"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA E GLÓRIA |
Elementos cedidos pelo PQ
Pedro Castanheira |
António Augusto da Silva Clemente
Machado
1.º Cabo Paraquedista

Moçambique:
23Ago1966 a 20Ago1968
3.º
Pelotão da
4.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas
«MORTUUS SED NON VICTUS»
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31
«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»
3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»
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Cruz de Guerra de 1.ª Classe Colectiva |
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Cruz de Guerra de 3.ª Classe |
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Medalha dos Feridos em Campanha |
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Prémio Governador-Geral de Moçambique |
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Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças
Armadas com a legenda “Moçambique 1966 – 68” |

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Biografia de António Augusto da Silva Clemente Machado
1.º Cabo Paraquedista | Veterano da Guerra do Ultramar
1.
Primeiros Anos e Ingresso nas Forças Armadas
António
Augusto da Silva Clemente Machado nasceu a 29 de Março
de 1945, na freguesia e concelho de Peniche.
Aos 20 anos, a 13 de Setembro de 1965, incorporou-se
como voluntário no Regimento de Caçadores Paraquedistas
(RCP - Tancos), sob a divisa «QUE NUNCA POR VENCIDOS
SE CONHEÇAM». Concluiu a sua instrução na Escola de
Recrutas a 21 de Dezembro do mesmo ano.
No
início do ano seguinte, iniciou o 32.º Curso de
Paraquedismo Militar, terminando-o com aproveitamento a
01 de Março de 1966, data em que lhe foi atribuído o
brevet n.º 3486.
Pouco
depois, a 23 de Julho, foi promovido a 2.º Cabo
Paraquedista.
2.
Mobilização e Campanha em Moçambique

A
23 de Agosto de 1966, foi mobilizado pelo Regimento de
Caçadores Paraquedistas (RCP - Tancos), sob a divisa «QUE
NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal
na Província Ultramarina de Moçambique.
Foi
integrado no 3.º Pelotão da 4.ª Companhia de Caçadores
Paraquedistas (4ª CCP) «MORTUUS SED NON VICTUS»
do Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (BCP31 -
Beira), unidade sob a divisa «HONRA-SE A PÁTRIA DE
TAL GENTE», pertencente à 3.ª Região Aérea «LEALDADE
E CONFIANÇA».
Um
mês mais tarde, a 23 de Setembro de 1966, ascendeu a 1.º
Cabo Paraquedista.

O
Acto de Bravura na Operação "Cilindragem"
A 15 de Outubro de 1966, com apenas 21 anos de idade, o
1.º Cabo Clemente Machado enfrentou o baptismo de fogo
que marcaria a sua folha de serviço.
Durante a Operação "Cilindragem", na picada Nangololo –
Miteda, a sua companhia sofreu uma emboscada articulada
com o acionamento de um fornilho (mina anticarro)
reforçado com granadas e TNT. O rebentamento vitimou
mortalmente o seu comandante de secção, o Sargento
Paraquedista Silva Ferreira.
Mesmo ferido com gravidade, Clemente Machado respondeu
energicamente ao fogo inimigo, forçando o recuo das
forças opositoras. O seu comportamento subsequente
tornou-se um referencial de abnegação.
Ao ser abordado pelo comandante de companhia sobre o seu
estado de saúde, desvalorizou os seus próprios
ferimentos críticos, demonstrando total preocupação
apenas com a condição do seu sargento.
Durante o trajecto de evacuação para a Metrópole,
manteve uma serenidade exemplar, questionando unicamente
quanto tempo demoraria a sua recuperação para poder
voltar ao combate.
3.
Regresso Voluntário e Louvor Militar
Demonstrando uma excecional resiliência psicológica e
física, após recuperar dos ferimentos na Metrópole,
solicitou voluntariamente o regresso ao teatro de
operações de Moçambique.
Ao
longo de 22 meses de comissão, participou em cerca de 20
operações militares, mantendo intacto o seu perfil de
combatente e líder de equipa.
A sua conduta valeu-lhe o reconhecimento oficial das
chefias militares:

• 3 de Julho de 1968:
Distinguido com o Prémio Governador-Geral de Moçambique.
• 14 de Outubro de 1968:
Agraciado
com a
Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª
classe por feitos em combate, homologada por um louvor
do Secretário de Estado da Aeronáutica, que o
descreveu como um "militar extraordinariamente
disciplinado, dotado de excelentes qualidades de coragem
(...) merecendo ser apontado como exemplo de alto valor
militar".
A 20 de Agosto de 1968, regressou definitivamente à
Metrópole, vindo a passar à situação de disponibilidade
em Setembro de 1969.
4.
Condecorações e Medalhas Militares
Ao longo do seu percurso, o seu sacrifício e combatência
foram reconhecidos com as seguintes insígnias:

•
Medalha da Cruz de Guerra de 3.ª
Classe (Individual);
• Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas
com a legenda “Moçambique 1966 – 68”;
•
Insígnia da Condecoração
Coletiva da Cruz de Guerra de 1.ª
classe (abrangido em Julho de 1969, por ter integrado o
Batalhão de Caçadores Paraquedistas 31 (BCP31 - Beira),
unidade sob a divisa «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»;
•
Medalha dos Feridos em Campanha
(atribuída a 17 de Abril de 2026, por despacho n.º
5397/2026 do Ministro da Defesa Nacional,
publicado no Diário da República).
5.
Serviço Cívico e a Liga dos Combatentes
Mantendo viva a ligação à comunidade de veteranos e à
sua terra natal, António Augusto da Silva Clemente
Machado (Sócio n.º 121193) tomou posse, a 27 de Janeiro
de 2024, como 1.º Vogal da Direção do Núcleo de Peniche
da Liga dos Combatentes, sendo também o Porta-Guião
oficial daquele Núcleo.
A cerimónia oficial decorreu no Salão Nobre do Clube
Recreativo Penichense, contando com a presença de altas
autoridades civis e militares, incluindo o Presidente da
Câmara Municipal de Peniche, assinalando a continuidade
do seu serviço à comunidade e à memória histórica com a
mesma honra e dignidade de sempre.

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