Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas

Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
Para
visualização dos conteúdos clique em
cada um dos
sublinhados que se seguem:
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Montijo
Sarilhos
Grandes
António Manuel Firmino Soares

Soldado Atirador, n.º 15361168
Companhia de
Artilharia 2481
«RES NON VERBA»
Angola: 20Jan a 28Out1969 (data do
falecimento)
IN MEMORIAM
Homenagem ao Soldado Atirador António
Manuel Firmino Soares
Identificação e
Origens
António Manuel Firmino Soares nasceu e
cresceu com as suas raízes profundamente ligadas à terra
ribeirinha, sendo natural da freguesia de Sarilhos
Grandes, no concelho do Montijo. Filho de Francisco
Soares e de Maria de Jesus da Silva Firmino, construiu a
sua vida e família naquela região, onde contraiu
matrimónio com Rosália Maria Peixinho Sebastião Soares.
O jovem cidadão do Montijo viu a sua
vida civil ser interrompida pelo chamamento do dever
militar, sendo-lhe atribuído o número de identificação
militar 15361168 com o posto de Soldado Atirador.
Mobilização e
Prontidão Militar
Respondendo
à chamada para servir Portugal, foi mobilizado no Norte
do país pelo histórico Regimento de Artilharia Ligeira 5
(RAL5 – Penafiel). Sob o lema regimentar «HONRA E
DEVER», recebeu a exigente instrução militar e a
preparação operacional necessárias para fazer face ao
exigente cenário de contra-guerrilha que se vivia no
continente africano.
Ali,
entre as moralhas do quartel penafidelense, o Soldado
António Soares integrou a Companhia de Artilharia 2481 (CArt
2481). A subunidade, comandada pelo Capitão de
Artilharia Fernando de Matos Alves, adotou como divisa
heráldica a expressão latina «RES NON VERBA» (Factos,
Não Palavras) — um prenúncio do estoicismo e da entrega
prática que os seus homens demonstrariam no terreno.
A Viagem
Transatlântica e o Desembarque
No dia 11 de janeiro de 1969, as
despedidas ganharam forma na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa. O Soldado António Soares,
integrado no seu grupo de combate, cruzou a prancha de
embarque do Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Vera
Cruz’, iniciando a longa e solene travessia atlântica
rumo ao desconhecido.
Após nove dias de navegação, o navio
atracou no porto marítimo de Luanda a 20 de janeiro de
1969. O desembarque em solo angolano marcou o início
oficial de uma comissão de serviço que testaria até ao
limite a resiliência daqueles jovens
artilheiros-infantes.

O Percurso Operacional
em Angola
O batismo de fogo e a primeira
colocação da CArt 2481 tiveram lugar na região de M’Pozo,
no Norte de Angola, junto à fronteira. Durante os
primeiros meses, o Soldado António Soares enfrentou o
clima adverso e a exigência das missões de patrulhamento
e controlo de eixos fluviais num setor marcado pela
constante vigilância.
Em julho de 1969, por determinação do
comando superior, a subunidade foi transferida para uma
das frentes mais fustigadas do Teatro de Operações: a
frente Leste, fixando-se em Cangumbe. Naquela vasta
savana, a missão principal consistia na proteção vital
da linha do Caminho de Ferro de Benguela e na segurança
das picadas circundantes, frequentemente visadas pelas
ações da guerrilha.
O Sacrifício Supremo
em Combate
Foi no cumprimento rigoroso desta
missão que, no dia 28 de outubro de 1969, o destino se
cumpriu. Durante o patrulhamento de um eixo crucial, na
picada entre o rio Malulo e Cangumbe (a escassos 2 km do
rio Malulo), o grupo de combate foi intercetado num
violento confronto.
Em consequência de graves ferimentos
sofridos diretamente em combate, o Soldado António
Manuel Firmino Soares tombou em pleno campo de honra.
Tinha dado a sua juventude, os seus sonhos e a própria
vida ao serviço da Pátria.
O Reconhecimento e
Homenagem Institucional
O sacrifício do Soldado António Soares
e de todos os que combateram pela Pátria encontra-se
perpetuado em monumentos oficiais na sua região de
origem.
A cidade do Montijo ergueu o Monumento aos Combatentes
da Guerra do Ultramar, inaugurado com grande solenidade
no dia 25 de abril de 2016, com a presença de altas
entidades civis e militares. Este espaço serve de
merecido testemunho e reconhecimento às Forças Armadas
portuguesas.
Paralelamente, no âmbito local,
a Junta de Freguesia de Sarilhos Grandes cumpriu o seu
dever de consciência patriótica com a construção de um
Memorial em Honra dos Soldados Portugueses. Erguido
estrategicamente em frente ao cemitério onde o militar
repousa, este memorial foi inaugurado no dia 10 de
novembro de 2018 para exaltar e preservar a sua memória
para sempre.
O Repouso Final e a
Memória Eterna
Cumprido o doloroso processo de
trasladação, o corpo do infante regressou
definitivamente à sua pátria moldura. O Soldado António
Soares encontra-se hoje sepultado no Cemitério da sua
freguesia natal de Sarilhos Grandes, no concelho do
Montijo.
Passadas as décadas, o seu sacrifício
permanece gravado nas páginas da história militar
portuguesa e nos corações dos seus familiares, camaradas
d'armas e concidadãos. A sua postura honrou o lema do
regimento que o formou e a divisa da companhia que o
acompanhou até ao fim. A sua memória fica eternizada no
portal do Ultramar.
