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Falecimento

Bento de Amorim Sereno, Capitão Pára-Quedista na situação de reforma

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

e

nota de óbito

Elementos cedidos pelo veterano

João Carlos Abreu dos Santos

e

pelo PQ Pedro Castanheira

 

Faleceu no dia 27 de Novembro de 1996 o veterano

 

Bento de Amorim Sereno
 

Capitão Mil.º Graduado Pára-Quedista DFA
 

 

 

Angola: 20Abr1961 a 08Mai1965
 

Participa na operação "HIMBA"
 

Destacamento Avançado de Combate
 

Comandante do 2.º Pelotão da
 

2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
 

Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21
«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»
 

2.ª Região Aérea «FIDELIDADE E GRANDEZA»
 

Moçambique: 11Jul1966 a 12Nov1971
 

Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 32
 

1.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
«VINCERE ESTE VELLE»
 

Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31
«HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»
 

3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»
 

Moçambique: 13Nov1971 a 10Mai1974
 

Grupos Especiais Pára-Quedistas
 

Centro de Instrução de Grupos Especiais
«VENCEREMOS»
 

Batalhão de Caçadores 16 «AB IMO PECTORE»
 

Região Militar de Moçambique
«CONSTANS ET PERPETUA VOLUNTAS»
 

Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma


Cruz de Guerra de 1.ª classe Colectiva


Medalha de Cobre de Serviços Distintos com Palma


Medalha de Mérito Militar de 4.ª Classe


Medalha de Cobre de Comportamento Exemplar


Prémio do Governador Geral de Moçambique


2 Medalhas Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas com as legendas “Norte de Angola 1964” e legenda “Moçambique 1966 – 68”

 


 

 

Bento de Amorim Sereno, Capitão Mil.º Graduado Pára-Quedista Deficiente das Forças Armadas, nascido no dia 21 de Janeiro de 1939, na freguesia de Pontével, concelho do Cartaxo, distrito de Santarém;


Em 11 de Abril de 1958, incorporado como voluntário no Grupo de Companhias Trem Auto (GCTA – Lisboa) "OMNIA PER OMNIA PORTANS".


Em meados do ano de 1958, ingressa como voluntário no Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas (BCP – Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM», onde, no período de 13 de Outubro a 18 de Novembro de 1958, frequenta o 5.º Curso de Paraquedismo Militar, tendo sido atribuído no final do curso o brevet n.º 401;


De 12 de Janeiro a 21 de Fevereiro de 1959, frequenta a 2.ª Escola de Cabos Paraquedistas.


De 11 de Abril a 01 de Maio de 1959, participa na Província Ultramarina de Angola no grande exercício da Força Aérea denominado “HIMBA”;


A operação “HIMBA” da Força Aérea Portuguesa:


Segundo o descrito pelo Tenente-General Piloto Aviador António de Jesus Bispo, na Revista Militar n.º 2507, de Dezembro de 2010 - https://www.revistamilitar.pt/artigo/620, com a devida vénia se transcreve:


O exercício HIMBA consistiu numa operação de transporte aéreo militar para verificar rotas e infraestruturas, escalas possíveis para o trânsito e operação, e numa demonstração de soberania, de presença militar portuguesa em África; foram envolvidos 14 aviões, designadamente 6 Skymaster, 2 C-47 Dakota, e 6 PV-2 Harpoon que voaram da Metrópole até Angola, utilizando aeródromos de escala, ao longo da rota oceânica.


Em Angola, sobrevoaram Carmona, Santo António do Zaire, Cabinda, Malange, Henrique de Carvalho e Lobito; foi realizado um grande festival aéreo em Luanda com desfile aéreo e terrestre, lançamento de tropas pára-quedistas, e exercício de tiro ar-solo real, com a assistência de uma multidão entusiasta e orgulhosa da sua Força Aérea.


Outros desfiles se realizaram em Sá da Bandeira e Nova Lisboa.


Esta acção teve uma importância fundamental do ponto de vista psicológico, junto da população, para além do teste operacional a que se propunha.


