Ventura e de
Margarida Luísa, era solteiro quando respondeu à
mobilização para servir no Ultramar.
O seu percurso militar levou-o até ao
norte de Portugal, tendo a sua instrução e mobilização
sido coordenadas pelo Batalhão de Caçadores n.º 10, em
Chaves, antes da integração definitiva na subunidade
operacional.
No
dia 24 de janeiro de 1971, no Cais de Alcântara, em
Lisboa, o então 1.º Cabo Atirador de Infantaria, n.º
14063870, despediu-se do Continente.
Embarcou no Navio de Transporte de
Tropas (NTT) Niassa, integrado num dos
grupos
de combate da Companhia de Caçadores 3310 do Batalhão de
Caçadores 3834. Sob o lema regimentar «SEMPRE EXCELENTES
E VALOROSOS», o contingente iniciou uma longa viagem
transoceânica rumo ao Teatro de Operações de Moçambique,
onde veio a desembarcar a 20 de fevereiro de 1971, no
porto marítimo de Porto Amélia.
2. O Contexto e a Atividade Operacional
em Omar
 Imediatamente
após o desembarque, a CCaç 3310 — sob o comando do
Capitão de Infantaria Alcino Alves da Costa Pina — foi
projetada para o isolado e perigoso aquartelamento de
Omar, no Planalto dos Macondes, província de Cabo
Delgado. Ali
rendeu
a CCaç 2621/BCaç 2894.
A sua subunidade a partir de 19 de
Abril de 1971, esteve reforçada com dois pelotões da
CCaç 2793, sedeada em Mocímboa do Rovuma.
A região constituía uma zona de
subversão muito ativa e de extrema perigosidade, junto à
fronteira com a Tanzânia, exigindo dos militares um
esforço físico e psicológico desmedido na defesa da
soberania territorial.
Desde a sua chegada em março de 1971
até ao trágico mês de outubro do mesmo ano, a atividade
diária da companhia foi marcada por um ritmo operacional
incessante e de altíssimo risco.
O aquartelamento de Omar sofria
frequentes flagelações inimigas com morteiros de 82 mm e
canhões sem recuo (Canh SR).

Aquartelamento de Omar
No terreno, a prioridade máxima da
companhia centrava-se na abertura e desminagem do
itinerário Omar – Mocímboa do Rovuma, uma artéria vital
constantemente fustigada pela implantação de uma grande
quantidade de engenhos explosivos e minas por parte da
guerrilha.
Para lá da exigente e minuciosa
deteção de minas na picada, que frequentemente causava
baixas nas Nossas Tropas (NT), o grupo de combate de
Laurentino Luís Ventura participou ativamente em
patrulhamentos e operações de nomadização.
A companhia operava de forma regular
nas densas zonas de infiltração do Kilido e no vale do
rio Nange. Neste exigente cenário, destacaram-se as
conduções das operações "Bombordo 8, 12 e 19", bem como
as operações "Olho Vivo 14 e 25", "Bombordo 14" e
"Badanal", nas quais a valentia dos militares foi
repetidamente testada.
3. A Operação “Lastro I” e o Sacrifício
Supremo
No dia 10 de outubro de 1971, a
intensidade dos combates cobrou o seu tributo mais alto.
No decorrer da operação batizada como
“Lastro I”, desenhada para garantir a segurança e a
circulação na periferia do aquartelamento, o perigo
materializou-se no itinerário compreendido entre Omar e
o Posto de Água n.º 34. Foi nesta missão que o 1.º Cabo
Laurentino Ventura e o seu grupo de combate enfrentaram
o fogo inimigo em condições extremas.
No cumprimento do seu dever e na
proteção dos seus camaradas de armas, o jovem combatente
alentejano foi gravemente atingido, sofrendo severos
ferimentos em combate. Apesar dos esforços de evacuação
e da assistência médica prestada, Laurentino Luís
Ventura não resistiu à gravidade das lesões, vindo a
falecer nesse mesmo dia na Enfermaria do Sector “B”,
localizada em Mueda. Tinha cumprido escassos oito meses
de comissão em solo moçambicano.

Mueda

Com a devida vénia
publicamos a foto da autoria de
Manuel Correia de
Bastos, Furriel Mil.º da CArt 3503
4. A Homenagem Perpétua e o Repouso Final
O sacrifício do 1.º Cabo Laurentino
Luís Ventura permanece como um testemunho perene de
coragem, lealdade e abnegação. O seu nome ficou inscrito
com sangue na história militar portuguesa e na memória
coletiva daqueles que com ele partilharam os perigos das
picadas de Cabo Delgado, honrando a farda que envergava
e os pergaminhos do Batalhão de Caçadores 3834.
O corpo do militar regressou
transladado à sua terra natal, repousando hoje em solo
sagrado no Cemitério de Azinheira de Barros, no concelho
de Grândola. Ali, no coração do Alentejo que o viu
nascer, a sua memória é guardada com o devido respeito,
prestando-se esta justa homenagem ao homem e ao soldado
que deu a vida pelo seu país.
Paz à sua alma.
Cemitério de Azinheira de Barros, no
concelho de Grândola:


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