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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos
aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Funchal

Santo António
Mário
Juvêncio Gomes Camacho

Alferes Miliciano de Artilharia e de
Operações Especiais, n.º 06852766
Comandante de um grupo
de combate da
Companhia de
Artilharia 1745
«O CÉU, A TERRA E AS
ONDAS ATROANDO»
Guiné: 25Jul1967 a 25Out1968 (data do
falecimento)
Em Memória e Homenagem
a
MÁRIO JUVÊNCIO GOMES CAMACHO
Alferes Miliciano de Artilharia e de Operações Especiais
n.º 06852766
25 de Outubro de 1968
1.
Identificação e Ficha do Combatente
Mário Juvêncio Gomes Camacho, Alferes
Miliciano de Artilharia e de Operações Especiais, com o
número mecanográfico 06852766.
Era solteiro, filho de Mário Juvêncio
Gomes Camacho e de Matilde Jesus Camacho, natural da
Freguesia de Santo António, Concelho do Funchal, Ilha da
Madeira. Pertencia à Companhia de Artilharia 1745,
unidade mobilizada pelo Grupo de Artilharia Contra
Aeronaves 2 (GACA2), de Torres Novas.
Faleceu no dia 25 de Outubro de 1968,
no Hospital Militar Principal, em Lisboa, em
consequência de ferimentos em combate, por acionamento
de duas minas antipessoal.
O local da ocorrência foi o itinerário
Bigene – Farim, a 100 metros da ponte de Talicó, na
Guiné Portuguesa. Encontra-se sepultado no Cemitério das
Angústias, São Martinho – Funchal.
2.
Unidade Mobilizadora e a sua Divisa
A
Companhia de Artilharia 1745 foi mobilizada pelo Grupo
de Companhias Contra Aeronaves 2 (GACA2 - Torres
Novas).
O GACA2 carrega nos seus estandartes a
história da Artilharia Antiaérea portuguesa. O seu
brasão apresenta três manguitos de artifício, duas
bocas-de-fogo cruzadas e ostenta as divisas que se
tornaram grito de guerra e identidade daqueles homens:
«O CÉU, A TERRA E AS ONDAS ATROANDO» – «EFICÁCIA! FOGO!»
– «SÓ PARA A VITÓRIA».
Foi sob essa divisa e com esse
espírito que a CArt 1745 foi formada, organizada e
preparada para servir Portugal na Guiné. Foi como parte
integrante dessa unidade que o Alferes Camacho cumpriu o
seu dever.
3.
Partida para o Ultramar
No
dia 20 de Julho de 1967, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, o Alferes Miliciano Mário
Juvêncio Gomes Camacho embarcou no NTT ‘Uíge’, como
comandante de um grupo de combate da Companhia de
Artilharia 1745, rumo ao estuário do Geba, em Bissau.
O desembarque deu-se no dia 25 de
Julho de 1967. Começava então a sua comissão na Guiné
Portuguesa, uma terra dura, de bolanhas, de tarrafe e de
itinerários constantemente minados.
A CArt 1745, segundo os registos
oficiais, viria a embarcar de regresso apenas em 07 de
Junho de 1969, já sem o seu Alferes.
4.
Comando da Companhia
Durante o
período da sua comissão, e até à data da morte do
Alferes Camacho, a Companhia de Artilharia 1745 foi
comandada sucessivamente por:
Capitão
Miliciano de Artilharia José Maria Torre do Vale Santos,
Tenente Miliciano de Infantaria Jorge Vilar Gomes Gilde
e Alferes Miliciano de Artilharia António Baltazar
Valente Ramos Dias.
Foi sob o
comando destes oficiais que a Companhia viveu todo o seu
ciclo operacional em Bigene e que o Alferes Camacho
exerceu as suas funções de comandante de pelotão e de
grupo de combate.
5.
Síntese da Actividade Operacional até 25 de Outubro de
1968
Em 26 de Julho de 1967, um dia após o
desembarque em Bissau, a
CArt
1745 seguiu para Ingoré, a fim de
efectuar
o treino operacional até 19 de Agosto de 1967.
Esse treino foi realizado em conjunto
com a Companhia de Caçadores 1590, sob orientação do
Batalhão de Caçadores 1894, mantendo-se seguidamente
naquele sector como subunidade de intervenção e reserva
do referido batalhão.
Foi um período de adaptação ao
terreno, ao clima e ao inimigo.
Em
30 de Agosto de 1967, rendendo a Companhia de Caçadores
1547, de distintivo «OS SANTOS» com o lema «NUNCA AD
EPHESIOS», a CArt 1745
assumiu
a responsabilidade do subsector de Bigene.
A partir dessa data ficou integrada no
dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores 1887, de
divisa «AUDÁCIA – FIRMEZA – LEALDADE», e depois do
Batalhão
de Caçadores 1932, de divisa «VONTADE E VALOR», e
seguidamente do COP 3 e novamente do Batalhão de
Caçadores 1932.
Foi em Bigene, um dos subsectores mais
castigados pela guerra, sobre as linhas de infiltração
do inimigo vindas da fronteira norte com o Senegal, que
a CArt 1745 escreveu o seu nome.
Tomou parte em diversas operações e
acções sobre as linhas de infiltração, com captura de
cerca de 6 toneladas de armamento e material e causando
ao inimigo muitas baixas.
Destacaram-se, entre muitas outras, as
operações «Despeneirar», «Derrubante II», «Derrubante
III» e, particularmente, a operação
«Grande
Colheita».
Esta foi a guerra que o Alferes
Camacho viveu dia a dia, lado a lado com os seus homens,
no mato, nas emboscadas, nas escoltas a colunas e nas
picadas armadilhadas.
Em 02 de Junho de 1969, já após a sua
morte, a Companhia viria a ser rendida pela CCaç 2527 e
recolheu a Bissau para embarque de regresso.
6. O
Último Itinerário – A Ponte de Talicó
O local da sua queda ficou registado
com a precisão fria dos relatórios militares e com a dor
humana de quem lá esteve: Itinerário Bigene – Farim, a
100 metros da ponte de Talicó.
Naquele dia, a picada, como tantas
outras na Guiné, escondia a morte
sob
a terra batida. O acionamento de duas minas antipessoal
colheu o grupo de combate e feriu mortalmente o Alferes
Miliciano.
Evacuado de imediato, não resistiu à
gravidade dos ferimentos, vindo a falecer no Hospital
Militar Principal, em Lisboa, no dia 25 de Outubro de
1968. Tinha cumprido 15 meses de comissão operacional.
O seu regresso a Portugal não foi o
regresso que todos esperavam. Foi o regresso definitivo
à Pátria, envolto na bandeira que jurou defender.
7.
Homenagem Final
Não morreu por acaso. Morreu
comandando. Morreu à frente do seu grupo de combate, no
cumprimento de uma missão de segurança de itinerário,
garantindo que outros pudessem passar em segurança.
O Alferes Mário Juvêncio Gomes
Camacho, da CArt 1745, do GACA2, «O CÉU, A TERRA E AS
ONDAS ATROANDO», faz parte da geração de jovens
madeirenses e continentais que deixaram a sua juventude
nos arrozais e no tarrafo de Bigene.
Que o seu nome, o seu número 06852766
e o seu sacrifício não sejam apagados do livro das
memórias da Companhia, nem da história do Funchal que o
viu nascer.
Ao Alferes Miliciano Mário Juvêncio
Gomes Camacho, que em Talicó deu a vida por Portugal, a
nossa eterna gratidão e respeito.
Honra e Glória.
Bigene – Farim – Talicó nunca será
esquecido.
25 de Outubro de 1968

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