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Condecoração

António José Botelho Amaral de Melo, Soldado Pára-Quedista, do 2ºPel/CCP121/BCP12

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"
 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

  HONRA E GLÓRIA

Elementos e imagens cedidas pelo PQ Pedro Castanheira

e outros elementos cedidoso por um colabotrador do portal UTW

 

António José Botelho Amaral de Melo

 

Soldado Pára-Quedista Apontador de Metralhadora Ligeira MG42, n.º 1487/71

 

Guiné: 16Mai1972 a 30Mai1973 (data do falecimento)

 

2.º Pelotão da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121

 

Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 12

«UNIDADE E LUTA»

 

Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné «ESFORÇO E VALOR»

 

Cruz de Guerra de 3.ª Classe

(a título póstumo)

 

Prémio Governador da Guiné

 

 

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados existentes no texo que se segue:

 

António José Botelho Amaral de Melo, Soldado Pára-Quedista Apontador de Metralhadora Ligeira MG42, n.º 1487/71, nascido no dia 17 de Agosto de 1950, no lugar de Rosto do Cão, na freguesia de São Roque, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, arquipélago dos Açores;


Em Março de 1971, incorporado no Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM»;


Em 27 de Agosto de 1971, concluiu o 68.º Curso de Paraquedismo Militar e foi-lhe concedido o brevet n.º
10378;

 

Em 16 de Maio de 1972, mobilizado pelo Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné, integrado na 2.ª Secção do 2.º Pelotão da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121 (CCP121) do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 12 (BCP12) «UNIDADE E LUTA» da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné (ZACVG) «ESFORÇO E VALOR»;


Louvado por feitos em combate no teatro de operações da Guiné, por despacho de Sua Excelência o General Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 24 de Março de 1973, publicado na Ordem de Serviço n.º 14 do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 30 de Março de 1973 e na Ordem de Serviço n.º 81, do Batalhão de Caçadores 12, páginas 434 e 434, de 05 de Abril de 1973:


O Soldado Pára-quedista N.º 1487/71, ANTONIO JOSÉ BOTELHO DE AMARAL MELO, da Companhia de Caçadores Pára-quedistas N.º 121 do BCP12, pelas excelentes qualidades morais e militares reveladas e pela actividade desenvolvida durante o período em que tem servido naquela Companhia sempre no desempenho de funções operacionais.


Nomeado para apontador de metralhadora MG logo no início da sua comissão soube tirar dela sempre o máximo rendimento, tendo na Operação "Cavalo Louco" sido citado pela maneira inteligente e ousada com a utilizou durante dois contactos com o IN, abatendo no primeiro contacto um elemento IN e ferido outro e contribuindo no segundo para pôr em debandada o IN.


Indicado diversas vezes para a primeira equipe em héli-assaltos mostrou-se elemento de grande valor, pela forma decidida como fazia aproximação dos objectivos.


Militar valente e audaz, de grande coragem moral, tem-se feito notar pela forma tenaz e incansável como actua em operações, mostrando-se sempre um óptimo exemplo para quem actua a seu lado, merecendo assim que lhe seja prestado público louvor, e apontado como elemento prestigiante das Tropas Pára-quedistas que tem servido com devoção extrema e no T.O. da Guiné prestado importantes serviços à Pátria.


Em 23 de Maio de 1973, no decurso da Operação "MAMUTE DOIDO" efectuada no norte-centro da Guiné, gravemente ferido durante emboscada do PAIGC lançada sobre o final do itinerário Genicó > Bolanha do Cufeu, seguidamente evacuado para o Hospital Militar 241, em Bissau, onde veio a falecer pelas 22:00 de 30 de maio de 1973; naquela operação, faleceram os Soldados Pára-Quedistas Peixoto, Vitoriano e Lourenço;

 

Do livro "A Última Missão", pág. 478, da autoria do Coronel de Infantaria PQ José Alberto de Moura Calheiros:

 

 

Campa do malogrado Militar - PQ António José Botelho Amaral de Melo, cemitério da freguesia do Livramento (Rosto do Cão), cedida por João Paulo Ramos:

 

Clique na imagem que se segue para ampliação

 

 


No dia do seu falecimento, a Repartição de Pessoal e Logística do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné, emitiu o ofício n.º 1180/PL/73 dirigido ao Secretariado do Estado da Aeronáutica, dando conta que o Soldado Pára-Quedista n.º 1487/71 António José Botelho de Amaral Melo foi distinguido com o “Prémio Governador da Guiné”, o qual seguiria para Lisboa no avião dos TAP em 19 de Junho de 1973 e regressaria a Bissau no dia 25 de Julho de 1973;