O exercício deixou, no entanto, uma marca negativa: um dos C-47 despenhou-se à saída de Lisboa, na foz do Tejo, tendo falecido os 5 tripulantes e os 6 oficiais que nele seguiam em serviço, constituindo as primeiras baixas da Força Aérea nestas novas campanhas africanas - as causas do acidente nunca foram determinadas, estando totalmente fora de hipótese qualquer acção intencional provinda do exterior.

 

Da esquerda para a direita:

1.º Cabo Armindo Cardoso, Soldado Cabreirinha, Soldado Bento Sereno,

Soldado Galhardas e Soldado Rocheta

Todos futuros Sargentos Pára-Quedistas

 

Em 08 de Março de 1960, promovido a 2.º Cabo Pára-Quedista;


Em 08 de Maio de 1960, promovido a 1.º Cabo Pára-Quedista;


Em 14 de Novembro de 1960, inicia a frequência do 4.º Curso de Furriéis Pára-Quedistas;


Em 19 de Abril de 1961, mobilizado pelo Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, onde desembarca no dia 20 de Abril de 1961, com outros elementos para-quedistas que irão formar o Destacamento Avançado de Combate (DAC);


Em 01 de Maio de 1961, integrado na 2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS» da 2.ª Região Aérea (2ªRA - Angola) «FIDELIDADE E GRANDEZA»;


Em 30 de Junho de 1961, conclui o 4.º Curso de Furriéis Pára-Quedistas;


Em 21 de Setembro de 1961, promovido a Furriel Pára-Quedista, com a antiguidade a 30 de Junho de 1961;


Agraciado com a Medalha de Cobre de Comportamento Exemplar, publicado na Ordem de Serviço n.º 82, de 03 de Março de 1962, do Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM»;


Em 31 de Dezembro de 1963, promovido a Segundo-Sargento Pára-Quedista;


Em Abril de 1964, agraciado com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas com a Legenda “Norte de Angola 1964”


Em 21 de Maio de 1964, ferido em combate, por “fogo amigo”, no decorrer da operação “MILHAFRE BRANCO”;


Em 29 de Junho de 1964, passou a desempenhar as funções de comandante do 2.º Pelotão da 2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS» da 2.ª Região Aérea (2ªRA - Angola) «FIDELIDADE E GRANDEZA»;


Agraciado com a Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe, pela Portaria de 30 de Maio de 1964, publicada na Ordem à Aeronáutica n.º 24 – 2.ª série [
3.ª série], de 06 de Junho de 1964:


Segundo-Sargento Pára-Quedista
BENTO DE AMORIM SERENO
 

BCP21
Angola


Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe


Pela Portaria de 30 de Maio de 1964, inserta na Ordem à Aeronáutica n.º 24 – 2.ª série [3.ª série], de 06 de Junho de 1964:


Condecorado com a Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe, nos termos do artigo 52.º, do Regulamento da Medalha Militar, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 45295, de 07 de Outubro de 1963, o Segundo-Sargento Pára-Quedista Bento de Amorim Sereno.


Louvor que originou a condecoração:


Louvado o Segundo-Sargento Pára-Quedista Bento de Amorim Sereno, do Batalho Caçadores Para-Quedistas 21, porque, servindo nesta Unidade há mais de três anos e tendo comandado um pelotão de caçadores para-quedistas durante mais de um ano, conseguiu sempre que o pessoal do seu comando mantivesse um elevado nível físico, moral e militar.


Nas dezenas de missões de combate em que tomou parte conduziu os seus homens com inteligência, aprumo e entusiasmo, levando-os a dar rendimento desejado.


Possuidor de óptimas qualidades de trabalho e carácter, energia, coragem e espirito de disciplina, o 2.º Sargento AMORIM SERENO afirma mérito e competência que fazem seja considerado um graduado exemplar, em tudo merecedor da admiração e estima dos seus superiores e de amizade dos seus camaradas e subordinados.“

 
Em 07 de Setembro de 1964, cessa as funções de comandante do 2.º Pelotão da 2.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS» da 2.ª Região Aérea (2ªRA - Angola) «FIDELIDADE E GRANDEZA»;


Em 08 de Maio de 1965, regressa à Metrópole e ao Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM»;


