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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Amares

 

Para visualização dos conteúdos clique nos sublinhados que se seguem:

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Amares 

 

 

 

Barreiros

 

 

Albino António Fernandes Soares

 

Soldado ‘Comando’, n.º 71458570

 

3.ª Companhia de Comandos de Moçambique

«GATOS»

«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»

 

Moçambique: 15Jan a 01Set1971 (data do falecimento)

 

Homenagem e Memória ao

Soldado ‘Comando’ Albino António Fernandes Soares

1. Elementos Biográficos e de Identificação

Albino António Fernandes Soares nasceu no lugar de Lameira, situado na freguesia de Barreiros, concelho de Amares. Filho de Orlando Paiva Soares e de Augusta da Conceição Fernandes, cresceu integrado no seio da sua comunidade natal, mantendo até ao fim da sua vida o estado civil de solteiro.

Cumprindo os seus deveres militares no teatro de operações do Ultramar, prestou serviço com o posto de Soldado ‘Comando’, devidamente registado sob o n.º 71458570. O militar pertencia ao contingente do recrutamento de Moçambique, tendo sido selecionado na Escola de Aplicação Militar de Moçambique para integrar a formação de forças especiais de infantaria.

A sua unidade mobilizadora esteve sediada na Região Militar de Moçambique, mais concretamente no Centro de Instrução de Comandos (CICmds) em Montepuez. Foi nesta estrutura operacional que veio a integrar a 3.ª Companhia de Comandos de Moçambique, celebrizada e ostentada sob a divisa operacional dos «Gatos».

O Soldado Albino Soares tombou heroicamente em combate no dia 01 de Setembro de 1971, no decurso de operações militares desenvolvidas na picada entre Nova Beira e Mueda, na província de Cabo Delgado. A causa da sua morte resultou de ferimentos graves provocados pelo rebentamento de um fornilho comandado durante a execução da Operação "Bairro Alto".

Após o trágico acontecimento e prestadas as devidas homenagens militares, o seu corpo foi trasladado para Portugal, repousando eternamente no Cemitério de Barreiros, no concelho de Amares, junto da sua terra de origem e dos seus familiares.

2. Enquadramento, Recrutamento e Comando da Subunidade

O percurso militar do Soldado Albino António Fernandes Soares insere-se no enquadramento do recrutamento local em Moçambique, onde o militar se destacou durante o processo de seleção na Escola de Aplicação Militar de Moçambique. Esta seleção criteriosa permitiu a sua admissão no 3.º Curso de Comandos de Moçambique, ministrado no Centro de Instrução de Comandos (CICmds) de Montepuez entre 15 de Janeiro e 24 de Abril de 1971.

Como resultado direto dessa formação exigente, a 3.ª Companhia de Comandos de Moçambique ("Gatos") foi oficialmente constituída a 25 de Abril de 1971, sendo integrada em quase a sua totalidade por homens mobilizados e recrutados em Moçambique. A subunidade representava a capacidade e o valor operacional das tropas de elite formadas no próprio teatro de operações.

Durante todo o período de serviço do Soldado Albino Soares, a companhia esteve sob a liderança do Capitão de Artilharia ‘Comando’ José Castelo Glória Alves. O comandante esteve à frente da unidade desde a sua génese e ao longo da sua comissão operacional no norte de Moçambique, mantendo a coesão e o espírito de corpo dos "Gatos".

3. Actividade Operacional no Teatro de Operações

Entre maio e setembro de 1971, o Soldado Albino Soares participou nas missões de combate desenvolvidas pela 3.ª Companhia de Comandos no distrito de Cabo Delgado, com bases temporárias em Mueda e Omar, intercaladas por breves períodos de repouso e reequipamento em Montepuez e na Ilha de Moçambique.

Entre 13 de Maio e 11 de Junho de 1971, baseada em Mueda, a companhia empenhou-se na Operação "Badanal 1", atuando na região dos Paus até Nova Beira. Durante esta ação, participou ativamente na destruição da base inimiga "Beira", que contava com estruturas de apoio como hospital, refeitório e abrigos anti-aéreos, bem como na captura de um paiol com munições.

Seguiu-se a Operação "Badanal 2", desenrolada entre 12 de Junho e 08 de Julho de 1971 a partir de Omar. As ações incidiram sobre os vales dos rios Nange, Navilongo e Nacalenga, culminando na destruição de dois acampamentos e da importante base inimiga "Limpopo", infligindo baixas ao inimigo e capturando relevante material de guerra.

De regresso a Mueda em meados de Agosto de 1971, a subunidade iniciou as operações "Libélula" e "Bairro Alto" na região dos Paus e do Rio Litinguinha. Durante este ciclo operacional, a companhia enfrentou forte oposição, sendo alvo de três flagelações com morteiro 82 mm, contexto em que viria a ocorrer o sacrifício supremo do militar.

4. O Sacrifício em Combate e o Dever de Memória

No dia 01 de Setembro de 1971, no decurso da Operação "Bairro Alto", a 3.ª Companhia de Comandos progredia na picada operacional que ligava Nova Beira a Mueda. Foi durante essa manobra de patrulha e combate que a subunidade foi atingida pela explosão de um fornilho comandado, uma armadilha que causou ferimentos mortais ao Soldado ‘Comando’ Albino António Fernandes Soares.

A morte prematura do jovem militar em pleno cumprimento do dever deixou um rasto de profunda saudade entre os seus pais, familiares e camaradas de armas. O seu sacrifício ficou inscrito na história e nas tradições da 3.ª Companhia de Comandos de Moçambique, cujos militares partilharam os perigos e a exigência do combate sob a divisa dos "Gatos".

Repousando no Cemitério de Barreiros, no concelho de Amares, o exemplo de coragem e abnegação do Soldado Albino Soares permanece imortalizado na memória militar e na homenagem contínua dos que honram o lema «Mama Sume!» e o valor dos Comandos portugueses.

 

 

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