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Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Fafe

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Fafe

 

 

Estorãos

 

Albino Freitas Novais

 

Soldado Sapador n.º 13156168

 

Companhia de Comando e Serviços

 

Batalhão de Caçadores 2881

«OUSADOS»

 

Moçambique 13Set a 03Nov1969 (data do falecimento)

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

SOLDADO SAPADOR N.º 13156168 ALBINO FREITAS NOVAIS

1. IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR

O militar homenageado é o Soldado Sapador n.º 13156168 Albino Freitas Novais.

Pertencia à Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Caçadores N.º 2881 «OUSADOS», unidade mobilizada pelo Batalhão de Caçadores 10 de Chaves «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS».

Faleceu em combate no dia 03 de Novembro de 1969, no itinerário Cruz Alta – Serração Mecânica, no subsector de Macomia, Província Ultramarina de Moçambique, em consequência de ferimentos em combate, encontrando-se sepultado no cemitério de Fafe.

2. ORIGENS, FAMÍLIA E RAÍZES

Natural da freguesia de Estorãos, concelho de Fafe, era filho de José Maria Novais e de Idalina de Freitas e casado com Maria das Dores Castro. Homem de trabalho e de família, oriundo do interior minhoto, cresceu com os valores da humildade, do sentido de dever e da coragem serena que caracterizavam os homens da sua terra e da sua geração.

Foi com esse legado de dignidade e honra que partiu para cumprir o serviço à Pátria num tempo difícil da nossa História, levando consigo o nome de Fafe e da sua freguesia.

3. MOBILIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO

Foi mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 10, sediado em Chaves, cujo brasão e lema «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS» carregava com honra.

Foi integrado como Soldado Sapador na Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Caçadores 2881, cuja divisa era «OUSADOS».

O Batalhão era comandado pelo Tenente-Coronel de Infantaria António Gaspar Melo, tendo como 2.º Comandante o Major Tito José Barroso Capela e como Oficial de Informações e Operações o Major António Rosado Serrano.

A sua Companhia, a CCS, era comandada pelo Capitão do Serviço Geral do Exército José Augusto Rebelo.

A sua missão, enquanto sapador, era uma das mais exigentes e perigosas: a abertura e a segurança de itinerários, a deteção e neutralização de engenhos explosivos, garantindo a passagem segura dos seus camaradas.

4. A TRAVESSIA PARA ÁFRICA

No dia 16 de Agosto de 1969, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera Cruz’, integrado num grupo de combate da CCS/BCaç 2881, rumo ao Ultramar.

Após uma longa travessia marítima, desembarcou no dia 13 de Setembro de 1969 no porto de Porto Amélia (hoje Pemba), na Província Ultramarina de Moçambique.

Após o desembarque, a sua subunidade seguiu de imediato para o interior, para Macomia, onde rendeu a Companhia de Comando e Serviços do Batalhão de Caçadores 2837 «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS», assumindo a responsabilidade por um dos subsectores mais duros da guerra.

5. O CONTEXTO OPERACIONAL – O SUBSECTOR DE MACOMIA

O subsector de Macomia, designado BMC, era então considerado um dos mais violentos de Moçambique.

A atividade inimiga caracterizava-se por uma subversão intensa e violenta. O inimigo recorria sistematicamente à implantação de engenhos explosivos nos itinerários, à execução de emboscadas e a frequentes ataques a aldeamentos e flagelações a aquartelamentos.

Os principais refúgios e bases do inimigo situavam-se na serra Mapé e nas regiões de Serração Mecânica, Nandenga, do rio Liucué e de M’Tuto – terreno agreste, de mata cerrada e difícil progressão, onde cada picada podia esconder a morte.

Era neste ambiente que a CCS/BCaç 2881 tinha de operar, todos os dias.

6. A ATIVIDADE OPERACIONAL DA SUA COMPANHIA – CORRIGIDO

De Setembro de 1969 a Agosto de 1970, a atividade operacional da Companhia de Comando e Serviços caracterizou-se pela execução de escoltas, abertura de itinerários, nomadizações, patrulhamentos e emboscadas. Nesse âmbito, o Batalhão planeou e executou, entre outras, as operações: “Aurora 1” (região da “Base Pemba”), “Confirmação 2” (esporão norte da serra Mapé), “Aurora 6” (Muagide), “Eva 3” (zona do lago N’Guri), “Olga 1” (região da “Base Manica”), “Olga 3” (mata de Nhongolo), “Maria 3” e “Helena 3” (região de Litamanda).

O Soldado Sapador Albino Freitas Novais, por ter tombado a 03 de Novembro de 1969, participou apenas na fase inicial deste ciclo operacional, entre 13 de Setembro e 03 de Novembro de 1969. Nesse curto mas intenso período de 51 dias em Macomia, cumpriu com abnegação as missões mais exigentes da sua especialidade de sapador — a abertura e a segurança do itinerário Cruz Alta – Serração Mecânica, onde viria a tombar — garantindo a passagem segura dos seus camaradas.

7. O DIA DO SACRIFÍCIO – 03 DE NOVEMBRO DE 1969

Faleceu no dia 03 de Novembro de 1969, tinha chegado a Moçambique havia menos de dois meses.

Tombou no itinerário Cruz Alta – Serração Mecânica, no subsector de Macomia, em consequência de ferimentos em combate. Era o local onde, como sapador, exercia a sua missão mais nobre e mais arriscada: garantir que a estrada era segura.

Cumpriu até ao último instante o juramento de servir Portugal. A sua morte, por ferimentos em combate, atesta que tombou de frente para o perigo, no exercício da função.

8. MEMÓRIA, SEPULTURA E HOMENAGEM MUNICIPAL

Os seus restos mortais repousam no cemitério de Fafe, na terra que o viu nascer.

A sua memória não foi esquecida.

O Município de Fafe homenageou os seus filhos tombados na Guerra do Ultramar através do Monumento aos Combatentes da Guerra Colonial, inaugurado no dia 06 de Novembro de 2005.

O monumento encontra-se no jardim central da Avenida do Brasil, na cidade de Fafe. É composto por uma estátua em bronze, da autoria da escultora Andreia Couto, que representa um soldado com o equipamento da época, assente sobre um pedestal quadrangular de pedra. Nas faces desse pedestal estão gravados os nomes dos militares naturais do concelho.

O nome de Albino Freitas Novais faz parte integrante dessa listagem oficial, gravado na pedra para a eternidade, perpetuando o seu sacrifício junto da sua comunidade.

Que a sua memória seja honrada. Que o seu nome seja lembrado não como um número, mas como um Homem, um Fafense de Estorãos, um Sapador que abriu caminhos e que deu a vida por Portugal.

A Pátria não esquece os que por ela tombaram.

Honra e Glória ao Soldado Sapador Albino Freitas Novais.

Paz à sua Alma

 

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