Ao meu amigo e conterrâneo Manuel
Sebastião Guerreiro, a título póstumo, assim como a
todos os Fuzileiros que faleceram na Guerra do Ultramar.
Manuel Sebastião Guerreiro, 2.º Grumete
Fuzileiro, natural da freguesia de Alcaria Ruiva,
concelho de Mértola, mobilizado para servir no Comando
Naval da Guiné, integrado na Companhia de Fuzileiros 10.
Faleceu em 23 de Julho de 1969.

Título: "Lobo ... dos Mares"
Autor: Joaquim Cortes
Edição: Autor
1.ª Edição: Dezembro de 2000
Local: Amadora
Composição: Luís Ilídio
Fotolitos: Benigno & Castro, Lda.
Impressão: Benigno & Castro, Lda
Fotografia: Arquivo fotográfico J.
Cortes
Documentos: Arquivo Maria da
Conceição Guerreiro, Direcção do Serviço de Pessoal (Rep.
de Sarg. e Praças) da Marinha
Depósito Legal: 157730/00
Registado no Ministério da Cultura
Prefácio
... Passados que estão quase três
décadas após a Guerra de África, é tempo mais que
suficiente, para que, se retirem dos escombros, muito,
do que ainda está oculto sobre todos aqueles que com
galhardia, brio e coragem, e sobretudo, confiados na
justeza de uma causa que afinal não era a sua, venham à
luz do dia. “Lobo dos Mares", é um desses casos!.
...Sabe-se, quanto o tema é delicado,
mexendo com pessoas e sentimentos, e, as quase três
décadas, já passadas, não é nem nunca será tempo
suficiente para sarar feridas, nomeadamente, para todos
os que ficaram sem os seus entes queridos, razão porque
o tema carece de muito cuidado quando abordado. No
entanto, a Guerra de África, jaz parte da nossa história
recente, e, todas as gerações futuras, dela, devem ter
conhecimento. Pese embora alguns inconvenientes, somos
de opinião que, quase trinta anos depois, não devemos
manter silêncio sobre a dita guerra, contribuindo assim,
para um esclarecimento das novas gerações.
...A fotobiografia “Lobo dos Mares” é
um exemplo! Só após quase três dezenas de anos, se fez
luz quanto ao seu desaparecimento. Sabia-se, que tinha
ocorrido algures na província da Guiné!. Como? Quando?
Onde?, foram interrogações sem resposta até aos dias de
hoje. Com a presente fotobiografia, o mistério fica
desvendado!
“Lobo dos Mares é uma obra romanceada,
onde parte da narrativa é baseada em factos reais.
Todavia, também estão narrados: factos, pessoas e
situações que, são apenas ficção, qualquer semelhança
com a realidade são mera coincidência.
O Autor
Breve Introdução
É verdade! Na guerra do Ultramar não
se morria apenas em combate ou como consequência de
minas e armadilhas sempre traiçoeiras instaladas pelo
inimigo (combatentes dos Movimentos de Libertação, se
quiserem!). Também se morria, em grande medida, na
sequência de acidentes das mais diversas naturezas: com
armas de fogo, com viaturas e com asneiras que o
”cacimbo" (entenda-se '"stress”, " álcool, liamba",
etc.) levava a cometer.
As chamadas "tropas especiais",
nascidas com as primeiras companhias de caçadores, eram
e continuam a ser o paradigma da segurança na acção, na
destreza na utilização do armamento, a pontualidade e
eficácia nas acções de combate, independentemente das
condições exógenas a essas organizações. Não pretendo
com isto dizer que a tropa "normal" não desempenhou um
papel importante nos diversos teatros de operações.
Muito antes pelo contrário! Estes militares eram, em
grande medida, "chamarizes" que, em momentos de grande
pressão serviam de referência para que as "tropas
especiais " actuassem com sucesso.
Os 'fuzileiros " são o modelo da
mistura destes dois tipos de "classificações" militares.
Desempenhavam os dois papéis, isto é, eram "chamarizes"
e "caçadores", ao mesmo tempo. Não estavam (nem estão)
isentos de acidentes como aquele que vitimou o "Lobo dos
Mares ".
Esta narrativa do Joaquim Cortes, em
que apenas os nomes do protagonista principal e dos seus
familiares são verdadeiros, retrata exemplarmente as
vicissitudes pelas quais passavam os antigos combatentes
e que incluíam, como é o caso presente, acidentes.
A visão hialina que a leitura desta
obra me oferece é a de um ambiente tranquilo e mais ou
menos sereno da vida em Algodôr, seguindo-se um período
de tragédia crescente até ao desenlace total no rio
Cacine.
Este é, sem dúvida, um exemplo de como
se morria – e muito - na Guerra Colonial.
LUÍS SAPATEIRO
(Ex-furriel miliciano de Operações
Especiais)