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Almodôvar

Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas

 

Monumentos aos Combatentes e Campas

(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos combatentes)

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Almodôvar

 

Para visualização dos conteúdos clique nos sublinhados que se seguem:

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Almodôvar

 

 
Senhora da Graça de Padrões
 
Com a devida vénia, elementos e fotos extraídos do blogue – “Do Tejo ao Rovuma”, do veterano Carlos Vardasca
 

António José Pereira

 

1.º Cabo Atirador, n.º 11934670

 

Companhia de Caçdores 3309

 

Batalhão de Caçadores 3834

«SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»

 

Moçambique: 20Fev1971 a 05Jul1972 (data do falecimento)

 

in Memoriam:

 

1.º Cabo Atirador António José Pereira (1971-1972) – Um Filho de Almodôvar em Cabo Delgado

1. Identificação e Origens


António José Pereira, conhecido carinhosamente entre os seus camaradas-de-armas pela alcunha de “Alentejano”, nasceu na freguesia de Senhora da Graça de Padrões, situada no concelho de Almodôvar.

Filho de Manuel Anacleto Pereira e de Maria Inácia, era um jovem solteiro quando foi chamado a cumprir os seus deveres militares. No seio da sua unidade, a sua dedicação levou-o a alcançar o posto de Primeiro-Cabo Atirador, ficando registado sob o número de matrícula militar 11934670.

2. Mobilização e Embarque

A sua preparação para o cenário de guerra iniciou-se com a mobilização através do Batalhão de Caçadores n.º 10, uma unidade sediada na cidade de Chaves. Daí, foi integrado na Companhia de Caçadores n.º 3309 do Batalhão de Caçadores n.º 3834, uma subunidade que se encontrava sob o comando do Capitão Miliciano Hélio Augusto Moreira.

O início do seu percurso ultramarino deu-se em Lisboa, no dia 24 de Janeiro de 1971, data em que embarcou no Navio Transporte de Tropas ‘Niassa’. Após uma longa viagem marítima, o contingente desembarcou em Porto Amélia, na província de Moçambique, a 20 de Fevereiro de 1971.

3. Percurso e Actividade Operacional em Moçambique

Assim que chegou a Moçambique, a Companhia de Caçadores n.º 3309 foi imediatamente colocada na complexa região de Nangade, no distrito de Cabo Delgado, onde rendeu a Companhia de Caçadores n.º 2622 e passou a actuar sob o comando operacional do Batalhão de Artilharia n.º 2918.

Poucos meses depois, a 9 de Maio de 1971, a companhia do "Alentejano" foi transferida para Tartibo, localidade também designada por Nova Torres, trocando de posição com a Companhia de Artilharia n.º 2745.

Mais tarde, a 23 de Fevereiro de 1972, a subunidade regressou a Nangade para voltar a render a Companhia de Artilharia n.º 2745, passando a integrar o dispositivo do Batalhão de Artilharia n.º 3876.

Ao longo de toda a comissão, entre Fevereiro de 1971 e Novembro de 1972, a companhia manteve uma intensa actividade militar, participando activamente nas operações "Iniciação 1", "Adaga 2" e "Barca 1" entre os lagos Nangade e Lidede, na operação "Barragem" na área de Tartibo, nas operações "Flecha 8 e 9" no vale do rio Rovuma, na operação "Bacamarte" na zona do lago Lidede, na operação "Bastão 2" e, finalmente, na operação "Bicéfalo 4" na região da base Boane.

 

António José Pereira em primeiro plano


4. O Fim da Linha em Combate

Foi precisamente durante o cumprimento destas exigentes missões na fustigada Região de Nangade que a tragédia aconteceu.

No dia 5 de Julho de 1972, no decurso das acções operacionais, a fatalidade cruzou-se com a Companhia de Caçadores n.º 3309.

As circunstâncias exactas desse dia fatídico ficaram registadas na primeira pessoa pelo veterano Manuel Inácio de Aguiar P. Cardoso, Primeiro-Cabo Auxiliar Enfermeiro NM 08648170 da mesma subunidade, que relatou o sucedido nos seguintes termos:

“(...) Numa madrugada solarenga, partimos de Nangade com destino a Muidine, para mais uma operação militar rotineira, em duas viaturas, uma Berliet à frente e uma Mercedes atrás.


Eu era enfermeiro da viagem; - Ia na viatura detrás com alguns soldados e o capitão "CHECA", mais conhecido por capitão "pistolas".


Tínhamos andado poucos quilómetros, e ainda estávamos próximos de Nangade, quando num ápice se deu um violento rebentamento. A viatura onde eu ia circulava a cerca de duzentos metros da viatura da frente, por motivos de segurança e pelo pó que fazia.


O cenário que me ficou na retina nunca mais o vou esquecer: triste, desolador, "pó era mato", bocados da viatura voavam a bastantes metros de altura e de seguida fez-se silêncio por alguns segundos. Fui ver mais de perto, aproximei-me da viatura minada, e o capitão "pistolas" verificava o terreno, confirmando que ainda estavam duas minas anti-carro por rebentar.


Tinham rebentado duas à frente do lado esquerdo e as outras duas minas eram supostamente para rebentar no rodado detrás, do lado esquerdo também, tendo em conta a sua colocação. Mesmo assim, ficou um buracão na picada e a Berliet toda danificada, como podem verificar pela foto.

 


Havia muitos feridos, alguns sentados na berma da picada, olhavam-me nos olhos mas não falavam, não sabiam onde estavam nem o que faziam, estavam atordoados com o rebentamento. Dirigi-me de seguida para o lado direito da viatura, onde se encontrava o "Alentejano", deitado ao comprido na valeta da picada, com o cinturão das munições da metralhadora à cinta. Tinha a cabeça partida e os miolos inteirinhos no chão, sendo o único morto confirmado no local.


Evacuei 14 ou 15 militares na viatura para Nangade, entre os quais o Portugal, que tive alguma dificuldade em reconhecer devido ao estado em que se encontrava, pois tinha a cara toda preta. Todos estes feridos bem como o falecido "Alentejano" foram depois evacuados para o hospital de Mueda (...)
”.

Após a evacuação descrita, o corpo do Primeiro-Cabo António José Pereira fez mais tarde a derradeira viagem de regresso à pátria, tendo sido transladado para o Alentejo, onde foi sepultado no Cemitério de Aljustrel.

5. Homenagem Eterna


O Primeiro-Cabo António José Pereira, eternizado pelos seus pares como o “Alentejano”, permanece como um símbolo vivo do sacrifício e da coragem de toda uma geração que serviu no Ultramar.

 

Olhando as imagens que restaram da época, onde surge fardado com o seu uniforme camuflado e ostentando com orgulho a boina castanha da infantaria, recordamos o jovem audaz que enfrentou as picadas e os rios de Cabo Delgado.

 

Esta homenagem é o testemunho do profundo respeito dos seus camaradas da Companhia de Caçadores n.º 3309 e o garante de que o seu nome e o seu sacrifício supremo nunca serão apagados da história de Portugal, de Almodôvar e de Aljustrel.


Paz à sua Alma

 


 

Nota: As imagens foram processadas por inteligência artificial

 

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