Os mortos
monchiquenses da Guerra Colonial

Fonte: Jornal de
Monchique, de 30 de Julho de 2008
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Anotações ao documento supra,
enviadas por um Veterano
Para
visualização das sepulturas clique em
cada um dos sublinhados
-
AVELINO MARTINS ANTÓNIO
(morto em combate, na data indicada) - tal como os
demais mortos e feridos na referida emboscada, que não
foi iniciativa das NT mas sim do PAIGC, foram
transportados para Bissau. Todos os mortos foram a
sepultar no cemitério de Bissau, no dia 01 de Fevereiro
de 1965. A informação constante a págs.107-110 do livro
1, tomo II do 8º volume da "Resenha..." (1ªed. 2001), de
que os militares nela referidos, teriam ficado
sepultados no cemitério de Nova Lamego, não é correcta.
-
JOAQUIM DA SILVA JOÃO -
morreu no dia 15 de Agosto de 1972, em consequência de
graves ferimentos adquiridos no dia anterior junto à
fronteira sul de Angola, onde o Esquadrão Cuidado do
MPLA montou emboscada a tropas envolvidas na Operação
Tufão 4, causando 7 mortos imediatos à CCav3361 (que
estava já a meio da sua comissão de serviço e não era
adida ao BCav3845, mas sim uma das três subunidades
operacionais do referido batalhão).
-
JOSÉ ANTÓNIO DA ASCENSÃO INÁCIO
- morreu na data indicada (quando se encontrava a poucos
dias do início da sua comissão), no itinerário Ambriz>Nambuangongo,
quando um bando da UPA lançou emboscada contra um MVL,
durante a qual morreu por fogo IN um soldado da CCS/BCac158
(bala na coxa atingiu a artéria femural), e dois outros
em consequência de «acidente com arma-de-fogo», no caso,
auto-deflagração de granada própria que um deles trazia
à cintura (o Soldado Inácio da CTpts335, e o que a seu
lado ia sentado, um soldado da CCac103, do Batalhão do
TCor Maçanita).
-
JOSÉ ANTÓNIO NOBRE BAIONA
- morreu na data indicada. Mobilizado pela BA6-Montijo,
chegou em 24Nov60 a Luanda como membro da tripulação do
PV-2 4607. Tinha a especialidade de Mecânico de Material
Aéreo e, nessa qualidade, integrava a tripulação do PV-2
4612 que, na referida data, procedia a um vôo integrado
nas cerimónias da inauguração oficial da Esquadra 91 da
BA9. Não faleceu em situação de combate, mas devido ao
despenhamento do avião entre a Camabatela e o Puri, por
motivos que a FAP não conseguiu apurar (ou não quis
revelar), mas de modo algum «em situação de combate»; os
destroços (e apenas estes) só foram localizados no dia 3
de Agosto de 1961, acidentalmente, por uma patrulha do
Exército; naquele despenhamento faleceram, além do
epigrafado, mais 3 tripulantes (o Ten PilAv Carlos
António Alves, o 2Sg PilAv Jorge Raposo Gomes Prata, o
1Cb ORTra Orlando Custódio Machado dos Santos) e o
alferes pára-quedista do BCP21 Luís Ramos Labescat da
Silva (que ia como observador, e oficialmente está dado
como morto em 31Jan62 e com a posto de tenente. Não há
notícia, pelo menos até final de 1961, de que algum dos
cadáveres dos 5 malogrados militares da FAP tenha sido
resgatado à selva; como também não há notícia de que
algum deles tenha sido, a título póstumo, agraciado. Se
«o corpo foi depois recuperado e trasladado para o
cemitério de Monchique», poderá estar-se perante uma
"mentira piedosa", idêntica à aludida «Ordem da Torre e
Espada».
-
JOSÉ ANTÓNIO VALÉRIO MALVEIRO
- morreu na data indicada, no itinerário Ponte de
Quimbele para Macocola, durante emboscada lançada por um
bando armado da UPA que, além desta baixa mortal, causou
mais 8 feridos àquela subunidade do BCac92.
-
JOSÉ CARLOS MARTINIANO
MARREIROS - morreu na data indicada, por
motivo de doença adquirida em serviço. Considerando a
informação relacionada com a circunstância do seu
nascimento (aliás prevista na metodologia de análise e
rectificação sempre que plausível e justo)
, cessa a inclusão no
concelho de Lisboa e passa ao concelho de Monchique.
Pertencia à CCS do BCac96, que concluiu a sua comissão
de serviço em Sá da Bandeira (merecido descanso no
sudoeste de Angola), em 14Jul63. O óbito, registado na
data indicada, somente poderá ter ocorrido na Metrópole,
colocando-se hipótese de haver sido evacuado (antes do
regresso do batalhão) e ter falecido no HMP-Estrela.
-
JOSÉ DA SILVA DUARTE
- morreu em combate, não no dia 14 mas sim 15 de Abril
de 1964, na área da Magina (perto da fronteira noroeste
de Angola); nessa mesma circunstância, morreram 2
furriéis milicianos e outros 2 soldados, todos da citada
subunidade do BCac595.
-
JOSÉ INÁCIO DUARTE DOMINGOS
- morreu pela causa mencionada mas no dia 4 de Junho de
1966, no Chire (Vila Fontes), recém-chegado ao local
vindo do Erego com a sua CCac1503, pertencente ao
referido batalhão.
-
JOSÉ JOAQUIM ÁGUAS DE SOUSA
- morreu na data indicada, em consequência de ferimentos
adquiridos no dia anterior durante acidente de viação
ocorrido no itinerário Caje>Muxaluando, quando a CCav351
(subunidade onde estava integrado e que pertencia ao
BCav350, comandado pelo irmão do conhecido Costa Gomes),
procedia à mudança do aquartelamento de Balacende para o
Mucondo, auxiliada por efectivos da CCav297 (outra
subunidade daquele batalhão) que nesse mesmo dia
(14Nov62) sofreram 2 mortos pelo mesmo motivo (vindo um
outro a morrer também no dia seguinte).
-
LINO DO NASCIMENTO AMADO
- morreu na data indicada. Pertencia à CArt730,
subunidade operacional do citado batalhão.
-
LUCIANO FLORÊNCIO -
morreu na data indicada, em consequência de uma
"bailarina" (mina antipessoal) lhe haver decepado uma
perna, durante operação na área da Cutia com o Grupo de
Comandos "Vampiros", ao qual pertencia. Era Soldado
Atirador 'Comando' com o nº621/64, oriundo da CCac726
(não existiu Companhia de Comandos 726).
-
MARCELINO DUARTE -
morreu na data indicada, vítima de afogamento no rio
Bigador, perto de Pixe, onde a citada subunidade estava
aquartelada. O motivo da morte nada teve a ver com
"situação de combate".
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VIDAUL
DA CONCEIÇÃO INÁCIO
- morreu na data indicada, vítima de acidente de viação:
a 8 dias da citada subunidade concluir a sua comissão de
serviço, quando em deslocação auto no itinerário
Changara > rio Luenha (a sul do Mazoé, na Zona
Operacional de Tete), o militar foi projectado da
Berliet onde viajava e ficou esmagado pelo capot do
camião.