
Transcrição da Portaria publicada
na OE n.° 23 — 3.ª série, de 1968:
Por Portaria de 16 de Julho de
1968:
Manda o Governo da República
Portuguesa, pelo Ministro do
Exército, condecorar com a Medalha
de Prata de Valor Militar, com
palma, nos termos do artigo 7.º, com
referência ao § 1.º do artigo 51.º,
do Regulamento da Medalha Militar de
28 de Maio de 1946, o Soldado n.º
2340365, António Nunes Soares, da
Companhia de Cavalaria n.º
1537/Batalhão de Cavalaria n.º 1883
— Regimento de Cavalaria n.º 3,
pelos seus feitos em combate,
durante uma violenta emboscada
sofrida pelas nossas tropas na noite
de 27 de Março de 1968, pois sendo
um dos poucos soldados ilesos e
vendo diversos camaradas gravemente
feridos, no meio da picada,
indiferente ao fogo cerrado que o
inimigo mantinha para tentar o
assalto, e ao clarão de uma viatura
em chamas que o iluminava,
rastejando e somente com os seus
próprios meios, conseguiu tirar para
fora da "zona de morte",
sucessivamente, cinco dos feridos,
recuperar todas as suas espingardas
automáticas e arrastá-los depois às
costas para o meio do capim,
salvando-os da morte certa, mercê da
sua admirável coragem e acendrada
abnegação.

Tendo depois verificado que nada
podia fazer por um seu superior
morto em cima de uma viatura
incendiada e apercebendo-se de que o
inimigo já diversas vezes tentara o
assalto a fim de capturar a
espingarda automática daquele
graduado, e apesar de já ter sido
atingido mortalmente o seu
Comandante ao aproximar-se da
referida viatura, voltou para junto
desta, desprezando o perigo, na
altura em que um elemento inimigo se
preparava para levar a arma
abandonada e como ao tentar fazer
fogo com a sua espingarda, esta se
encravasse, carregou para cima do
bandoleiro e com uma coronhada na
cabeça atirou-o inanimado para o
capim, recuperando a arma que o
mesmo já segurava.
Revelou, assim, o Soldado Soares ser
um extraordinário combatente,
possuidor de raras e preciosas
qualidades de valentia, coragem
física e moral, sangue-frio,
desprezo pelo perigo e sublime
abnegação e altruísmo, definindo no
mais apurado sentido as virtudes
incomparáveis do Soldado de
Portugal.
Ministério do Exército, 16 de
Julho de 1968. O Ministro do
Exército, Joaquim da Luz Cunha.
