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Monumentos aos Combatentes e Campas

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Penafiel

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Penafiel

 

 

 

Rio de Moinhos

 

Joaquim da Silva Azevedo

 

Soldado Atirador de Artilharia, n.º 04525671

 

Companhia de Artilharia 3506

«O CÉU, A TERRA E AS ONDAS ATROANDO»

«ONTEM HOJE AMANHû

«VITÓRIA NA JUSTIÇA»

 

Moçambique: 25Jan a 12Set1972 (data do falecimento)

 

Em Memória do

Soldado Atirador de Artilharia Joaquim da Silva Azevedo, N.º 04525671

Identificação do Militar

Joaquim da Silva Azevedo, Soldado Atirador de Artilharia, com o Número de Matrícula 04525671.

Pertenceu à Companhia de Artilharia n.º 3506 / Batalhão de Artilharia n.º 3877. A sua Unidade Mobilizadora foi o Grupo de Artilharia Contra Aeronaves n.º 2 – GACA 2, de Torres Novas.

Era natural da Freguesia de Rio de Moinhos, Concelho de Penafiel. Estado civil: solteiro. Filho de Manuel Pereira de Azevedo e de Joaquina da Silva.

Faleceu em serviço da Pátria no dia 22 de Setembro de 1972, na Região de Muidine, no Norte de Moçambique, em consequência de ferimentos em combate. Encontra-se sepultado no Cemitério de Rio de Moinhos.

A Unidade e o seu Lema

A Companhia de Artilharia 3506, a que pertenceu o Soldado Joaquim da Silva Azevedo, ostentava com orgulho a sua divisa de guerra «O CÉU, A TERRA E AS ONDAS ATROANDO».

Para além da divisa, ostentava no seu distintivo, os lemas que marcaram a sua existência: «ONTEM HOJE AMANHû e «VITÓRIA NA JUSTIÇA». O seu escudo, orlado a azul e ouro, com os canhões cruzados no topo e o mapa de África estilizado ao centro com a inscrição CArt 3506, simbolizava a ligação permanente entre o passado, o presente e o futuro daqueles que serviram, e a convicção de que combatiam por uma causa que entendiam como justa.

Foi uma subunidade constituída para a guerra de intervenção, com elevado espírito de corpo, forjada na Artilharia e empregue como infantaria na manobra de quadrícula.

A CArt 3506 foi sucessivamente comandada por dois Oficiais cujo nome importa perpetuar: o Capitão QEO Gabriel Magno Monteiro de Barros e o Capitão Miliciano José António Correia de Ouro. Foram eles que comandaram os homens da 3506 no teatro de operações do Norte de Moçambique.

Da Metrópole para o Ultramar

No dia 24 de Janeiro de 1972, no Aeródromo Base n.º 1 – AB1, Figo Maduro, em Lisboa, o Soldado Joaquim da Silva Azevedo embarcou em aeronave dos Transportes Aéreos Militares (TAM), integrado num grupo de combate da sua Companhia de Artilharia 3506, rumo à Guerra.

Importa precisar que, ainda na Metrópole, no período que antecedeu o embarque, a CArt 3506 pertencia ao Quadro Orgânico do Batalhão de Artilharia 3877, de onde foi retirada definitivamente para embarque. Foi já como unidade autónoma e constituída que viajou nos TAM.

Desembarcou no dia 25 de Janeiro de 1972 na Base Aérea n.º 10 – BA10, na Beira, em Moçambique, iniciando assim a sua comissão no Teatro de Operações.

A Síntese da Actividade Operacional da CArt 3506 até à data do seu falecimento

Após o desembarque na Beira, a Companhia seguiu para Tartibo, onde foi colocada sob o comando operacional do Batalhão de Artilharia 3876, sediado em Nangade, no Subsector BND, no extremo norte junto à fronteira do Rovuma. À chegada ao teatro de operações foi recompletada com 39 praças oriundas do recrutamento de Moçambique, que se juntaram aos seus irmãos de armas metropolitanos.

Após três semanas de sobreposição com a unidade que iria render, a CArt 3506 rendeu efectivamente a Companhia de Caçadores 3309 / Batalhão de Caçadores 3834 no dia 23 de Fevereiro de 1972, assumindo a total responsabilidade do seu subsector.

Desde essa data até à morte do Soldado Azevedo, a actividade operacional foi intensa e ininterrupta. A Companhia efectuou escoltas a colunas logísticas e abertura dos itinerários críticos de Palma – Nangade, Tartibo – Nangade e Pundanhar – Nangade, garantindo a sobrevivência e o reabastecimento das forças isoladas. Efectuou patrulhamentos e nomadizações ofensivas, prioritariamente junto à margem sul do rio Rovuma, em zona de infiltração do inimigo.

Participou nas operações de grande envergadura «Laçada 7», «Broca 1» e «Lepra 5 e 8», onde o contacto com o inimigo foi frequente.

Em Maio de 1972, todo o efectivo da CArt 3506 foi empenhado na Operação «Integral 1». Esta operação consistiu na construção de um novo aquartelamento em Muidine e no transporte de todo o material e instalações de Tartibo, entretanto desactivado, para aquela localidade. Para o efeito, foi para Muidine deslocada a Companhia de Engenharia 3530, então sediada em Mueda, em apoio directo.

A CArt 3506 instalou-se definitivamente em Muidine em Junho de 1972, onde viria a escrever as suas páginas mais duras.

O Sacrifício Final em Muidine

Foi na região de Muidine, já no seu novo aquartelamento, que no dia 22 de Setembro de 1972 o Soldado Atirador Joaquim da Silva Azevedo tombou em combate.

Tombou de armas na mão, no cumprimento do dever militar, em consequência de ferimentos graves sofridos em acção contra o inimigo. Não recuou. Cumpriu até ao fim o juramento que fizera à Pátria quando vestiu a farda.

A sua morte, com apenas alguns meses de comissão, é testemunho da dureza dos combates no Planalto dos Macondes e da coragem dos jovens soldados portugueses que ali serviram.

Homenagem e Memória

Recordamos hoje Joaquim da Silva Azevedo não como um número, o 04525671, mas como um homem de Penafiel, filho, camarada e Soldado de Portugal.

Recordamos o jovem de Rio de Moinhos que partiu solteiro, deixando família e terra, para servir longe, numa guerra difícil e ingrata.

 

Recordamos o atirador da 3506 que ajudou a atroar o céu, a terra e as ondas, como dizia a divisa da sua Companhia.

Evocamos com respeito e saudade a memória de seus pais, Manuel Pereira de Azevedo e Joaquina da Silva, já falecidos, e prestamos o nosso mais profundo respeito à sua família, aos seus camaradas da CArt 3506, e a todos os que com ele partilharam o pó, o suor e o perigo de Tartibo e de Muidine.

O seu nome permanece gravado para a eternidade não só no Cemitério de Rio de Moinhos, onde repousa, mas também no Monumento aos Combatentes do Concelho de Penafiel, que se encontra situado na Praça do Município, junto à Câmara Municipal, no centro da cidade de Penafiel. O monumento original, dedicado aos mortos da Primeira Grande Guerra, foi inaugurado a 11 de Novembro de 1927, tendo-lhe sido adicionado a 03 de Outubro de 2010 um lapidário em memória e homenagem expressa aos combatentes da Guerra do Ultramar.

Ali, entre os nomes dos filhos de Penafiel que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar, está gravado o nome de Joaquim da Silva Azevedo, para que o seu sacrifício nunca seja esquecido.

Honra e Glória ao Soldado Joaquim da Silva Azevedo.

 

Que a sua Alma descanse em Paz.
 

 

 

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