Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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cada um dos sublinhados que se seguem
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Montemor-o-Novo

Matriz (Nossa Senhora do Bispo)
(Decreto-Lei n.º 27424, publicado no
Diário do Governo n.º 306, pág. 1850, 1.ª série de 31 de
Dezembro de 1936)
Manuel Felício Gomes
Pereira

Soldado Atirador de Artilharia, n.º
12413570
Companhia de
Artilharia 2630
Batalhão de Artilharia 2898
«UNIDOS VENCEREMOS»
Moçambique: 23Nov1969 a
16Out1971 (data do falecimento)
MEMÓRIA E HOMENAGEM AO
SOLDADO ATIRADOR DE
ARTILHARIA N.º 12413570
MANUEL FELÍCIO
GOMES PEREIRA
Falecido em Serviço de Campanha em Moçambique -
16 de Outubro de 1971
1.
Identificação do Militar
O militar a quem esta memória e
homenagem é dedicada é o Soldado Atirador de Artilharia
n.º 12413570, Manuel Felício Gomes Pereira.
Era solteiro, natural da Freguesia de
Matriz, Concelho de Montemor-o-Novo, filho de Victor
Manuel Pereira Júnior e de Balbina Maria Gomes Parola.
Foi
mobilizado pelo Grupo de Artilharia Contra Aeronaves n.º
2 – GACA 2, de Torres Novas, para servir Portugal na
Província Ultramarina de Moçambique.
Serviu integrado na Companhia de
Artilharia n.º 2630 do Batalhão de Artilharia n.º 2898
«UNIDOS VENCEREMOS». Tombou ao serviço da Pátria no dia
16 de Outubro
de
1971, na Enfermaria do Sector “A”, em Vila Cabral, em
consequência de ferimentos graves sofridos em combate na
região de Muembe, no Niassa. As suas causas de morte
foram registadas oficialmente como “Ferimentos em
combate”.
Encontra-se sepultado no Cemitério de
Vendas Novas.
2. A
Origem - A Unidade Mobilizadora - GACA 2
O
Soldado Manuel Felício Gomes Pereira foi mobilizado pelo
Grupo de Companhias Contra Aeronaves 2, o GACA 2,
aquartelado em Torres Novas.
Unidade de Artilharia Antiaérea de
grande prestígio, o GACA 2 ostenta no seu Brasão de
Armas, encimado por elmo de prata, o escudo vermelho com
dois canhões
cruzados
e três bombas. Ostenta no listel superior a divisa
«EFICÁCIA! FOGO!» e no listel inferior «O CÉU, A TERRA E
AS ONDAS ATROANDO», a que se junta o brado eterno «SÓ
PARA A VITÓRIA».
Foi do seio desta Unidade que foi
organizado o Batalhão de Artilharia n.º 2898.
3. A
Partida e o Regresso
No
dia 31 de Outubro de 1969, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera Cruz’,
integrado num Grupo de Combate da Companhia de
Artilharia 2630 do Batalhão de Artilharia 2898 «UNIDOS
VENCEREMOS», rumo ao porto de Nacala, onde desembarcou
no dia 23 de Novembro de 1969.
O regresso do Batalhão, já sem o
Soldado Pereira, aconteceu no dia 11 de Novembro de
1971, a bordo do navio NTT ‘Niassa’, tendo embarcado no
porto marítimo de Nacala de regresso à Metrópole.
A viagem fez escala na cidade da Beira
e em Luanda, e terminou com o desembarque em Lisboa no
dia 07 de Dezembro de 1971.
4.
Enquadramento Superior - O Batalhão de Artilharia N.º
2898 «UNIDOS VENCEREMOS»
O
BArt 2898 foi constituído como Batalhão de Artilharia
com funções de intervenção e quadrícula no Norte de
Moçambique, no Sector do Niassa. A sua divisa era
«UNIDOS VENCEREMOS».
O Comando do Batalhão foi exercido,
sucessivamente, pelo Tenente-Coronel de Artilharia Júlio
Veiga Simão e, depois, pelo Major de Artilharia Joaquim
Esteves Virtuoso.
As funções de 2.º Comandante do
Batalhão foram exercidas, sucessivamente, pelos
seguintes oficiais: Major de Artilharia Joaquim Esteves
Virtuoso, Major Graduado de Artilharia António Soares
Fernandes e Capitão de Artilharia Joaquim Luís Dias
Antunes Ferreira.
As funções de Oficial de Informações e
Operações / Adjunto do Comando foram exercidas,
sucessivamente, pelos seguintes oficiais: Major Graduado
de Artilharia António Soares Fernandes, Capitão de
Artilharia Joaquim Luís Dias Antunes Ferreira e Capitão
de Infantaria António de Oliveira Fernando Prata.
O Batalhão era constituído pela
Companhia de Comando e Serviços – CCS e pelas Companhias
de Artilharia 2630, 2631 e 2632.

