Resumo:
- «O Governo Português,
profundamente empenhado na
manutenção das colónias africanas,
teve uma importante influência no
início e desenvolvimento da crise
desencadeada pela declaração
unilateral de independência da
Rodésia do Sul, pelo então seu
primeiro-ministro Ian Smith.
Com este trabalho, pretende-se
mostrar o envolvimento que o Governo
Português, então liderado por
Oliveira Salazar, teve na atitude
rebelde do primeiro-ministro
rodesiano para com a Grã-Bretanha,
apesar da frágil posição
internacional de Portugal, devido à
manutenção da sua política colonial,
e do segregacionismo rodesiano,
contrário ao discurso oficial da
integração rácica nos territórios
ultramarinos.
O que o governo português teve como
foco orientador, foi a necessidade
de garantir a segurança da fronteira
sul de Moçambique, comportando-se de
forma realista, pondo o interesse
nacional, manutenção das colónias e
do regime, como elementos centrais
na política externa, mesmo tendo
como adversário principal a
Grã-Bretanha, a então potência
colonial da Rodésia do Sul.»
Sumário:
- «O objectivo da dissertação é
analisar as relações
luso-rodesianas, sendo especialmente
analisado o modo como o Governo
Português apoiou o governo de Ian
Smith, como linha de acção
estratégica de apoio à manutenção de
Moçambique.
O apoio a Smith, representa um claro
exemplo do esforço que colocava na
manutenção dos territórios
ultramarinos em África e manutenção
do regime, objectivos que não eram
considerados de forma separada.
Apesar de habituados a olhar para
Portugal como um país receptor de
apoios das grandes potências, na
crise rodesiana é Portugal quem
concede importantes apoios.
A opção política de Salazar tinha
como efeito pretendido imediato,
impedir que o território rodesiano
caísse sob controle de maioria negra
nacionalista, e aí serem criadas
importantes bases de apoio a
movimentos de libertação com apoio
da China e da URSS, como acontecia
de forma explícita com a Tanzânia.
Após a secessão da Federação das
Rodésias e Niassialândia, e o
nascimento de dois novos países de
governo nacionalista, a Zâmbia e o
Malawi, o Governo Português não
podia correr o risco de ver, num
país contíguo a Moçambique, mais um
governo negro nacionalista. Por
conseguinte, para cumprir esse
objectivo, o Governo Português fez
valer o poder que a posição
geográfica de Moçambique tinha sobre
o 'hinterland' rodesiano, para
apoiar Ian Smith contra o embargo
económico e político, e pressionar o
Malawi e a Zâmbia a cooperar com
Lisboa.
Definido em Lisboa, no encontro
entre Salazar e Smith, o apoio
português acabou por auxiliar a
manutenção de Smith face às pressões
britânicas e lançar as bases para
uma mais efectiva cooperação militar
nos anos 1970, na guerra em
Moçambique.
Os resultados obtidos na
investigação, mostram o esforço
desenvolvido pelo Governo Português
em conceder apoio
político-diplomático, económico e
militar à Rodésia, mesmo tendo como
pano de fundo a hostilidade
internacional, em especial da
Grã-Bretanha.
Os casos da acreditação de Harry
Reedman em Lisboa, do
descarregamento do petroleiro
JoannaV, e o aprofundamento das
relações militares ao nível da troca
de 'intelligence', são
paradigmáticos desse esforço e
espelham bem o empenho português na
sobrevivência e manutenção de Ian
Smith no poder.
O trabalho está dividido em oito
capítulos. Nos dois primeiros
apresentam-se as condições que
moldaram a atitude do Governo
Português: a situação internacional
e a importância das colónias para o
Estado Novo. No terceiro capítulo
apresenta-se o caminho do
aprofundamento das relações
políticas entre Portugal e a
Rodésia. Nos capítulos quatro, cinco
e seis mostra-se como os
instrumentos diplomático, económico
e militar foram utilizados no apoio
Smith. No capítulo sete
apresentam-se os efeitos que a crise
da Rodésia teve nas relações
anglo-lusas.
Conclui-se da investigação, que a
atitude do Governo Português foi
orientada pela defesa dos interesses
nacionais e levada a cabo com os
instrumentos de poder nacional, de
uma forma sinérgica onde os
responsáveis políticos tiveram
importância fundamental.»
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