
Soldado Condutor Auto-Rodas, n.º
05308770
Companhia de
Artilharia 3358
«OS DESCONTRAÍDOS»
Batalhão de Artilharia 3844
«BRAVOS E SEMPRE LEAIS»
Guiné: 06Abr1971 a
13Out1972 (data do falecimento)
MEMÓRIA E
HOMENAGEM AO
SOLDADO
CONDUTOR AUTO-RODAS N.º 05308770 – JOAQUIM DA SILVA
CArt 3358 / BArt 3844 – RAP 2 «BRAVOS E SEMPRE
LEAIS»
Faleceu em 13 de Outubro de 1972 – Itinerário
Farim / Binta – Guiné
1.
Identificação e Origem
O Soldado Condutor Auto-Rodas n.º
05308770, Joaquim da Silva, era natural da freguesia
de Louro, concelho de Vila Nova de Famalicão.
Filho de Manuel da Silva e de
Deolinda da Silva, casado com Maria Cidália Pereira,
pertencia à Companhia de Artilharia 3358 do Batalhão
de Artilharia 3844.
Mobilizado pelo Regimento de
Artilharia Pesada 2, de Vila Nova de Gaia, herdou e
honrou até ao último dia a divisa do seu Regimento e
do seu Batalhão: «BRAVOS E SEMPRE LEAIS».
Encontra-se sepultado no Cemitério
Paroquial de Louro.
2. A
Mobilização e o Batalhão

O
Batalhão de Artilharia 3844 foi mobilizado pelo RAP
2 para cumprir comissão na Província Ultramarina da
Guiné.
O seu comando era constituído pelo
Tenente-Coronel de Artilharia Sílvio Aires Martinho
de Figueiredo, Comandante, pelo Major de Artilharia
António José Fialho Segurado, 2.º Comandante, e pelo
Major de Artilharia João Manuel de Moura Rocha
Rigueira, Oficial de Informações e Operações.
O Batalhão era composto pela
Companhia de Comando e Serviços, comandada pelo
Capitão SGE João António dos Santos Rodrigues e
depois pelo Capitão de Infantaria José Pedro de
Sucena, e pelas Companhias de Artilharia 3358, 3359
e 3360, comandadas respectivamente pelo Capitão
Miliciano de Artilharia José Henriques Barbosa
Xavier, pelo Capitão QEO Humberto Trigo Bordalo
Xavier e depois Capitão Miliciano Francisco Luís
Olay da Silva Dias, e pelo Capitão QEO Luís Fernando
da Silva Mira.
O
distintivo do BArt 3844, que o Soldado Joaquim da
Silva usou ao peito, reproduz o brasão do RAP 2: em
campo vermelho, duas granadas de ouro, encimado por
elmo de armadura e leão rompante, com timbre dourado
e paquife vermelho e amarelo.
No listel, a divisa «BRAVOS E
SEMPRE LEAIS». O mesmo brasão figura no seu
galhardete de seda vermelha.
3. A
Partida para a Guiné
No dia 31 de Março de 1971, o
Batalhão de Artilharia 3844 embarcou na Gare
Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, no
Navio de Transporte de Tropas NTT ‘Niassa’.
O Soldado Joaquim da Silva seguia
integrado num grupo de combate da Companhia de
Artilharia 3358.
A travessia terminou com o
desembarque no estuário do Geba, em Bissau, no dia
06 de Abril de 1971. Iniciava-se então uma comissão
de dois anos no norte da Guiné.
4. A
Companhia – CArt 3358 / CCac 3358 «OS DESCONTRAÍDOS»
– Binta Nema
A Companhia de Artilharia 3358 era
comandada pelo Capitão Miliciano de Artilharia José
Henriques Barbosa Xavier.
O
seu distintivo é um dos mais característicos da
Guiné: escudo em formato de bolacha, de fundo grená,
ostentando no topo a inscrição C3 A3 R5 T8, ao
centro um leão dourado empunhando catana, assente
sobre o mapa da Guiné em verde com a marcação de
Binta e as datas 71 – 73, e no rodapé o listel com a
divisa
«OS
DESCONTRAÍDOS» sobre duas espingardas cruzadas.
No seu galhardete, de fundo
amarelo-torrado com cordão grená, figura o mesmo
leão e mapa, com as legendas BINTA – NEMA – GUINÉ,
as datas 1971-1973 e a divisa do Batalhão «BRAVOS E
SEMPRE LEAIS».
A Companhia foi projetada para o
subsector de Farim, um dos mais fustigados e minados
de toda a província.
5.
Atividade Operacional até 13 de Outubro de 1972
A
CArt 3358 seguiu em 10 de Maio de 1971 para Farim a
fim de efetuar o treino
operacional
e a sobreposição com a Companhia de Caçadores 2549
do Batalhão de Caçadores 2879 «EXCELENTES E
VALOROSOS»..
Em 12 de Junho de 1971 assumiu a
responsabilidade do respectivo subsector de Farim,
com um pelotão destacado em Binta em reforço da
guarnição local.
Desde essa data e até Outubro de
1972, a atividade operacional da Companhia consistiu
no cumprimento da missão de quadrícula no subsector
de Farim: escoltas diárias a colunas de
reabastecimento no itinerário Farim-Binta,
patrulhamentos apeados e auto, operações de
nomadização nas matas e bolanhas em redor de Farim,
Binta e ao longo do rio Cacheu, ações de proteção às
populações e de interdição ao IN.
O itinerário Farim-Binta, com
cerca de 30 quilómetros de picada aberta em terreno
alagadiço, era permanentemente flagelado e minado.
Para os Condutores Auto-Rodas, como o Soldado
Joaquim da Silva, cada escolta constituía uma missão
de risco máximo, onde a condução em coluna, a
vigilância do terreno e o cumprimento rigoroso das
normas de progressão em zona minada eram vitais para
a sobrevivência de todos.
Foi nesta rotina de guerra dura e
sem tréguas, própria da Guiné de 1971-1972, que o
Soldado Joaquim da Silva cumpriu 18 meses de
comissão com exemplar dedicação.
6.
Circunstâncias do Falecimento
No dia 13 de Outubro de 1972, no
itinerário Farim – Binta, a viatura que o Soldado
Condutor Auto-Rodas Joaquim da Silva conduzia, em
serviço operacional integrado em coluna militar,
acionou uma mina anti-carro.
A deflagração provocou-lhe
ferimentos mortais em combate.
O seu óbito foi registado como
morte em consequência de ferimentos provocados por
engenho explosivo – mina anti-carro – ao serviço da
Pátria.
7.
Legado e Homenagem
Ao evocarmos o Soldado Joaquim da
Silva, evocamos o homem do Louro que deixou a sua
terra e a sua família para servir Portugal numa
guerra longínqua e exigente.
Evocamos o camarada condutor,
aquele em quem todos confiavam para levar a coluna
ao destino, para garantir o pão, as munições, o
correio e o regresso.
Que a sua memória perdure como
exemplo de cumprimento do dever, de humildade e de
coragem.
À família, aos camaradas da CArt
3358 / BArt 3844 e à freguesia do Louro, prestamos o
nosso respeito.
Que a terra lhe seja leve. Honra e
glória à sua memória.
BRAVOS E SEMPRE LEAIS.
Em memória do Soldado Joaquim
da Silva (05308770) – CArt 3358 / BArt 3844 – RAP 2
– Falecido em 13OUT72 – Farim-Binta – Guiné.