Agraciado com a Medalha de Cobre de Serviços Distintos com Palma, pela Portaria de 11 de Junho de 1965, publicada na Ordem à Aeronáutica n.º 25 – 2.ª série [
3.ª série], de 11 de Junho de 1965:


Segundo-Sargento Pára-Quedista
BENTO DE AMORIM SERENO

 

BCP21

Angola


Medalha de Cobre de Serviços Distintos com Palma


Por Portaria de 11 de Junho de 1965


Louvado o Segundo-Sargento Pára-Quedista BENTO DE AMORIM SERENO, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas N.º 21, porque, durante o tempo de serviço prestado em Angola, revelou ser possuidor de qualidades de comando acima do normal, mostrando, sempre que foi chamado a comandar o seu pelotão, ser um condutor de homens invulgar, desempenhando todas as missões operacionais com muito bom senso, aliado a energia, decisão, sangue frio e coragem notáveis.

 

É já conhecida a forma dinâmica e irresistível como conduz o assalto a quarteis inimigos, tendo, numa operação recente, entrado debaixo de fogo num quartel, onde montou a segurança e neutralizou a resistência inimiga com tal rapidez que mereceu a admiração e as melhores referências do comando da sua companhia.


O Segundo-Sargento Pára-Quedista SERENO, pela sua educação e trato, soube granjear a amizade de todos e pelas suas qualidades militares e espírito de colaboração impôs-se à consideração dos seus superiores e subordinados.


O seu comportamento em combate e ainda outros méritos de valia militar, levam a considerar os serviços prestados por este sargento como distintos e relevantes.


Em 20 de Abril de 1966, promovido a Primeiro-Sargento Pára-Quedista;


Em 25 de Junho de 1966, mobilizado pelo Regimento de Caçadores Pára-Quedistas (RCP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique, embarcou na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos num navio de transportes de tropas, rumo ao porto marítimo de Lourenço Marques, onde desembarcou no dia 11 de Julho de 1966, pelo que se apresentou no Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE» da 3.ª Região Aérea (3ªRA - Moçambique) «LEALDADE E CONFIANÇA», pelo que ficou integrado na Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 32 (CCP32);


Em 15 de Julho de 1966, marchou em missão para o norte da Província Ultramarina de Moçambique;


Em finais de 1966, a Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 32 (CCP32) passou a designar-se por 1.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE», da 3.ª Região Aérea (3ªRA - Moçambique) «LEALDADE E CONFIANÇA»;


Agraciado com a Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma, pela Portaria de 19 de Setembro de 1967, publicado na Ordem à Aeronáutica n.º 17 – 3.ª série, de 20 de Junho de 1968, e transcrita na Ordem de Serviço n.º 174, de 24 de Julho de 1968, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE:


Primeiro-Sargento Pára-Quedista
BENTO DE AMORIM SERENO

 

BCP31

Moçambique


Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma


Por Portaria de 19 de Setembro de 1967


Considerado como dado pelo Secretário de Estado da Aeronáutica o
louvor publicado na Ordem de Serviço n.º 41, de 4 de Maio de 1967, do comando da 3.ª Região Aérea, respeitante ao primeiro-sargento pára-quedista n.º 249/66/EP, Bento de Amorim Sereno, do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 31, porque, na operação “Centauro Indomável” no ataque a uma das mais importantes bases inimigas no Norte de Moçambique, e no desempenho das funções de comandante de pelotão, demonstrou excepcionais qualidades de comando, cometendo actos de extraordinária valentia, coragem, audácia, desprezo pela vida e segura noção do dever militar e da grandeza da missão das forças sob o seu comando na luta anti-subversiva. Apenas com duas secções, lançou-se ao assalto da base inimiga numa zona difícil, que conferia pouca protecção, e, apesar de violentamente batido pelo fogo do inimigo, bem agarrado ao terreno, arrancou com extraordinária decisão sobre ele, com valentia empolgante e total desprezo pela vida, que galvanizaram os homens sob o seu comando e os arrastaram na mesma senda de coragem e valentia.


