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Condecorações

Manuel Joaquim Várzea do Sado, Soldado Atirador de Infantaria

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"
Barata da Silva
, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

 

 

HERÓI NACIONAL e VENDASNOVENSE

 

«...militar heroico constituiu um exemplo para toda a juventude que se bate pela Pátria, pela qual fez a suprema dádiva a sua vida.»

 

Manuel Joaquim Várzea do Sado

 

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 07124066

 

Companhia de Caçadores 1686

«OS FERAS DA GUINÉ»

 

Batalhão de Caçadores 1912

«VALENTES DESTEMIDOS»

 

Guiné: 14Abr a 07Out1967 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 4.ª classe

(Título póstumo)

EM MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

Soldado Atirador de Infantaria Manuel Joaquim Várzea do Sado (n.º 07124066)

1. Identificação e Origem

Manuel Joaquim Várzea do Sado, Soldado Atirador de Infantaria, n.º 07124066.

Nascido na freguesia e concelho de Vendas Novas, filho de Joaquim Marques Sado e de Jacinta Maria Fonseca, de estado civil solteiro. A sua ficha de registo, que integra este processo de memória, confirma a naturalidade, a filiação e a sua subunidade de origem: Companhia de Caçadores 1686 / Batalhão de Caçadores 1912,

Unidade Mobilizadora: Regimento de Infantaria 16 - Évora.

Partiu como um jovem de Vendas Novas chamado a cumprir o serviço à Pátria, levando consigo o nome da sua terra.

2. Mobilização e Partida para a Guiné

Foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria 16 (RI16 - Évora), cujo brasão ostenta com honra o lema «CONDUTA BRAVA EM TUDO DISTINTA».

No dia 08 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT 'Uíge', integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 1686 «OS FERAS DA GUINÉ» do Batalhão de Caçadores 1912 «VALENTES E DESTEMIDOS».

A viagem teve como destino o estuário do Geba, em Bissau, onde desembarcou no dia 14 de Abril de 1967.

O Batalhão, conforme consta na sua ficha de identificação, era comandado pelo Tenente-Coronel de Infantaria Artur Afonso Pereira Rodrigues e a CCac 1686 pelo Capitão Miliciano de Infantaria José de Matos Correia Barradas.

3. Vida Operacional em Mansoa

A sua subunidade de infantaria seguiu em 15 de Abril de 1967 para Mansoa, a fim de efectuar a adaptação operacional e integrar o dispositivo e manobra do seu batalhão como subunidade de intervenção e reserva do Sector.

Ali, no coração da Guiné, cumpriu o seu dever de soldado.

A CCac 1686 realizou diversas operações nas regiões de Locher, Polibaque e Ponta Bará, entre outras, em terrenos de mata densa, sob condições extremas, mantendo sempre a operacionalidade e o espírito de corpo que caracterizava os "Feras".

4. O Combate de 7 de Outubro de 1967 - Tenha - Locher

Faleceu no dia 7 de Outubro de 1967, em consequência de ferimentos em combate, aquando do golpe-de-mão executado sobre o acampamento inimigo no Tenha - Locher (Mansoa - Mamboncó).

Naquela acção, integrada na Operação "Fru-Fru", o Soldado Várzea do Sado manteve-se de pé, com a sua metralhadora, a acorrer aos locais onde o fogo inimigo era mais nutrido, impondo-se sempre, até ser atingido e cair mortalmente ferido.

O seu corpo não foi recuperado. Permaneceu em terras da Guiné, terra que o viu combater até ao último alento. O local de operações e a circunstância - "Ferimentos em combate" e "Corpo não recuperado" - constam expressamente na sua ficha individual.

Naquele mesmo dia, e durante o referido golpe-de-mão, tombaram com ele:

Balaque Churia, carregador nativo;

António Manuel Cabeçana, Soldado Atirador de Infantaria n.º 07031866, natural da freguesia da Sé, concelho de Évora - corpo não recuperado;

António Gabriel Beco, Soldado Atirador de Infantaria n.º 06745566, natural do lugar do Monte da Boavista, freguesia do Couço, concelho de Coruche, que veio a falecer no dia 13 de Outubro de 1967, no Hospital Militar 241 (HM241 - Bissau);

Nhame Tchandjelam, caçador nativo.

Cinco vidas unidas no mesmo sacrifício.

5. O Comunicado Oficial

Num comunicado do Serviço de Informação Pública (SIP) das Forças Armadas, publicado no vespertino "Diário de Lisboa", edição 16097, pág. 12, de 11 de Outubro de 1967, comunicava-se oficialmente o desaparecimento em combate na Guiné:

"...os soldados 07031866, António Manuel Cabeçana, natural de Freijal da Eira, concelho de Évora, filho do sr. Joaquim Francisco Cabeçana e da sr.ª D. Vitória de Jesus Cabeçana, e 07124066, Joaquim Várzea do Sado, natural de Vendas Novas e filho do sr. Joaquim Marques do Sado e da sr.ª D. Jacinta Maria Fonseca do Sado."

Era o País a tomar conhecimento, com quatro dias de atraso, do supremo sacrifício.

6. Condecoração e Louvor - O Reconhecimento do Heroísmo

Agraciado com a Cruz de Guerra de 4.ª classe, nos termos do artigo 12.º do Regulamento da Medalha Militar, promulgado pelo Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de 1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 4 de Junho de 1968, a título póstumo, publicado na Ordem do Exército n.º 25 - 3.ª série, de 1969.

A condecoração deve-se ao louvor publicado na Ordem de Serviço n.º 39, de 12 de Setembro de 1968, do Quartel-General do Comando Territorial Independente da Guiné (QG/CTIG), cuja transcrição integral é o mais justo retrato do seu valor:

"Louvado, a título póstumo, o Soldado n.º 07124066, Manuel Joaquim Várzea do Sado, da Companhia de Caçadores 1686 do Batalhão de Caçadores 1912, porque durante a operação 'Fru-Fru' demonstrou possuir altas qualidades de desembaraço, valentia, sangue-frio e serena energia debaixo de fogo, conservando-se de pé e acorrendo aos locais onde o fogo inimigo era mais nutrido, impondo-se sempre com a sua metralhadora, até ser atingido e cair mortalmente ferido.

Merecedor da admiração de todos os camaradas de armas, este militar heroico constituiu um exemplo para toda a juventude que se bate pela Pátria, pela qual fez a suprema dádiva - a sua vida."

Nada mais precisa de ser acrescentado. O Exército reconheceu nele o exemplo.

7. Memória e Homenagem Perene

O seu nome não foi esquecido.

Está gravado na lápide junto ao Monumento existente no jardim da Escola Prática de Artilharia, hoje Regimento de Artilharia 5, em Vendas Novas:

Está igualmente gravado no novo lapidário nominal em Homenagem aos Combatentes do Concelho de Vendas Novas, sito no Jardim dos Combatentes, junto à sede do Núcleo da Liga dos Combatentes:

Ali, em pedra, vive o nome de Manuel Joaquim Várzea do Sado - Soldado Atirador, Fera da Guiné, Valente e Destemido, de Conduta Brava em Tudo Distinta - que partiu de Vendas Novas e não regressou, porque deu à Pátria a suprema dádiva: a sua vida.

Que a sua memória perdure. Que o seu sacrifício nunca seja em vão.

Descansa em Paz

   
 

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