Fazer História por recolha de
testemunhos escritos e verbais de
150 personalidades intervenientes,
directos ou indirectos, no conflito
ultramarino português, terá o seu
mérito. Há milhares (milhões?) de
outros depoimentos igualmente
válidos e pertinentes, residindo a
primeira grande dificuldade na
selecção. Provavelmente, os de maior
envergadura para o enquadramento
histórico — pela sua impertinência —
são arredados pelo moderno diapasão
do "politicamente correcto".
O critério de selecção de tais
testemunhos, recolhidos para mais
uma História da Guerra em África,
sendo conhecido, dirá sobre o que
faz correr José Freire Antunes
(...).
(...) O jornal Diário de Notícias,
de 22 de Outubro de 1995, com
chamada de primeira página insere no
seu dominical Notícias Magazine,
em artigo assinado pela jornalista
Maria João Vieira uma elaborada
propaganda ao já citado resumo que
José Freire Antunes deu à estampa
recentemente. A fotografia que ocupa
a capa de Magazine, à
primeira vista poderia ser a de um
combatente da guerra da Indochina.
Mas não. Estando o personagem vivo,
nada custava identificá-lo. A mim,
parece-me o (agora tenente-coronel)
capitão de Infantaria "Comando"
Chung Su Sing, então comandante da
6.ª CCMDS em Angola, por volta de
1968... mas para o objectivo do
exclusivo" do DN pouco
importa. Aparentemente, a chamada de
atenção foi para os nomes mais
"mediáticos" focalizando o assunto
como quem vende sabonetes, em vez de
tratar com seriedade e objectividade
o assunto em análise. Outra coisa
não seria de esperar de um
"magazine".
(...) A desesperada busca actual
para as justificações
pós-traumáticas (chamado "stress de
guerra"), radica mais no permanente
"jeu de massacre" psicológico dos
fazedores-de-opinião abrilistas e
anti-patriotas, amantes de
estrangeirismos e teorias
internacionalistas-socializantes,
sobre os milhares de veteranos de
guerra que cumpriram os seus
deveres, e bem assim sobre as
respectivas famílias e círculo
social envolvente. Em última
análise, traumatizado está quem se
sente em falta, desertores e/ou
traidores, os detratores que em
funda consciência no outro lado do
espelho vêem a não-razão dos seus
frouxos argumentos quando tentam
castigar a opinião pública e se
auto-intitulam vítimas do "fascismo"
que fez a guerra "colonial". Daquela
guerra, colonial (assim chamada pela
guerrilha municiada com armamento e
ideologia dita de "libertação"), as
únicas vítimas que todos conhecemos
são os milhões de civis mortos e
estropiados ou despojados dos seus
legítimos haveres por outros seus
irmãos africanos (...).
(...) Não fiquem pois, v. exas,
senhores marechais, com qualquer
dúvida: foi pela Pátria, lutar (como
nos ensinaram desde os bancos da
escola a entoar o Hino Nacional),
que milhares de soldados anónimos
prestaram serviço a Portugal (...).
Abreu dos Santos
(in Notícias Magazine - 12.11.95)