Esta sua acção, de valor e determinação extraordinários, contribuiu decisivamente para o êxito da operação de assalto e foi conduzida com tal decisão e acerto que, apesar do fogo intenso de armas automáticas e morteiros do inimigo, apenas um dos seus homens sofreu ferimentos ligeiros.


Demonstrando nesta operação, como aliás, já o havia demonstrado em operações anteriores, uma têmpera de valente, uma vontade férrea e uma determinação completa na derrota dos elementos terroristas, este militar reafirmou as suas extraordinárias qualidades de comando e condução de homens, que o fazem impor como excepcional chefe no tipo de luta de guerrilhas.


Sempre animado de uma boa disposição, tenacidade e desejo de vencer enormes, soube incutir nos homens sob as suas ordens um extraordinário espírito aguerrido, coesão e camaradagem, que os levam a superar-se a si próprios e a manifestarem em todas as ocasiões uma coragem, decisão e disciplina que são bem o espelho do seu chefe.


Militar extraordinariamente leal, disciplinado e cumpridor das obrigações militares, tem revelado sempre o maior zelo, dedicação e interesse pelo serviço, particularmente com vista à sua finalidade combatente, sendo digno da inteira confiança dos seus chefes, digno de merecer a admiração de todos aqueles que com ele privam e digno de ser apontado como um exemplo de verdadeiro militar, honrando, as forças armadas e as tropas Pára-quedistas a que pertence.

 

Clique na imagem que se segue para ampliação:

De pé, da esquerda para a direita:

Alferes Mil.º Coutada, Alferes Mil.º Portela, Capitão Ramalho Ruas (cmdt. da 1ªCCP), Tenente-Coronel Argentino Seixas (cmdt. do BCP31), Militar de Engenharia, Alferes Mil.º Varela Martins e Tenente Ramos Lousada (cmdt. da 4ªCCP)

Em baixo, da esquerda para a direita:

Alferes Mil.º Armindo, 1.º Sargento Bento Sereno, Alferes do Serviço Geral Olivença, Alferes Adelino Martins e 1.º Sargento Rosário Lourenço

 

Agraciado com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas com a legenda “Moçambique 1966 - 68”, publicado na Ordem de Serviço n.º 130, de 06 de Junho de 1968, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»;


Em Julho de 1968, solicita a prorrogação da comissão de serviço, nota n.º 9704-SP, publicado na Ordem de Serviço n.º 162/68, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»;


Em 03 de Julho de 1968, por despacho de Sua Excelência o Encarregado do Governo, foi distinguido com o Prémio de Governador-Geral de Moçambique, publicado na Ordem de Serviço n.º 176, de 26 de Julho de 1968, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31 - Beira) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE»;


Em 06 de Agosto de 1968, ferido em combate no decorrer da operação “RELÂMPAGO”, evacuado para a enfermaria do Sector B, em Mueda;


Em 10 de Agosto de 1968, evacuado para o Hospital Militar 125 (HM125), em Nampula;


Louvado por feitos em combate, publicado na Ordem de Serviço n.º 228, de 27 de Setembro de 1968, página 1357, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31:


LOUVOR:


"
Durante a operação "RELÂMPAGO" o 1.º Sargento Pára-Quedista SERENO, no desempenho das funções de comandante de um grupo, de combate, accionou uma armadilha inimiga tendo ficado ferido por numerosos estilhaços, pois a natureza do terreno, com muitos arbustos, não lhe permitiu abrigar-se eficazmente.


Mais uma vez o Sargento SERENO teve oportunidade de demonstrar as suas qualidades que o tornaram um exemplo pois, apesar de ferido, conduziu o pelotão sob o seu comando até ao local onde seriam recuperados de viatura, organizando a segurança e dirigindo a evacuação dos outros feridos, numa demonstração de espirito de sacrifício, coragem, decisão e calma perante o perigo.


Sempre o primeiro a agir nos momentos de perigo, esquecendo-se de si próprio para se preocupar apenas com o cumprimento da missão e a segurança dos seus homens, chefe nato para este tipo de guerra, combatente excepcional sempre cheio de entusiasmo que galvaniza o pessoal sob o seu comando, é credor de estima, admiração e consideração de todos os que com ele trabalham.