Louvado, a título póstumo, por feitos em combate no teatro de operações da Guiné, por despacho de Sua Excelência o General Comandante Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 12 de Março de 1974;


Agraciado a com a Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª classe, a título póstumo, pela Portaria de 18 de Abril de 1974, publicado na Ordem de Serviço n.º 16, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 23 de Março de 1974:


Soldado Pára-quedista
ANTÓNIO JOSÉ BOTELHO DE AMARAL MELO


Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª Classe


Por portaria de 18 de Abril de 1974


Sua Excelência o General Comandante Chefe das Forças Armadas da Guiné, por seu despacho de 12MAR74, louvou:


A título póstumo, o Soldado pára-quedista N.º1487/71, ANTÓNIO JOSÉ BOTELHO DO AMARAL MELO, pelas excelentes qualidades morais e militares reveladas durante o período em que serviu no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 12, no teatro de Operações da Guiné.


Durante a operação “CAVALO LADINO”, por duas vezes, evidenciou o seu real valor como combatente, que ao atacar isoladamente, um grupo inimigo, que surpreendeu, causando-lhe baixas e capturando-lhe material, quer no decurso de uma emboscada sofrida pelas NT em que, fazendo uso da sua arma com mestria, a peito descoberto, reagiu decidida e corajosamente com serena energia debaixo de fogo, contribuindo, ainda que com evidente risco para a debandada do inimigo.


Posteriormente, na operação “MAMUTE DOIDO”, quando as forças em que se integrava caíram em violenta emboscada, sofrendo baixas, este Soldado pôs em destaque a sua valentia ao fazer incidir o seu fogo sobre as posições inimigas, acabando por ser atingido gravemente e receber ferimentos que lhe vieram a causar a morte.


Pelos serviços prestados em campanha e virtudes militares evidenciadas, que muito honram as Tropas Pára-quedistas a que pertenceu, o Soldado MELO ganhou jus ao reconhecimento público e bem merece a distinção que lhe é conferida.

 

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Texto de Vítor Rodrigues Tavares, 1.º Cabo Pára-Quedista, titular do brevet n.º 9943, de 02 de Julho de 1971, do 2.º Pelotão da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121 do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas12:

- "O Melo era do meu pelotão, o 2.º da Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121. Este camarada era uma máquina de guerra e bom amigo. Nessa operação, de má memória para os pára-quedistas portugueses e mais marcante ainda para aqueles que lá estavam e passaram por aquelas horas de angústia e grande amargura... Faleceu passados sete dias de ser ferido gravemente na cabeça, o que o levou ao estado de coma profundo, ferimento originado pelo rebentamento de granada de canhão sem recuo e que explodiu, junto à coronha da sua arma MG42 e ao seu pé direito e joelho esquerdo, quando desencravava a mesma com auxílio do seu municiador pára-quedista Palma, que também aí foi ferido no pescoço com menos gravidade. Este camarada e amigo vinha até aí em todo o deslocamento feito muito próximo de mim, eu era até esse momento o último da coluna onde fiz cerca de 15km, a partir daqui e como tínhamos feito mais uma de tantas outras paragens para recuperar forças, no reatamento da marcha pedi ao Melo para passar para o meu lugar na retaguarda, todos os operacionais sabem o desgaste fisico e psicológico que este lugar provoca e eu vinha todo rôto por isso mesmo. Como era eu que orientava, por indicações superiores, a minha secção e a 2ª que era a do Melo, fizemos a troca exactamente no momento de retomar a marcha, a emboscada rebenta na frente com tiros certeiros do IN, abatendo o Lourenço e o Vitoriano quase de imediato e ferido gravemente o Peixoto. Em segundos toda a nossa coluna numa extensão de 300 metros ficou debaixo de fogo do inimigo, que se estimou em número muito superior ao nosso e que estavam bem armados e municiados. Mesmo assim as nossas forças reagiram eficazmente por forma a evitar o assalto, que foi tentado na retaguarda pelas forças do PAIGC, apenas evitado pela coragem e determinação aliada à nossa disciplina de fogo e espírito de corpo das nossas forças. Que a Alma deste nosso camarada e amigo descanse em Paz."
 

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