A CCS foi comandada, sucessivamente,
pelo Capitão de Artilharia Joaquim Luís Dias Antunes
Ferreira e pelo Capitão Miliciano Claudino Trinta
Ribeiro.
Em todas as funções acima referidas,
os cargos foram ocupados sucessivamente, nunca tendo
dois militares exercido a mesma função ao mesmo tempo.
5. A Sua
Subunidade - A Companhia de Artilharia 2630
A CArt 2630 foi a sua verdadeira
família militar. O seu comando foi exercido,
sucessivamente, por dois Oficiais:
O Capitão de Artilharia Carlos Afonso
da Fonseca Alferes, o primeiro comandante, que formou,
embarcou e instalou a Companhia em Muembe.
O Capitão Miliciano Luís António
Branco de Pinho Lopes, que lhe sucedeu no comando e que
comandava a Companhia à data da morte do Soldado
Pereira, em 16 de Outubro de 1971.
6.
Historial Operacional da CArt 2630 até 16 de Outubro de
1971
A
CArt 2630 desembarcou em Nacala e foi colocada em
Muembe, onde rendeu a CArt 2373 / BArt 2847. Guarneceu
Muembe, até 10 de Março de 1971, com 1 pelotão
destacado
em Vila Nova de Montalegre, no Chiconono.
De 13 de Novembro a 10 de Dezembro de
1970 e de 12 de Dezembro de 1970 a 31 de Maio de 1971, a
Companhia (- o Comando e 2 Pelotões), montou base
respectivamente em Vila Nova de Montalegre e em Luatize,
na situação de intervenção do Comando do Sector “A”, em
Vila Cabral.
De Novembro de 1969 até Outubro de
1971, executou, entre outras, as operações:
"Aproximação", na região de Muembe; "Águia Branca 16",
"Relâmpago", "Captura Arma", "Aço", "Abanão", "Furão
12", "Adraga 30" e "Alentejo 14". Tomou ainda parte nas
operações “Tigre 34” e “Jaguar 4 e 5”.
Foi rendida em Muembe, em Novembro de
1971, pela CCaç 3469 / BCaç 3867 – “TITANS – MOÇAMBIQUE
– AEQUO ANIMO”.
7. O
Combate, a Morte e o Legado
Gravemente ferido em combate na região
de Muembe, o Soldado Atirador Manuel Felício Gomes
Pereira foi evacuado para a Enfermaria do Sector “A”, em
Vila Cabral, onde veio a falecer em consequência dos
ferimentos.
Morreu a 16 de Outubro de 1971, a
escassas semanas do final da comissão e do regresso do
seu Batalhão a Portugal.
8.
Homenagem Final e Memória Perpetuada em Vendas Novas
Ao
lembrarmos hoje Manuel Felício Gomes Pereira, lembramos
o filho de Montemor-o-Novo, o jovem de Matriz, o homem
que repousa em Vendas Novas. Lembramos o Soldado
12413570, que embarcou no Vera Cruz, que atravessou o
Índico, que pisou Nacala, Muembe, Montalegre e Luatize,
e que verteu o seu sangue por Portugal.
A sua
memória encontra-se perpetuada não só no cemitério onde
está sepultado, mas também no espaço público.
O seu nome está gravado no Monumento aos Combatentes do
Concelho de Vendas Novas, sito no Jardim dos Combatentes
- Largo Dr. João Luís Ricardo, em Vendas Novas, com
o nome de Manuel Felício Gomes.
Este
monumento, inaugurado no dia 7 de Setembro de 2020,
reúne no seu lapidário nominal os nomes dos Militares
Portugueses que tombaram na Guerra do Ultramar, em
homenagem aos combatentes do concelho. É um local de
homenagem onde se pretende homenagear e imortalizar os
filhos da terra que prestaram serviço e lutaram pela
pátria.
Que esta
memória sirva de conforto à sua Família, de orgulho aos
seus Camaradas da CArt 2630 e do BArt 2898, e de exemplo
para as gerações futuras. Que a sua sepultura no
Cemitério de Vendas Novas e o seu nome gravado no
Monumento do Jardim dos Combatentes sejam sempre locais
de respeito e de honra.
Ao Soldado
Manuel Felício Gomes Pereira, a Pátria reconhecida
presta homenagem. Honra à sua Memória. Paz à sua Alma.
«UNIDOS
VENCEREMOS»