Louvo pois o Sargento abaixo indicado, concedendo 10 dias de licença nos termos do artigo 107.º do Regulamento de Disciplina Militar ao: 249/EP/1.º SARGENTO PÁRA-QUEDISTA da 1ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas BENTO DE AMORIM SERENO
";


Em 10 de Junho de 1969, na Praça Mouzinho de Albuquerque, em Lourenço Marques, na Província Ultramarina de Moçambique, perante as Forças Armadas reunidas em parada foi-lhe imposta a Medalha de Cobre de Valor Militar com Palma;

 


Em Julho de 1969, considerado abrangido com direito ao uso da insígnia da condecoração colectiva da Cruz de Guerra de 1.ª classe, concedida ao Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31 (BCP31) «HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE», da 3.ª Região Aérea (3RA - Moçambique) «LEALDADE E CONFIANÇA»;


Em Julho de 1970, requereu a prorrogação da sua comissão de serviço por mais dois anos;

 

 

Foto do SMor Serrano Rosa: 1971 - Moçambique

Sargento Bento Sereno e Sargento Ragageles Cachucho (primo do SMor Ragageles que atingiu o capitão cubano, também serviu nos GEP)

 

Em 13 de Novembro de 1971, apresenta-se no Dondo, no Centro de Instrução de Grupos Especiais, onde fica a prestar serviço na situação de diligência;


Louvado por feitos em combate, publicado na Ordem de Serviço n.º 146, de 04 de Dezembro de 1971, transcrito na Ordem de Serviço n.º 297, páginas 1030 e 1031, de 22 de Dezembro de 1971, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31:

 

LOUVOR:


Louvado pelo Comandante da 3.ª Região Áerea, por proposta do Comandante do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31, o Sargento abaixo indicado, por, em cerca de dois anos a responder pela 1.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas se ter revelado um auxiliar inestimável do Comandante de Companhia. Elemento de enorme valia em operações, sobejamente demonstrada em inúmeras ocasiões, continuou a ser utilíssimo à organização que tão devotadamente vem servindo quando chamado a funções de carácter burocrático, graças à sua enorme capacidade de trabalho e excelente formação profissional. De uma dedicação e zelo sem limites, prolongando amiudamente a horário normal de serviço, colocou exclusivamente, por variadíssimas vezes, a sua viatura particular à disposição da companhia, a fim de resolver assuntos urgentes.


Durante as ausências frequentes de todos os oficiais da sua Sub-Unidade, deslocados em operações, o ritmo de vida da mesma não sofreu qualquer alteração devido à sua acção dinâmica, esclarecida o firme.


Dedicando-se à defesa dos interesses do pessoal da sua companhia, duma forma invulgar, granjeou o respeito e amizade de todos os subordinados, bem como a confiança, estima e consideração dos superiores, dado o seu excepcional comportamento como homem e militar.


As qualidades assinaladas, aliadas a um sólido carácter e a uma correcção exemplar, fazem com que devam ser mais uma vez publicamente reconhecidos os seus méritos e apontado como exemplo de militar brioso que honra as Forças Armadas e particularmente as tropas pára-quedistas a que pertence, o 1.º SARGENTO PÁRA-QUEDISTA BENTO DE AMORIM SERENO.


Passagem ao Quadro de Complemento, nota n.º 15, de 29 de Agosto de 1972, que se transcreve:


PASSAGEM AO QUADRO DE COMPLEMENTO - SARGENTOS PARA OS GRUPOS ESPECIAIS PÁRA-QUEDISTAS”


Nota n.º 40284 – Processo n.º 21224, de 18 de Agosto de 1972 da Repartição de Sargentos e Praças, da Direcção de Serviço de Pessoal do Ministério do Exército:


“Para os devidos efeitos se transcreve a nota em referência, relativa a 3 ex-Sargentos Para-Quedistas que desde 08 de Julho de 1972 regressaram ao Quadro de origem e ao Ministério do Exército e que irão prestar serviço nos Grupos Especiais Pára-Quedistas:


