António Lopes Mendes

Soldado Atirador de Infantaria, n.º
01953266
Companhia de Caçadores
1590
Batalhão de Caçadores 1894
«NON NOBIS»
«JUSTOS E FORTES»
Guiné: 12Ago1966 a
02Out1967 (data do falecimento)
Em Memória e Homenagem
ao
Soldado Atirador de Infantaria n.º
01953266
ANTÓNIO LOPES MENDES
Faleceu em Ingoré, Guiné Portuguesa, a 02 de Outubro de
1967
1.
Identificação
António Lopes Mendes, Soldado Atirador
de Infantaria, com o número mecanográfico 01953266 -
19532/66.
Natural do lugar de Ladrugães,
Freguesia de Reigoso, Concelho de Montalegre. Filho de
Domingos Mendes e de Maria Lopes Mendes. Estado civil:
solteiro.
Faleceu a 02 de Outubro de 1967, no
local de operações de Ingoré, na Guiné Portuguesa. Causa
da morte: ferimentos em combate. Encontra-se sepultado
no Cemitério Paroquial de Ladrugães.
É com profunda veneração que, evocamos
o seu nome e o seu exemplo.
2.
Mobilização e Unidade
Foi
mobilizado pelo Regimento de Infantaria 15 (RI 15 –
Tomar), cuja divisa histórica é «NON NOBIS» - «FIRMES E
CONSTANTES».
No RI 15 foi organizado o Batalhão de
Caçadores 1894 (BCac 1894), com a divisa «NON NOBIS» -
«JUSTOS E FORTES», sob o comando do Tenente-Coronel de
Infantaria Fausto Laginha dos Ramos.
Como 2.º Comandantes o Major de
Infantaria Domingos André e o Major de Infantaria
António da Graça Bordadágua. Oficial de Informações e
Operações /
Adjunto
o Capitão de Infantaria Henrique José Gonzalez Costa
Jardim.
Foi integrado num grupo de combate da
Companhia de Caçadores 1590 (CCac 1590)
,
subunidade do BCac 1894.
A Companhia de Caçadores 1590 era
comandada pelo Capitão de Infantaria Aires Jorge da
Costa Gomes.
A Companhia de Comando e Serviços pelo
Capitão Anúplio Loysik Cardoso de Sampaio, a CCac 1588
pelo Capitão Álvaro de Bastos Miranda e a CCac 1589 pelo
Capitão Henrique Vitor Guimarães Peres Brandão.
O Soldado António Lopes Mendes cumpriu
o seu dever até ao fim, fiel ao juramento e à divisa do
seu Batalhão.
3.
Partida para a Guiné Portuguesa
No dia 03 de Agosto de 1966 – conforme
registo oficial do BCac 1894, sendo que a informação
complementar da família refere o mesmo dia na Gare
Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa –
embarcou no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Ana
Mafalda’, integrado na sua Companhia de Caçadores.
A travessia teve como destino o
estuário do Geba, em Bissau, na Guiné Portuguesa, onde
desembarcou no dia 12 de Agosto de 1966. O grosso do
Batalhão havia embarcado a 30 de Julho e desembarcado a
04 de Agosto desse mesmo ano.
Iniciava-se então uma comissão de
serviço que duraria até 09 de Maio de 1968, data do
embarque de regresso do Batalhão.
4.
Enquadramento e Actividade Operacional da CCac 1590 até
02 de Outubro de 1967
A
CCac 1590 ficou colocada inicialmente em Bissau, como
subunidade de
intervenção
e reserva do Comando-Chefe.
Nessa condição, foi prioritariamente
atribuída em reforço do BCac 1857, tendo-se deslocado
para Mansoa a fim de actuar em diversas operações
realizadas nas regiões de Date, Bará, Bissorã e
Olossato, entre outras. Esses períodos de intensa
actividade operacional decorreram de 23
de
Agosto de 1966 a 01 de Setembro de 1966, de 19 de
Setembro de 1966 a 10 de Outubro de 1966 e de 21 a 24 de
Outubro de 1966.
Em 03 de Dezembro de 1966, foi
integrada no dispositivo do seu Batalhão, instalando-se
em Ingoré, com vista à realização de operações nos
corredores de Canja e Sano e mantendo um pelotão
destacado, ora em Barro, ora em S. Domingos, ora em
Susana.
Após deslocamento para S. Domingos,
desde
04 de Maio de 1967, para a realização de acções de
contra-penetração naquela área, com destaque para a
operação “Drambuie I”, regressou a Ingoré, a fim de, em
13 de Julho de 1967, em substituição da CCav 1482,
assumir a responsabilidade do respectivo subsector, com
um pelotão destacado em Sedengal.
Foi neste subsector de Ingoré, de
enorme exigência operacional, de patrulhamentos
constantes, emboscadas e acções de protecção às
populações, que o Soldado António Lopes Mendes cumpriu
os seus últimos meses de serviço.
5. A
Morte em Combate
No dia 02 de Outubro de 1967, em
Ingoré, no cumprimento de uma missão operacional no seu
subsector, o Soldado Atirador António Lopes Mendes foi
atingido por fogo inimigo.
Tombou em consequência de ferimentos
em combate. Morreu de armas na mão, como Caçador, como
Infante, como Português. Cumpriu até ao limite o
preceito mais nobre da condição militar: dar a vida
pelos seus camaradas e pela missão que lhe foi confiada.
O seu sacrifício inscreve-se no rol
dos militares que tombaram na Guiné, naquele que foi o
teatro de operações mais duro e mais exigente da Guerra
do Ultramar.
6.
Memória e Homenagem
Recordar António Lopes Mendes é
recordar um jovem transmontano de Ladrugães, de Reigoso,
de Montalegre, que deixou a sua terra para servir
Portugal longe, numa guerra que não escolheu.
É recordar o Soldado Atirador que
honrou o nº 01953266, que honrou o RI 15 de Tomar e que
honrou a CCac 1590 e o BCac 1894 – JUSTOS E FORTES.
A sua memória permanece viva no
Cemitério Paroquial de Ladrugães, onde repousa, na
memória dos seus camaradas de armas da CCac 1590 que com
ele privaram até ao último dia, e na história do
Exército Português.
Que o seu nome não seja esquecido. Que
o seu exemplo de firmeza e constância perdure.
Paz à sua Alma. Honra à sua Memória.
“NON NOBIS” – “JUSTOS E FORTES”