“Sua Excelência o Director encarrega-se de comunicar a V. Exª que os requerimentos nos quais os ex-1.ºs Sargentos Para-Quedistas - ANÍBAL BENTO MUTACA, BENTO DE AMORIM SERENO e EUGÉNIO FONSECA BENTO, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31, pediam passagem ao Quadro de Complemento foram DEFERIDOS por despacho de 12 de Agosto de 1972 de sua Excelência o Secretário de Estado do Exército, atendendo ao seguinte aproveitamento que se lhe pretenda dar como comandante dos Grupo Especial Pára-Quedista em Moçambique”, publicado na Ordem de Serviço n.º 210, de 07 de Setembro de 1972, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31
;


Da Ordem de Serviço n.º 127, de 20 de Outubro de 1972, do Centro de Instrução de Grupos Especiais que se transcreve:


Artigo 2.º - PESSOAL:


B - SARGENTOS/AUMENTOS


“Que, por terem sido autorizados a regressar ao Quadro de origem, foram colocados definitivamente no Centro de Instrução de Grupos Especiais, por despacho do Ministério do Exército, de 08 de Julho de 1972, data a partir da qual foram abatidos do efectivo da Força Aérea, os seguintes 1.ºs Sargentos Para-Quedistas, abaixo indicados:


1.º Sargento do Quadro de Complemento BENTO DE AMORIM SERENO


1.º Sargento do Quadro de Complemento ANIBAL BENTO MUTACA


1.º Sargento do Quadro de Complemento. EUGÉNIO FONSECA BENTO


(publicado na Ordem de Serviço n.º 242, de 16 de Outubro de 1972, do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 31);


Colocado no Grupo Especial Pára-Quedista com as seguintes funções:


Instrutor de Paraquedismo, técnicas de combate e comandante de Grupo Especial de Pára-Quedistas em operações;


Em 01 de Setembro de 1972, nos termos do artigo 43.º, da Lei n.º 2135, de 11 de Julho de 1968, graduado em Alferes Miliciano, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique, de 03 de Setembro de 1972, publicado na Ordem de Serviço n.º 18, de 06 de Setembro de 1972, do Comando-Chefe das Forças Armadas de Moçambique;


Em 12 de Fevereiro de 1973, nos termos do artigo 43.º, da Lei n.º 2135, de 11 de Julho de 1968, graduado em Capitão Miliciano, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique, publicado na Ordem de Serviço n.º 05, de 24 de Fevereiro de 1973, do Comando-Chefe das Forças Armadas de Moçambique;


No início de 1974, requereu passagem à disponibilidade, tendo este requerimento sido deferido em 08 de Fevereiro de 1974;


Em 10 de Maio de 1974 marcha para o Batalhão de Caçadores 16, onde é desgraduado de Capitão, e passa à disponibilidade;


Em Fevereiro de 1977, requer licença militar, para se ausentar definitivamente para o Brasil, onde vai trabalhar na área da segurança, com o seu antigo Comandante Coronel Costa Campos.


Em 1978, apresenta-se no Distrito de Recrutamento e Mobilização de Santarém (DRM) «VOMERIS ET FALCIS HONOS CESSIT», onde requer o estatuto de Deficiente das Forças Armadas;


Em 25 de Setembro de 1979, considerado “Incapaz para todo o serviço”, por despacho Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, classificado como Deficiente das Forças Armadas, passando à reforma extraordinária como Primeiro-Sargento do Quadro de Complemento, devido a acidente em Campanha ao serviço dos Grupos Especiais Pára-Quedistas;


Em Maio de 1980, apresenta no Estado Maior do Exército, uma exposição-requerimento, onde defende a sua reforma, como Capitão Miliciano Graduado Deficiente das Forças Armadas, situação que foi deferida em 11 de Dezembro de 1980.


Na manhã de 4.ªfeira, dia 27 de Novembro de 1996, faleceu vitimado por síncope cardíaca, no jardim da sua residência nos Casais de Vale da Pedra (Cartaxo), como Capitão Mil.º Graduado Pára-Quedista Deficiente das Forças Armadas na situação de reforma.


Foi inumado no coval 1974 do talhão 18 do cemitério municipal do Cartaxo.


Paz à sua Alma

 

 

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